Pesquisadores do itt Oceaneon estão em missão científica na Antártica para estudar o clima de milhões de anos atrás 

Pesquisadores do itt Oceaneon estão em missão científica na Antártica para estudar o clima de milhões de anos atrás 

Três pesquisadores ligados ao itt Oceaneon e à Unisinos estão atualmente em uma das regiões mais remotas e desafiadoras do planeta: a Antártica. Eles participam de uma expedição científica internacional que integra o projeto Paleoclima 2, voltado à investigação da evolução climática do continente antártico entre 100 e 66 milhões de anos atrás — período que remonta à era dos dinossauros.

O grupo é composto pelo Prof. Dr. Rodrigo Scalise Horodyski, tafônomo e pesquisador do CNPq; pelo Dr. Guilherme Krahl, geólogo e doutor em Geologia; e pela Dra. Lilian Maia Leandro, também geóloga e doutora na área. A equipe está realizando coletas de rochas e sedimentos com o objetivo de identificar fósseis e microfósseis que revelem como era o clima e o ambiente marinho da Antártica durante esse intervalo geológico.

“A Antártica já foi um continente quente, com grandes árvores. Encontrar registros fossilíferos desse período nos ajuda a entender como o clima evoluiu ao longo do tempo”, destaca o coordenador do itt Oceaneon, Gerson Fauth.

Logística e desafios da expedição

A jornada da equipe começou em 2 de janeiro de 2026, partindo do porto de Punta Arenas, no Chile. Após atravessarem os fiordes da Patagônia e enfrentarem o turbulento Estreito de Drake a bordo do navio polar Ari Rongel da Marinha Brasileira, os pesquisadores chegaram à Estação Antártica Comandante Ferraz.

Por conta do congelamento do Mar de Weddell, o local inicial da pesquisa teve que ser alterado. A nova base das atividades é a Ilha Livingston, na Península Antártica, onde os pesquisadores estão hospedados na estação espanhola Juan Carlos I, cedida pela Espanha.

O que vem depois

As coletas de campo seguirão até o final de janeiro, e as amostras devem retornar ao Brasil em abril de 2026, onde serão encaminhadas para análise geoquímica e paleontológica na Unisinos e em outras universidades parceiras. Os estudos devem se estender pelos próximos três anos.

Além da Unisinos, participam da iniciativa a UFRGS, a Universidade Federal de São Paulo, o Instituto Antártico Chileno, o CONICET e a Universidade de Buenos Aires. O projeto conta ainda com o apoio do CNPq, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Marinha Brasileira.

Paleontologia sem fronteiras: Chile e Brasil fortalecem rede científica para decifrar a história fóssil da Antártica e da Patagônia

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Punta Arenas, 17 de novembro de 2025 – Com o objetivo de fortalecer a colaboração científica no campo da paleontologia, no final de outubro foi realizado o workshop “Compreendendo as marcas do passado no registro fóssil da Antártica e da Patagônia”.

Essa iniciativa reuniu, em Punta Arenas, especialistas do Chile e do Brasil para compartilhar os avanços do Projeto de Fomento à Vinculação Internacional FOVI240023, “Fortalecimento da Rede Paleontológica Chile-Brasil”, desenvolvido pelo Instituto Antártico Chileno (INACH), financiado pela Agência Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (ANID). O projeto busca obter novos dados sobre o evento de extinção em massa dos dinossauros e compreender seu impacto na Patagônia e na Antártica, regiões que estiveram conectadas em diferentes momentos da história natural.

O encontro, organizado pelo INACH, contou com a participação do Instituto Tecnológico de Paleoceanografia e Mudanças Climáticas (Itt Oceaneon) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), da Universidade do Chile, da Universidade Austral do Chile e da Corporação para a Pesquisa e Avanço da Paleontologia e História Natural de Atacama (CIAHN Atacama).

O projeto promove o intercâmbio científico, a implementação de novas metodologias e a formação de jovens pesquisadores(as), fortalecendo o estudo do registro fóssil do continente aos oceanos e consolidando redes de colaboração internacional que buscam compreender os processos que moldaram a história geológica e paleontológica do extremo sul do mundo.

