Profissionais de cinco Unidades Básicas de Saúde (UBS) de São Leopoldo já participaram de uma atividade que transforma o combate à desinformação em saúde em uma experiência de aprendizado coletivo. Desenvolvido pelo grupo de trabalho de combate à desinformação do PET Saúde – Informação e Saúde Digital, iniciativa da Unisinos em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Leopoldo, o jogo de cartas Caça a Fake News em Saúde promove discussões entre profissionais da atenção básica a partir de notícias relacionadas à saúde.
A dinâmica é realizada durante reuniões das equipes nas UBS. Os participantes são divididos em pequenos grupos, que recebem cartas com diferentes notícias e precisam discutir se as informações são verdadeiras ou falsas e, principalmente, identificar os indícios que ajudam a chegar a essa conclusão. As monitoras do projeto acompanham os grupos e, ao final, os participantes compartilham suas percepções e avaliam a atividade por meio de um formulário.
Para a professora da Escola Politécnica, Luisa Strauss, um dos principais resultados da experiência tem sido perceber como a desinformação está presente no cotidiano dos serviços de saúde. “Geralmente é constatado quanto notícias falsas interferem no cotidiano de trabalho em saúde e, consequentemente, no processo saúde-doença da população usuária do SUS”, afirma.
Entre os temas que mais chamaram a atenção durante as atividades está a vacinação. Também ganharam destaque os mitos relacionados à amamentação, alguns deles ainda presentes no imaginário de profissionais e que podem repercutir no atendimento aos pacientes. Segundo Luisa, os relatos das equipes evidenciaram o impacto direto da desinformação nos atendimentos e a necessidade de fortalecer o acesso a fontes confiáveis e a informações baseadas em evidências científicas.
A receptividade das equipes também surpreendeu o grupo responsável pelo projeto. Além do interesse em participar da dinâmica, os profissionais relataram situações em que informações consideradas verdadeiras se mostraram falsas durante a discussão, e vice-versa. “Alguns profissionais relataram o quanto o jogo mudou a percepção dos mesmos sobre a identificação de notícias falsas ou desinformação”, conta a professora.

A proposta do jogo surgiu a partir do trabalho desenvolvido pelo GT5, grupo dedicado ao combate à desinformação dentro do PET Saúde. Desde o início das atividades, em agosto de 2025, o grupo estudou diferentes estratégias para enfrentar o problema. A primeira ação foi a produção de conteúdos no formato “Fato ou Fake”, voltados principalmente ao cuidado gestacional e ao puerpério. A experiência mostrou, porém, que algumas informações geravam dúvidas até mesmo entre estudantes e profissionais de saúde.
Foi a partir dessa constatação que o grupo buscou uma abordagem diferente, baseada na gamificação. O objetivo era estimular não apenas a identificação de uma informação como verdadeira ou falsa, mas também a discussão sobre os sinais que podem indicar uma notícia enganosa, como o tom alarmista e sensacionalista, e os elementos que ajudam a reconhecer uma fonte confiável. “A ideia foi trabalhar o tema a partir de um jogo, objetivando um maior engajamento por meio do formato lúdico e permitindo a discussão entre os participantes, para além da mera identificação de uma notícia ser falsa ou verdadeira”, explica Luisa.
Antes de chegar às UBS, o jogo passou por uma rodada piloto com os demais grupos do PET Saúde, que teve avaliação positiva. A aplicação presencial nas unidades foi escolhida justamente para favorecer a interação entre os profissionais e possibilitar uma escuta mais próxima sobre a experiência.
Além de contribuir para a formação das equipes, a iniciativa busca fortalecer a capacidade dos serviços de saúde de enfrentar informações falsas que circulam nos territórios. “É importante para coibir a disseminação de fake news que acabam se propagando nos territórios e comprometendo a saúde materna, saúde da mulher e saúde na primeira infância”, destaca Luisa.
O jogo Caça a Fake News em Saúde está disponível gratuitamente para profissionais de saúde no portal EduCapes. A aplicação nas UBS de São Leopoldo terá continuidade ao longo do projeto.