Crédito: Divulgação

Itt Fuse adquire equipamento para análises internas de componentes e materiais sem destruir as amostras

O XT V 160 é um sistema de raio X e tomografia computadorizada com reconstrução 3D que trará maior rapidez e qualidade em análises para a indústria eletrônica, de semicondutores, metalurgia e construção civil

Bernardo de Almeida - CODE  

O Instituto de Tecnologia em Ensaios e Segurança Funcional da Unisinos (Itt Fuse) adquiriu, junto à Nikon Metrology, um equipamento de sistema de raio X e tomografia computadorizada com reconstrução 3D. O XT V 160 deve chegar à Universidade, no campus de São Leopoldo, ainda em outubro, e será utilizado para inspeção não destrutiva de aplicações nas áreas de semicondutores, automotivo, aeroespacial, entre outras. 

“Nossa expectativa é que o produto traga maior rapidez e qualidade em análises para a indústria eletrônica, de semicondutores, metalurgia e construção civil”, afirma Gustavo Willmann, coordenador do Fuse. Segundo o engenheiro, o equipamento vai acelerar o aprendizado na montagem de novas placas e amadurecimento de novos processos. “Também vai auxiliar nas atividades de análise de falhas, nas avaliações de porosidade e de aplicações de fibras em concreto, entre muitas outras”, explica Gustavo. 

O processo de aquisição do XT V 160 foi intermediado pela empresa Hitronix Technology, especializada no setor da indústria eletroeletrônica, focada em oferecer soluções tecnológicas de ponta para processos de SMT (sigla em inglês para Tecnologia de Montagem em Superfície). A companhia atua desde 2018, e funciona como uma ponte entre fabricantes internacionais e o mercado brasileiro.

Detalhes sobre o produto 

O XT V 160 pode ser comparado a uma espécie de “supervisão de raios X”, que permite investigar o interior de componentes sem precisar abri-los ou destruí-los. Um dos diferenciais está no tubo gerador de raios X, desenvolvido e patenteado pela Nikon. Em vez de ser necessário trocar todo o tubo depois de determinado período de uso, o sistema precisa apenas da substituição dos filamentos responsáveis pela geração dos elétrons. 

A troca também foi pensada para ser rápida. O filamento pode ser substituído em menos de dez minutos. Em outros equipamentos, o mesmo procedimento pode levar quase uma hora. Na prática, é trocada uma única peça de uma máquina, em vez de precisar substituir todo o conjunto. 

Outro diferencial está na movimentação da amostra. Quanto mais o operador movimentar a caixa, mais ângulos poderá observar e, consequentemente, mais informações conseguirá obter. O manipulador de amostras do XT V 160 permite uma visualização angular de até 89 graus, enquanto outros sistemas chegam a cerca de 70 graus apenas. “Essa diferença amplia as possibilidades de observação e ajuda a revelar estruturas internas que poderiam ficar escondidas em determinados ângulos”, garante o diretor da empresa Hitronix Technology, Marcelo Anzai. 

Para registrar essas informações, o sistema utiliza detectores de painel plano de raios X de última geração. Eles funcionam, de certa forma, como uma câmera fotográfica especializada, recebendo os raios X que atravessam a amostra e transformando essas informações em imagens. A tecnologia permite capturar imagens com maior resolução e rapidez, facilitando a identificação de pequenos detalhes. 

divulgação

O equipamento também conta com funções automatizadas para inspeções de semicondutores, tornando o processo mais ágil e padronizado. Entre as tecnologias disponíveis está a laminografia X.Tract 3D, uma maneira de “fatiar virtualmente” uma amostra para observar diferentes camadas de sua estrutura. O recurso utiliza imagens de raios X para reconstruir detalhes internos com alta resolução. Assim, em vez de desmontar um componente para descobrir o que existe dentro dele, os pesquisadores podem investigá-lo virtualmente ou digitalmente. É como ter a possibilidade de abrir uma peça no computador, observar suas diferentes camadas e procurar possíveis falhas sem precisar danificar o material original. 

Tecnologia amplia possibilidades de pesquisa e serviços 

Diversos serviços serão ofertados pelo Itt Fuse a partir da aquisição do XT V 160, como inspeções não destrutivas em produtos diversos e materiais, tomografia 3D para avaliação de produtos, análises qualitativas ou de falhas em produtos e componentes eletrônicos, como perfil de "voids" frente à Norma IPC, avaliação de integridade estrutural. Com isso, diferentes áreas e setores de empresas serão beneficiados, como os da indústria eletroeletrônica, metalúrgica, mecânica, construção civil e de materiais. 

