Realidade Virtual prepara graduandos para o real

Alunos já realizam testes com ferramenta que permite evolução no ensino de cirurgia de videolaparoscopia

MARCELO GRISA

O curso de Medicina da Unisinos está entre os pioneiros no Estado no uso de ferramentas de Realidade Virtual para a capacitação em cirurgias. Já está em teste na Universidade o LapSim, da empresa Surgical Science. Utilizado na disciplina de Clínica Cirúrgica e Técnica Operatória, o simulador cria um ambiente para que os graduandos possam ter experiências de alta fidelidade com o equipamento de videolaparoscopia.

Crédito: Divulgação

Para o professor Luciano Silveira Eifler, uma das vantagens do equipamento é a sua portabilidade. Sendo assim, não é necessário o uso de um laboratório específico para a sua instalação e uso. “O modelo Essence, que é o que nós utilizamos, pode ser conectado em qualquer monitor ou projetor, como os que temos em sala de aula”, argumenta.

A principal motivação do uso do aparelho para o ensino de cirurgias laparoscópicas são as mudanças no ensino médico. Não são mais utilizadas cobaias animais nos estudos cirúrgicos por uma questão ética. Verifica-se também que os procedimentos por vídeo, como a videolaparoscopia, apesar de menos invasivos, podem causar mais complicações.

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Sendo assim, a necessidade de treinamento é ainda maior com as técnicas do século XXI. Os equipamentos de simulação de cirurgia são uma tendência no ensino médico. Em outros tempos, os médicos faziam cirurgias abertas e interagiam diretamente com os corpos e órgãos de pacientes. Procedimentos por vídeo manipulam os instrumentos de uma distância maior. O profissional precisa controlar não apenas os movimentos do ferramental, mas também uma câmera, e tudo a partir de uma interface externa.

Segundo o professor Eifler, é muito importante que os alunos tenham um ambiente onde possam errar e repetir quantas vezes for necessário para aprender. “A gente inclusive torna esse treinamento gamificado. É como um videogame. Eles [os graduandos] adoram. Avançam de procedimentos simples até os mais complexos, se desafiam uns aos outros”, explica.

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O docente ainda faz a comparação com outras profissões. “É como um simulador de voo. Este equipamento treina não somente alunos de Medicina, mas também cirurgiões, acadêmicos, residentes da cirurgia e cirurgiões sêniors. Isso porque o LapSim tem também procedimentos avançados na sua programação, para além do que usamos na Graduação”, aponta.

A ideia é que, depois dos atuais testes, a Universidade adquira o LapSim de forma definitiva. Isso deve ocorrer nos próximos semestres, beneficiando não somente alunos do Bacharelado em Medicina, mas também os residentes em cirurgia. O programa de residência é recente, uma parceria da Unisinos com a Santa Casa de Misericórdia. Os profissionais vão atuar no Hospital Dom João Becker, de Gravataí. O uso do LapSim deve complementar o treinamento dos residentes, que já contam com laboratórios de Habilidades Práticas e de Simulação avançada.