A Dra. Cristine Trevisan, especialista em paleobotânica, pesquisadora do INACH e organizadora do evento, destacou a colaboração existente entre os dois países: “É sempre fundamental fortalecer a cooperação, porque muitas vezes temos o material, mas nem sempre as ferramentas ou equipamentos necessários para avançar em certas análises. Este foi um evento de alto nível, com expositores de grande trajetória e compromisso. O que mais destaco é seu caráter multidisciplinar: embora tenha se centrado na paleontologia, abrangeu desde a micro até a macropaleontologia, integrando também o estudo de estruturas vegetais e outras linhas menos comuns”.

Ela acrescentou que, durante a última semana de outubro, foram realizadas diversas atividades complementares, incluindo visitas à Universidade de Magallanes e ao Instituto da Patagônia, além do Museu de História Natural de Río Seco, onde foram conhecidas valiosas coleções de microfósseis.

Também destacou o trabalho conjunto com a Dra. Judith Pardo, que coordena outro projeto FOVI, intitulado “Fortalecimento da pesquisa paleontológica vinculada na Universidade de Magallanes por meio da criação de redes”. Nesse sentido, Trevisan afirma que “só este ano, entre nós duas, recebemos entre 18 e 20 pesquisadores, o que reflete uma ciência aberta, colaborativa e em permanente intercâmbio”.

Do Brasil, o Dr. Gerson Fauth, coordenador do ITT Oceaneon da Unisinos, ressaltou o longo histórico de colaboração entre as instituições: “A primeira expedição brasileira à Antártica contou com o apoio do INACH, e os pesquisadores participantes eram da Unisinos. Nos últimos anos, desenvolvemos uma colaboração estreita com a equipe do INACH, impulsionando um esforço conjunto em micropaleontologia e sedimentologia. Participar deste workshop foi uma experiência fantástica, porque a cooperação é essencial na ciência: somando esforços, alcançamos mais”.

Por sua vez, a Dra. Valentina Flores, docente do Departamento de Geologia da Universidade do Chile, valorizou o intercâmbio interdisciplinar proporcionado pelo encontro: “Embora eu trabalhe com registros mais recentes, encontramos pontos de encontro com quem estuda escalas muito mais antigas. Isso nos permite gerar ideias e avançar em pesquisas conjuntas. A ciência tem justamente esse valor: a cooperação entre pesquisadores que abordam diferentes objetos de estudo, mas que, ao se complementarem, alcançam resultados mais integrados”.

Além disso, a Dra. Joseline Manfroi, pesquisadora do CIAHN Atacama, destacou a importância de observar o registro fóssil a partir de uma perspectiva conjunta entre os dois países: “É uma grande oportunidade integrar a experiência de especialistas de diferentes áreas da paleontologia e construir uma visão mais completa do passado da Terra. Essa conexão entre a Antártica e a Patagônia é chave para compreender a história geológica do sul do Chile, e para mim é incrível poder contribuir nisso junto aos meus colegas”.

O projeto planeja continuar com novas etapas de cooperação entre as instituições participantes, incluindo a formação de estudantes de graduação e pós-graduação, a colaboração em artigos científicos de alto impacto e a divulgação do conhecimento científico ao público geral, com ênfase na história natural da região austral e sua conexão com a Antártica.

A atividade foi transmitida ao vivo pelo canal do YouTube Comunicaciones INACH, permitindo aproximar da comunidade científica e do público geral os avanços no estudo do registro fóssil do extremo sul do planeta.

O INACH é um organismo técnico do Ministério das Relações Exteriores, com plena autonomia em tudo relacionado a assuntos antárticos de caráter científico, tecnológico e de difusão. O INACH cumpre a Política Antártica Nacional incentivando o desenvolvimento de pesquisa de excelência, participando ativamente do Sistema do Tratado Antártico e de fóruns relacionados, fortalecendo Magallanes como porta de entrada ao Continente Branco e promovendo ações de divulgação do conhecimento antártico à sociedade. O INACH organiza o Programa Nacional de Ciência Antártica (PROCIEN).

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