Crédito: Melissa Alves

Unisinos recebe primeira turma de Especialização em Projetos de Circuitos Integrados Digitais

Realizado em parceria com o Governo do Estado, curso oferece 15 bolsas integrais e busca formar profissionais para atuar no setor de microeletrônica  

Bernardo de Almeida - CODE  

No dia 10 de agosto, a Unisinos recebeu a primeira turma do curso de Especialização em Projeto de Circuitos Integrados Digitais, que disponibiliza 15 vagas com bolsas integrais para a etapa de capacitação teórica e prática em microeletrônica. A iniciativa tem como objetivo formar projetistas de circuitos integrados digitais, com ênfase em verificação, para atuar no setor e contribuir para suprir a escassez de profissionais especializados.  

Serão 10 meses, separados em duas etapas. A primeira será voltada para a parte teórica, durante quatro meses. Confira quais serão os tópicos a serem estudados nesta primeira parte:  

  • Introdução aos circuitos digitais  
  • Arquitetura e organização de processadores 
  • Projeto de circuitos integrados digitais  
  • Implementação lógica e física de circuitos integrados digitais  
  • Indústria e mercado de semicondutores  
  • Introdução à microeletrônica e aos processos de fabricação  
  • Teste e DFT  
  • Empreendedorismo e inovação em semicondutores  

Na segunda etapa, nos seis meses seguintes, os estudantes poderão realizar estágio em empresas do setor de desenvolvimento de hardware, como Ensilica, AEL, Chipus e HT-Micron, entre outras.  

A ação é realizada em parceria com a Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Governo do Rio Grande do Sul (SICT), por meio do programa Semicondutores RS, criado para transformar o Estado em um polo nacional e latino-americano em design de circuitos integrados, fabricação e encapsulamento de chips eletrônicos.    

Crédito: Melissa Alves

 

Teoria e prática em projetos de circuitos  

A solenidade iniciou com o professor Sandro Bisnfeld Ferreira, coordenador do curso, que apresentou os objetivos da especialização e os conteúdos que serão desenvolvidos ao longo da formação. Além disso, relembrou o curso de especialização em Encapsulamento de Semicondutores, realizado no ano passado, também por meio da parceria entre o Governo do Estado e a Unisinos.  

“A proposta é promover uma formação que combine conhecimento teórico, atividades práticas e experiência profissional. Para isso, universidade, Governo do Estado, empresas e profissionais especializados trabalham de forma conjunta na construção do curso”, afirmou Sandro. “A iniciativa busca preparar novos profissionais para atuar no setor de semicondutores e, ao mesmo tempo, fortalecer a cadeia de desenvolvimento tecnológico no Rio Grande do Sul”, destacou.  

Após a apresentação, o diretor do Departamento de Conhecimento para a Inovação, da SICT, Guilherme Freitas Camboim, destacou as parcerias com instituições de ensino e os investimentos realizados no Rio Grande do Sul como parte do programa Semicondutores RS.  

O programa foi criado em 2023 e, desde então, recebeu investimentos de aproximadamente US$ 12 milhões, distribuídos em diferentes frentes. Entre os principais eixos estão a formação e qualificação de profissionais, o desenvolvimento de pesquisa aplicada e a transferência de tecnologia, o estímulo ao empreendedorismo e à inovação, a atração de investimentos e a ampliação da cooperação com instituições de outros estados e países.  

“O curso recebeu uma procura significativa, inclusive de pessoas de outros estados e de países próximos. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Governo do Estado para fortalecer o setor de semicondutores, área considerada estratégica diante das transformações tecnológicas e geopolíticas internacionais”, declarou Guilherme. 

Estudantes de diferentes regiões  

Na parte final do evento, o projetista de circuitos analógicos e de sinal misto da empresa Ensilica, Daniel Barcellos, realizou uma palestra sobre o desenvolvimento de tecnologias e apresentou detalhes relacionados ao processo de produção de semicondutores.

