Maratona Mude premia designers com criações mais inovadoras

Para o designer brasileiro Lino Villaventura, falta originalidade no setor calçadista

BETINA ALBÉ VEPPO
29 de Setembro de 2014 - 14:18 | Atualizado: 14 de Junho de 2016 - 20:59

Design. Inovação. Criatividade...e a corrida contra o tempo. Nesta sexta-feira, 26 de setembro, a Abicalçados promoveu a Maratona Mude, uma batalha de criação e conteúdo cujo intuito foi enfatizar a importância do desenvolvimento do design para aumentar a competitividade dos calçados brasileiros no cenário internacional. As quatro equipes participantes tiveram 24 horas para criar três modelos de sapatos inovadores e com a cara do Brasil. Os grupos contaram com a mentoria do consagrado designer brasileiro Lino Villaventura durante a competição.

[Maratona ocorreu no Barra Shopping

Para Villaventura, temos que partir da qualidade e originalidade para competirmos em nível internacional. Ele ressalta que ainda temos uma cultura colonizada, que nos faz pensar que tudo o que vem do estrangeiro é melhor em relação ao que temos aqui. “Você ganha consumidores, admiração do mercado e interesse no produto a partir da qualidade e originalidade. Qualidade nós temos, o que nos falta é originalidade”. O designer ainda coloca que o evento é uma boa oportunidade dos profissionais demonstrarem criatividade e inovação no segmento. “A moda brasileira está caminhando para ter uma identidade própria, com o calçado não seria diferente”, complementou.

Pensando no resultado do produto, o designer fez questão de que um dos critérios de avaliação fosse o uso dos sapatos. Ele enfatiza que a principal característica de um calçado seja a qualidade e o conforto. “Nós queremos mostrar o trabalho de profissionais competentes”, observou. Um dos critérios de seleção dos candidatos é que estes fossem descompromissados com qualquer empresa calçadista. Segundo Villaventura, o objetivo não era divulgar marcas, mas ideias.

O consultor de Design Estratégico da Abicalçados, Dario Henke, explica que a ideia da competição é justamente focar no processo de produção calçadista. “O mote é trabalhar o design não só observando resultados, mas focalizar o processo, de onde vêm as ideias, porque, na moda, existe muita cópia e poucos são vanguardistas. Nós ficamos na expectativa pelo o que vão lançar, para observar e partir para as criações”. Dario salientou que os designers brasileiros são ricos em criatividade e referências culturais, o que falta é uma identidade forte.

O evento ocorreu no Barra Shopping Sul e os participantes permaneceram expostos aos que passavam. A largada para o processo de criação foi às 10h da sexta-feira e o final foi só às 10h de sábado. Júlia Biason, da equipe verde, é formada em Design de Produto. Segundo ela, o evento é uma porta de abertura para a criatividade. Ela comentou que os grupos sabiam sobre o mote da batalha, mas não tinham conhecimento dos materiais que poderiam ser usados e a maioria das ideias surgiram na hora mesmo. “Com o alto número de cópias que ocorrem no setor da moda, um evento desse porte nos leva a refletir sobre a necessidade de resgatar a inovação”, afirmou.

[Cícero participou do processo criativo

O estudante de Artes Visuais Cícero Ibeiro, da equipe amarela, disse se interessar muito pelo ramo calçadista. Ele revelou que o processo de criação dos calçados foi interessante, principalmente pelo fato de se depararem com a falta de materiais e mesmo com aqueles com os quais não estavam acostumados a lidar. “Estamos em contato com os meios mais difíceis para mostrarmos o quanto a gente sabe”, comentou. O estudante ainda salientou a falta originalidade nos calçados brasileiros. “Não precisamos sair do samba e entrar para os calçados, mas sejamos o país do samba, do calçado, da culinária...”, concluiu.

A equipe de Cícero se inspirou em Santos Dumont e seu 14-bis na criação dos calçados. Eles foram produzidos com madeira, couro e cadarço e se destacaram para os jurados pela forma artesanal de produção. Toda metodologia estratégica utilizada na produção e criação pela equipe amarela deu certo. Cícero e seus companheiros foram vencedores da Maratona Mude. A premiação foi de R$ 15 mil e uma bolsa integral para curso de Design do Istituto Europeo di Design (IED).

[Matsuo entregou o cheque que simboliza o curso

Segunda jornada

No sábado, após a batalha criativa, a Maratona Mude contou com palestras e workshops de profissionais consagrados na área. No encontro com Edson Matsuo, designer da Melissa, a Unisinos sorteou um curso de extensão: Arquétipos, comportamento e consumo: psicologia, marketing, design e comunicação estratégica de marcas, sugerido pelo próprio designer. A contemplada foi Charline Pedroso Castro.

Confira mais imagens do primeiro dia da Maratona