Um olhar atento para a comunidade  

Estudantes que atuam no PAAS apoiam em diagnósticos psicológicos aos usuários do projeto 

RENATA CARDOSO 

Colocar os conhecimentos acadêmicos a serviço da comunidade, especialmente se for a sua comunidade, é uma experiência transformadora. Eduarda Oliveira, que se formará em Psicologia, é um bom exemplo disso. Com um sorriso fácil e olhos muito vivos, a estudante espalha bom humor e pró-atividade pelos corredores do Projeto de Atenção Ampliada à Saúde (PAAS). Há quatro semestres, ela é monitora da disciplina de Processos de Avaliação Psicológica III (PAP III), auxiliando os colegas no atendimento e avaliação dos pacientes que chegam até o local.

O PAAS é um projeto social que tem o objetivo de promover práticas integrais em saúde para a população vulnerável e de risco social de São Leopoldo, contemplando uma série de ações para apoiar no processo de desenvolvimento humano e social. Entre as atividades realizadas no local, está a disciplina PAP III, obrigatória no curso de Psicologia.

[Novo Café Crédito: Cesar Lopes

Para fazer os atendimentos, os estudantes contam com todo o apoio de Eduarda, que ajuda a tranquilizar e a orientar os colegas. “O nosso curso trabalha muito a questão da sensibilidade, da humanização, de como conseguir tocar o outro, como ouvir o outro sem julgamento. Nossa atuação vai muito além do que só ouvir, mas também tentar ajudar a partir do que ouvimos. Eu sou moradora de São Leopoldo, isso me ajuda muito, pois conheço a comunidade, as pessoas que procuram o projeto”, conta Eduarda.

Para a professora Vivian Lago, responsável pela disciplina, um dos aspectos importantes da atividade é a relação com o público. “Eu acredito ser uma experiência, não somente profissional, mas pessoal riquíssima, porque muitos se deparam com situações familiares e sociais que eles não teriam contato de outra forma. É importante que eles tenham essa prática e que se deem conta de que nem tudo da teoria é aplicável ao público. Quais são as alternativas? Não quer dizer que vamos desistir, mas vamos pensar em outros caminhos. Esse exercício é superimportante”, relata.

Para Eduarda, estar dentro do PAAS traz um crescimento pessoal muito grande. “Foi aqui que eu aprendi uma série de questões em relação aos outros, o que mudou completamente a minha atuação como psicóloga e como pessoa”, comenta. “É difícil tentar mensurar tudo o que aprendi aqui. O crescimento profissional em relação aos testes e também à sensibilidade no geral. Essa experiência me fez uma profissional muito diferente de quando eu entrei no curso. Minha perspectiva sobre psicologia mudou totalmente”, finaliza.

Sobre a atividade acadêmica 

Se uma criança está com dificuldade de aprendizagem, por exemplo, ela é encaminhada para a Avaliação Psicológica. Em São Leopoldo, esse serviço é oferecido gratuitamente no PAAS, e é realizado pelos estudantes de PAP III com orientação da professora da disciplina.  

Com essa avaliação é possível perceber se a criança tem algum tipo de diagnóstico que indique a necessidade de um acompanhamento diferenciado ou de fazer uso da sala de recursos da escola, por exemplo. Após realizar as entrevistas com os responsáveis (no caso de menores de idade) e os testes e entrevistas com os atendidos, a turma fica cerca de três semanas trabalhando em sala de aula para fazer o entendimento do caso. Nesse momento, os estudantes discutem os resultados, redigem o laudo (quando há necessidade) e no final do semestre fazem a entrevista devolutiva, para comunicar os resultados do processo de avaliação. Em 2018, 120 alunos estiveram envolvidos no projeto.