Crédito: Melissa Alves

Dos 15 estudantes contemplados com a bolsa, sete poderão realizar um estágio em empresas do setor ao final do curso. Um dos destaques da especialização é a presença de alunos de diferentes regiões e de outros países. A primeira turma reúne estudantes da Colômbia, Chile, São Paulo, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 

Um dos alunos que ganharam a bolsa, Kelvin Clóvis, mestrando em Engenharia da Computação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), revelou as suas expectativas para a formação. “Espero adquirir muito conhecimento em verificação. Sempre quis atuar na área, e acredito que o curso vai ser uma oportunidade importante para aprofundar meus conhecimentos, aprender novas ferramentas e entender melhor como funciona o mercado de semicondutores”, afirmou. “Também espero aproveitar a experiência prática e o contato com profissionais e empresas do setor”, completou. 

Confira as fotos do evento: Clique aqui

Imagem: Revista Grãos Brasil, edição 138.

Pesquisa do itt Nutrifor sobre secagem de arroz é publicada na revista Grãos Brasil

Estudo desenvolvido por pesquisadores da Unisinos compara diferentes processos de processamento e os efeitos na qualidade dos cereais 

Por Beatriz Schleiniger – CODE  

Uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores do Instituto Tecnológico em Alimentos para a Saúde (itt Nutrifor), da Unisinos, foi publicada na edição 138 da revista Grãos Brasil. O artigo, de autoria de Valmor Ziegler, Aline Felten Bondam, Marcele Carniel e Cristiano Dietrich Ferreira, apresenta os resultados de um estudo sobre diferentes formas de secagem do arroz e os efeitos desse processo na qualidade dos grãos. 

Durante 120 dias, os pesquisadores acompanharam e compararam dois métodos de secagem: o sistema intermitente tradicional e o de múltipla intermitência. De forma geral, foi observado melhores resultados com a múltipla intermitência, tanto no aproveitamento dos grãos após o processamento quanto na preservação de características, como germinação e vigor. 

Segundo Valmor Ziegler, um dos principais fatores observados foi a temperatura dos grãos durante a secagem. No método tradicional, a temperatura chegou a 39°C; já a múltipla intermitência registrou 34°C. “A secagem por múltipla intermitência foi mais eficiente na preservação da qualidade do arroz, tanto sob o ponto de vista industrial quanto fisiológico”, explica. 

Na prática, os resultados mostram que a forma como o arroz é seco pode fazer diferença no aproveitamento dos grãos e na manutenção de sua qualidade. A pesquisa também identificou resultados positivos na germinação e no vigor dos grãos ao longo do período de armazenamento. Para Ziegler, o estudo demonstra o potencial do método para contribuir com a qualidade do arroz durante o armazenamento e o processamento. “A múltipla intermitência proporcionou maior rendimento de grãos inteiros, maior germinação e maior vigor, demonstrando potencial para melhorar a qualidade do arroz durante o armazenamento e processamento”, destaca.

Imagem: Aline Felten Bondam

Pesquisa aplicada à área de alimentos 

O itt Nutrifor é um instituto tecnológico da Unisinos que atua com pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de alimentos. O trabalho da organização busca aproximar o conhecimento produzido na Universidade de necessidades encontradas no setor, desenvolvendo e avaliando produtos, processos e tecnologias. 

Confira o artigo publicado na revista Grãos Brasil: Clique aqui 

Imagem: Arquivo Pessoal

Bolsista do Centro Innova desenvolve projeto de infraestrutura para internet 5G privada open source

Iniciativa de Miguel Camargo Lunardi é voltada para pesquisas e testes de novas aplicações no campus de São Leopoldo da Unisinos

Por Bernardo Maria de Almeida - CODE 

O estudante de Engenharia da Computação da Unisinos e bolsista do Centro Innova, Miguel Camargo Lunardi, desenvolveu um projeto voltado à criação de uma infraestrutura completa de rede 5G privada open source, que usa redes fechadas ou conexões criptografadas criadas com softwares cujo código-fonte é público. Além de disponibilizar uma rede experimental, a iniciativa incorpora um sistema de monitoramento capaz de acompanhar o tráfego de dados em tempo real, fornecendo informações que contribuem para a otimização do desempenho da rede e para a expansão de suas aplicações.  

Rede experimental reúne infraestrutura e monitoramento

O sistema foi desenvolvido com o uso de componentes de rádio, um celular convencional e chips reprogramáveis, permitindo a realização de testes em diferentes configurações. A infraestrutura integra todos os elementos necessários para o funcionamento de uma rede 5G e conta com uma plataforma de monitoramento que possibilita acompanhar aspectos como dispositivos conectados, comportamento do tráfego de dados e desempenho dos microsserviços, contribuindo para uma operação mais segura e eficiente. 

