Um espaço para a cidadania

O Programa Esporte Integral atua na formação de todos os seus participantes, sejam alunos da graduação ou crianças da comunidade

RENATA CARDOSO

O Programa Esporte Integral (PEI) tem mais de 30 anos de existência e já impactou gerações de graduandos da Unisinos. Augusto Dotto, coordenador do projeto desde 2010, foi um deles. “Eu fui estagiário do PEI e fiz meu trabalho de conclusão sobre o projeto. É uma oportunidade de conhecer outra forma de trabalhar com o esporte. Foi fundamental para mim, pois me abriu outro universo e hoje é minha grande área de atuação”, conta.

O PEI se constitui como um lugar de formação cidadã construindo um espaço para isso onde os educandos têm voz e se sentem à vontade para participar da tomada de decisões. “Para os estudantes de graduação é uma experiência que agrega, pois utilizamos o esporte como ferramenta para chegar a outros objetivos, estando mais próximos das comunidades, entendendo suas diferenças”, afirma Dotto. Atualmente o projeto atua em três núcleos dentro do município de São Leopoldo com públicos completamente diferentes. O mesmo acontece com as faixas etárias.

[PEI Crédito: Brayan Martins

Para Bruna Ferreira, o futsal sempre foi o esporte favorito, e isso a levou à graduação em Educação Física. “Entrei no curso e fui apresentada ao PEI, onde fiz meu primeiro estágio. Eu nunca tinha trabalhado em um projeto social. Com o passar do tempo, eu fui me apropriando da metodologia do Futebol Callejero e do Hóquei. Organizei um campeonato de Futebol Callejero e foi bem bacana o resultado, foi possível ver muita autonomia dos educandos”, relata Bruna, que se apaixonou pela metodologia e fez seu trabalho de conclusão (tal como Dotto) sobre o tema, destacando outro aspecto do projeto: ser um espaço de produção de conhecimento científico.

Para Bruna, o modo de ver o mundo mudou depois do PEI. “Eu passei a entender as coisas de forma diferente. Também levo muito do modo como tratamos os educandos no projeto, com diálogo, proporcionando autonomia para que as trocas sejam positivas para todos os participantes. Tanto que comecei a fazer licenciatura, para levar essa forma de diálogo à diante”, frisa.

Amanda dos Santos, também passou pelo projeto e foi transformada por ele. “Trabalhar no PEI me fez mudar, não só nas questões técnicas, mas como ser humano. Me fez perceber os estudantes de outro modo, entender como o esporte pode ser uma ferramenta para melhorar o cotidiano dos alunos”, conta. Para ela, o estágio foi mais que uma prática, ajudou a rever conceitos e paradigmas. “Eu comecei a refletir sobre a questão da mulher no esporte. Pensei no empoderamento feminino através do Futebol Callejero e comecei a ver como essa metodologia poderia ajudar a mulher a se empoderar em outros espaços, como na escola e em casa”, lembra a estudante, que também usou a metodologia em seu trabalho de conclusão e, atualmente, faz o bacharelado juntamente com a licenciatura em Educação Física.

Futebol Callejero

O futebol Callejero é uma metodologia baseada em valores e escolhas. O principal objetivo não é a vitória, mas sim a experiência e o cumprimento de acordos estabelecidos. As regras são combinadas, após conversa e explicação dos diferentes aspectos. O professor e os jovens envolvidos não atuam como juízes, mas como mediadores.

É uma metodologia dividida em três tempos. Primeiro é feita uma roda de conversa na qual são definidas algumas questões iniciais. O segundo tempo é o jogo em si. O terceiro momento é uma avaliação, em que todos sentam juntos para conversar se as regras foram cumpridas. O PEI é membro fundador do Movimento de Futebol Callejero, fundado em 2013, que reúne diversas organizações sociais da América do Sul.