A revolução das coisas

Nossa realidade está prestes a mudar radicalmente e essa mudança, que vem rápido, tem uma protagonista: a Internet das Coisas

RODRIGO W. BLUM

Depois de uma caminhada no parque, você chega em casa e resolve colocar suas roupas para lavar no modo “água quente” da máquina. Acidentalmente, põe junto uma peça delicada. Aperta o botão para começar a lavagem e... a lavadora não liga. Instantaneamente, ela exibe uma notificação de que há uma peça de roupa que não pode ser limpa naquele modo. Acidente evitado.

Esse é um dos exemplos que o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada da Unisinos, Rodrigo Righi, usa para explicar as mudanças que a Internet das Coisas vai trazer para nossas vidas. “É uma coisa (a máquina de lavar) conversando com outra coisa (o chip dentro da minha roupa)”, explica o pesquisador.

“O modelo de internet padrão, que nasceu no início dos anos 90, contava com um usuário interagindo com uma máquina, e só. A Internet das Coisas vem, de maneira disruptiva, fazer com que, além da interação entre seres humanos e computadores, haja interação entre objetos”, diz Rodrigo. “O mais bacana é que poderemos configurar ecossistemas de notificações que vão facilitar nossa vida”, comenta.

Essa tecnologia promete mudar completamente a realidade que vivemos. Segundo Rodrigo, essa mudança será tão grande, que alguns pesquisadores já afirmam que haverá uma distinção entre a vida antes e a vida depois da Internet das Coisas.

“A Internet das Coisas vem, de maneira disruptiva, fazer com que, além da interação entre seres humanos e computadores, haja interação entre objetos.”

Rodrigo Righi, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada da Unisinos

A saúde revolucionada

De acordo com o pesquisador, a área da saúde é a que mais será beneficiada pela revolução. “Dentro dos hospitais, ainda hoje, existem diversos processos que são manuais, por exemplo, os prontuários em papel. A ideia é que agora se tenha sensores que ficarão junto ao médico e ao paciente, e que se comunicarão para fazer alertas e, até mesmo, previsões com base nos dados”, prevê Rodrigo.

Para ele, a questão toda está na mudança da lógica reativa para a proativa, que será possível com base na coleta de dados e na troca de informações entre sensores e sistemas. “Por exemplo, o médico não quer ser alertado quando o paciente já estiver tendo um infarto, porque então ele será reativo. No futuro, teremos sensores colhendo dados de maneira a fazer uma previsão. Então, com base em informações coletadas do paciente, é possível afirmar com uma precisão de até 90% que o paciente terá um infarto daqui a uma semana. Então o tratamento será proativo”, explica o pesquisador.

A previsão de diagnósticos na área da saúde com a Internet das Coisas é um dos setores nos quais o Programa de Pós-Graduação (PPG) em Computação Aplicada da Unisinos tem investido esforços por meio de um grupo de pesquisa. “O Núcleo de Excelência em Pesquisa chamado SoftwareLab tem expertise na área de predição de dados com métodos de Machine Learning e Inteligência Artificial. Isso pode ser aplicado a várias áreas, como comercial, agrícola, computação de alto desempenho e saúde”, aponta Rodrigo. Um dos projetos do PPG é fruto de uma parceria com a empresa Siemens, que abrange a otimização de processos em salas cirúrgicas híbridas.

Segurança nas estradas

Se a tecnologia dos carros autônomos ainda não está completamente pronta para fazer parte das estradas, o uso de sistemas de assistência de condução, que já é amplamente utilizado, ruma para um futuro promissor baseado na Internet das Coisas.

“Os nossos carros, hoje, já são computadores ambulantes cheios de sensores que permitem notificações diversas para auxiliar os motoristas. Além disso, existe hoje uma tecnologia chamada V2V — em inglês, uma sigla para vehicle to vehicle —, que é a troca de informações entre veículos. E isso está vindo cada vez mais forte, pois possibilita a criação de uma rede espontânea entre veículos que, por sua vez, é capaz de gerar dados sobre o trânsito e notificações para o carro e o motorista”, conta Rodrigo. E essa é só uma das possibilidades que a tecnologia oferece para o setor automotivo.

[Internet das Coisas Crédito: Getty Images

Coisas conversam entre si, marcas ainda não

A tecnologia V2V já é uma realidade, porém, apenas entre veículos de uma mesma marca. Aliás, um dos fatores que barram a aplicação da Internet das Coisas na nossa vida é, justamente, a diferença entre linguagens de softwares usados entre as marcas. “Uma questão importante para essa tecnologia realmente ser aplicada é a interface, ou seja, como eu acesso determinados dados. Isso ainda não é padrão na Internet das Coisas.  A minha leitura é de que, em algum momento, seja necessária uma padronização para que a Internet das Coisas possa despontar cada vez mais”, destaca Rodrigo.

A diversidade de empresas trabalhando na área e a concorrência entre elas é o que, atualmente, dificulta o desenvolvimento da tecnologia, de acordo com o pesquisador. A tendência, entretanto, é de que a própria indústria entre em comum acordo para que haja a popularização da Internet das Coisas.

Uma oportunidade para aprender mais

Internet das Coisas vai ser um dos assuntos abordados no 7º Fórum Brasil Coreia da Unisinos. O evento, que reúne pesquisadores da área de tecnologia e inovação, ocorrerá nos dias 22, 23 e 24 de agosto nos campi São Leopoldo e Porto Alegre da Universidade, com o tema “Tecnologias disruptivas para o futuro”.

Entre outras temáticas abrangidas pelo fórum, estarão: cidades inteligentes; a nova internet e as comunicações 5G; oportunidades na Coreia do Sul e tecnologias de sensor para produção inteligente.

Rodrigo Righi, que é, também, organizador do Fórum Brasil Coreia, comenta que essa edição trará mais atrativos para estudantes. “Teremos palestras sobre como os jovens podem ir para o exterior, montar empresas em outros países. Vamos receber pesquisadores da Austrália, Alemanha, Coreia do Sul, Estados Unidos, que abordarão os atrativos de cada país, bolsas, vantagens e desvantagens de empreender fora do Brasil”, antecipa.

Saiba mais sobre a programação do evento na página do 7° Fórum Brasil Coreia e fique atento à abertura das inscrições.