"Com os dados coletados, conseguimos entender melhor o comportamento da rede, identificar possíveis falhas e avaliar oportunidades de otimização. A ideia é transformar essas informações em conhecimento para aperfeiçoar a infraestrutura e ampliar as possibilidades de uso da tecnologia 5G", explica Miguel, que lidera o projeto há cerca de um ano. Atualmente, os testes são realizados no Instituto Tecnológico de Semicondutores (itt Chip). 

Campus será ambiente de testes para novas aplicações  

A expectativa é que o projeto avance significativamente nos próximos três anos. A proposta é transformar o campus de São Leopoldo da Unisinos em um ambiente de experimentação para tecnologias baseadas em redes 5G, utilizando antenas, novos setups, veículos autônomos, drones e outros dispositivos conectados. Com isso, será possível validar diferentes aplicações em um cenário real, além de avaliar continuamente o desempenho da infraestrutura. 

"Nosso objetivo é consolidar uma plataforma de pesquisa que permita testar novas aplicações do 5G em diferentes contextos. O campus oferece um ambiente ideal para integrar equipamentos, validar soluções e impulsionar o desenvolvimento de tecnologias que poderão ser utilizadas em diversas áreas", observa Miguel.

 

(Imagem: Bernardo de Almeida)

Itt Nutrifor e Faba desenvolvem processo para ampliar uso da proteína de grão-de-bico na indústria de alimentos

Tecnologia desenvolvida por instituto da Unisinos em parceria com startup permite um melhor aproveitamento da matéria-prima para uso em diferentes produtos

Por Bernardo Maria de Almeida - CODE 

O itt Nutrifor (Instituto Tecnológico em Alimentos para a Saúde) e a startup Faba, especializada em tecnologia para o setor de alimentos, incubada no Tecnosinos, ambos localizados no campus de São Leopoldo da Unisinos, entraram com pedido de patente junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) de um processo de obtenção de proteína de grão-de-bico voltado à indústria de alimentos. 

Desenvolvida com financiamento da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a tecnologia busca aumentar o rendimento da extração e aprimorar características que influenciam o desempenho do ingrediente em diferentes produtos. 

Processo amplia alternativas 

O novo processo combina técnicas de extração e separação da proteína com o uso estratégico de ultrassom e secagem por atomização. A proposta permite obter um concentrado proteico com melhor aproveitamento da matéria-prima e características funcionais aprimoradas para aplicação em alimentos. 

Entre essas características estão maior solubilidade, capacidade de retenção de água, formação de espuma e capacidade emulsificante. Essas propriedades são importantes para a textura, a estabilidade e a qualidade de produtos alimentícios, além de ampliarem as possibilidades de uso da proteína de grão-de-bico em formulações como bebidas, alimentos plant-based (formulados exclusivamente a partir de ingredientes de origem vegetal), panificados, suplementos e outros alimentos. 

De acordo com o coordenador do itt Nutrifor, Valmor Ziegler, a iniciativa contribui para ampliar as alternativas disponíveis ao setor alimentício. “A proteína de grão-de-bico atende à crescente demanda do mercado por alimentos com maior teor proteico e ingredientes de origem vegetal, contribuindo para ampliar as possibilidades de formulação de novos produtos”, afirma. 

Para Frederico Boff Hofstätter, CEO da Faba, a trajetória da tecnologia reflete a integração entre demanda empresarial, formação acadêmica e pesquisa aplicada. “A ideia iniciou dentro da Faba, a partir do nosso trabalho com ingredientes de grão-de-bico e da necessidade de criar soluções vegetais com desempenho técnico para a indústria de alimentos”, exemplica. Com o tempo, a pesquisa evoluiu para o mestrado de Frederico em Nutrição e Alimentos na Unisinos e, posteriormente, ganhou escala por meio do projeto aprovado na Finep. “O itt Nutrifor foi indispensável para que o projeto acontecesse, porque trouxe estrutura científica, conhecimento técnico e capacidade de validação para transformar uma demanda da empresa em desenvolvimento tecnológico aplicado”, destaca. 

Parceria impulsiona inovação alimentar

A parceria entre o itt Nutrifor e a Faba reúne pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico para criar ingredientes que possam atender às demandas da indústria de alimentos. Fundada em 2020, a startup trabalha com soluções à base de grão-de-bico e busca desenvolver produtos vegetais com propriedades funcionais que permitam sua aplicação em diferentes tipos de formulações. 

A pesquisa acompanha o crescimento da procura por ingredientes de origem vegetal e por alternativas a produtos de origem animal. Além do perfil nutricional do grão-de-bico, o desenvolvimento de processos mais eficientes pode favorecer o aproveitamento da matéria-prima e a criação de produtos com diferentes características sensoriais e funcionais. 

(Imagem: Bernardo de Almeida)

 

(Imagem: divulgação)

Representantes da Unisinos participam de curso no acelerador de partículas Sirius

Realizada em Campinas (SP), formação reuniu pesquisadores e estudantes de todo o país em uma das principais infraestruturas científicas da América Latina para capacitação em técnicas avançadas de luz síncrotron   

Por Bernardo Maria de Almeida - CODE 

Entre os dias 13 e 24 de julho, a bióloga Jenifer dos Santos Cruz e a geóloga Bruna Poatskievick Pierezan, ambas pesquisadoras do itt Oceaneon, e a aluna da graduação em Geologia Joana Neukamp participaram da 9ª edição da Escola Ricardo Rodrigues de Luz Síncrotron (ER2LS), realizada na cidade de Campinas (SP). A ER2LS é um evento que busca impulsionar a formação e o treinamento em técnicas de luz síncrotron, um tipo de radiação eletromagnética de altíssimo brilho e amplo espectro, gerada quando elétrons são acelerados a velocidades próximas à da luz e desviados por campos magnéticos, permitindo análises de alta precisão em diferentes áreas da pesquisa científica. 

Infraestrutura de referência 

O curso é articulado pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), organização vinculada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O LNLS é responsável pela operação do acelerador de partículas Sirius, a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil e uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo. 

Durante o evento, as representantes da Unisinos participaram de aulas teóricas e práticas ministradas por pesquisadores experientes, além de visitas técnicas que possibilitaram conhecer o Sirius e compreender como seus equipamentos e técnicas podem contribuir para o desenvolvimento de pesquisas em diferentes áreas do conhecimento. 

Unisinos em ambientes de excelência científica 

Além das atividades do curso, Joana teve a oportunidade de apresentar um trabalho de sua autoria na sessão de pôsteres da escola, espaço destinado à divulgação de pesquisas científicas e à troca de conhecimentos com especialistas da área. O projeto, desenvolvido no itt Oceaneon, no campus de São Leopoldo da Unisinos, investiga conchas fósseis da Amazônia com idades entre 12 e 14 milhões de anos, buscando compreender as condições climáticas desse período do tempo geológico. 

“Receber contribuições de pesquisadores de diferentes instituições agrega muito ao projeto. Como futura geóloga, essa experiência ampliou minha visão sobre o potencial do Sirius para as geociências e trouxe novos insights para o desenvolvimento do meu TCC, que também é com material proveniente do Mioceno da Amazônia”, afirma a estudante. 

Para Joana, a participação dela e das pesquisadoras reforça a inserção da Unisinos em ambientes de excelência científica e amplia as oportunidades de formação e desenvolvimento de pesquisas em colaboração com instituições de referência nacional. “Acredito que a nossa presença no evento representa um passo importante para fortalecer a aproximação do itt Oceaneon e da Unisinos com uma das mais modernas infraestruturas científicas da América Latina, criando oportunidades para futuras parcerias e para o desenvolvimento de novas pesquisas”, destaca. 

Imagem: Arquivo Pessoal

Aluna da Unisinos conquista bolsa internacional para um dos maiores congressos de geoquímica do mundo

Estudante de doutorado recebeu a Joseph A. Cushman Award for Student Travel, da Cushman Foundation, para apresentar sua pesquisa na Goldschmidt Conference, em Montreal, no Canadá 

Por Bernardo Maria de Almeida - CODE 

Tamires Zardin, doutoranda em Geologia Sedimentar, do Programa de Pós-Graduação em Geologia da Unisinos, foi contemplada com a bolsa Joseph A. Cushman Award for Student Travel, concedida pela Cushman Foundation. A conquista garantirá a participação da pesquisadora no Goldschmidt Conference 2026, considerado um dos mais importantes eventos internacionais nas áreas de geoquímica e geociências, que será realizado entre os dias 12 e 17 de julho, em Montreal, no Canadá. 

A Cushman Foundation financia a participação de estudantes de graduação e pós-graduação em congressos e cursos internacionais voltados às pesquisas com foraminíferos (um grupo de protistas, unicelulares, que produzem uma conchinha ao longo da vida preservada no fundo do oceano). Além de incentivar a formação de novos pesquisadores, a iniciativa busca ampliar a circulação do conhecimento produzido na área e fortalecer a colaboração entre cientistas. Com a bolsa concedida à Tamires, a Unisinos tornou-se a única universidade brasileira contemplada no edital, que concedeu bolsa a estudantes de instituições de diversos países. 

Trajetória construída entre a sala de aula e a pesquisa

A relação de Tamires com os foraminíferos começou ainda durante a graduação em Biologia, em 2013, quando iniciou sua primeira pesquisa de iniciação científica, sob orientação do professor Gerson Fauth. Desde então, o interesse pelo grupo de micro-organismos responsáveis por produzir pequenas conchas calcárias, amplamente utilizadas em estudos sobre a evolução da Terra, paleoceanografia e mudanças climáticas, definiu os rumos de sua carreira acadêmica. 

Após se formar em 2015, Tamires passou a atuar como professora de Biologia em escolas da rede pública estadual. Apesar da vontade de seguir na pesquisa, as bolsas de pós-graduação disponíveis na época, que exigiam dedicação exclusiva, não eram suficientes para pagar as contas. A oportunidade de retomar esse caminho surgiu no fim de 2019, quando o professor Karlos Kochhann iniciou um projeto sobre foraminíferos no Itt Oceaneon, instituto instalado no campus São Leopoldo da Unisinos, e a convidou para integrar a equipe de pesquisa. 

"Depois de formada, seguia sonhando em fazer mestrado e doutorado. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar no itt Oceaneon, consegui unir o trabalho e os estudos. Fiz o mestrado em 2020 e, hoje, estou na fase final do doutorado, que devo defender em setembro", relata Tamires. O trabalho que será apresentado durante o congresso internacional integra o segundo artigo científico desenvolvido em sua tese de doutorado. 

Receber a notícia da conquista da bolsa representou um importante reconhecimento para Tamires e para a pesquisa desenvolvida na Unisinos. "Foi uma alegria muito grande saber que meu trabalho foi selecionado. Essa é uma oportunidade única para divulgar nosso trabalho, trocar experiências e estabelecer novas parcerias científicas", destaca. 


Reconhecimento internacional para a pesquisa 

Criada em 1950 por paleontólogos e pela família do cientista norte-americano Joseph A. Cushman (1881–1949), considerado a principal referência mundial no estudo dos foraminíferos, a Cushman Foundation tem como missão incentivar pesquisas sobre esses organismos e apoiar a formação de novos pesquisadores. 

Entre as iniciativas da organização, está a Joseph A. Cushman Award for Student Travel, destinada a estudantes de graduação, mestrado e doutorado associados à fundação. Para concorrer, os candidatos precisam apresentar um resumo da pesquisa, indicar o congresso em que desejam participar, enviar uma carta de motivação, uma carta de recomendação do orientador e um planejamento dos custos da viagem.

Participação em um dos maiores congressos da área 

Realizado anualmente, o Goldschmidt Conference está entre os principais congressos internacionais nas áreas de geoquímica, geoquímica ambiental e geociências. O evento reúne pesquisadores, professores e estudantes de diferentes países para a apresentação de pesquisas científicas, palestras e debates sobre os avanços da área. Além da apresentação científica, Tamires terá a oportunidade de ampliar o diálogo com pesquisadores de diferentes países, conhecer novas metodologias e fortalecer futuras colaborações internacionais.

 

Congresso Goldschmidt

Durante o congresso, Tamires apresentará resultados do segundo artigo de sua pesquisa de doutorado, desenvolvida no Itt Oceaneon. O estudo investiga como o oceano Atlântico Sul respondeu às mudanças climáticas ocorridas durante o período Mioceno, entre 4 e 11 milhões de anos atrás. 

Para isso, a pesquisadora analisou microfósseis marinhos preservados em sedimentos do fundo do oceano. A composição química das conchas desses organismos permitiu reconstruir a temperatura das águas ao longo desse período, revelando que o resfriamento do Atlântico Sul ocorreu de forma dinâmica, alternando fases de queda e aumento da temperatura. A pesquisa também aponta que essas mudanças favoreceram o aumento da produtividade marinha, possivelmente influenciadas por fenômenos globais, como alterações na circulação oceânica, atividade vulcânica nos Andes e a redução da concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera. 

 

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