Professora da Unisinos participa de elaboração de cartilha para facilitar comunicação com migrantes internacionais nos serviços de saúde

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A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), lançaram nesta quinta-feira, 28/1, a Cartilha para Acolhimento de Migrantes em Unidades de Saúde. O documento reúne frases básicas e específicas usadas nos serviços de saúde, traduzidas para os idiomas crioulo haitiano, espanhol, francês e wolof. O objetivo é facilitar a comunicação e o acolhimento de pacientes que não falam português, em especial para os migrantes haitianos, senegaleses e venezuelanos que vivem no território gaúcho.

Crédito: Divulgação

Entre as frases traduzidas pela cartilha, estão questões básicas do acolhimento em postos de saúde e agrega as mais variadas reclamações que podem levar alguém a buscar assistência, tais como dores de cabeça, dores abdominais, vômitos, síndromes gripais e outros. A versão impressa será distribuída para todas as regiões do Rio Grande do Sul.

De acordo com coordenadora do projeto da SES/RS de inserção e acompanhamento de imigrantes e refugiados nos serviços de Atenção Primária em Saúde, Rarianne Peruhype, “a publicação de materiais educativos dessa natureza constitui passo importante na busca de qualificação do acolhimento, interação entre profissionais e usuários e do acompanhamento dos migrantes internacionais nos serviços de saúde nos contextos desafiadores multilíngues que vivenciamos”.

Uma das responsáveis pela elaboração da cartilha, professora da Escola de Saúde da Unisinos, Vania Dezoti Micheletti ressalta que “este trabalho esboça questões cotidianas de acolhimento e atendimento de usuários nos serviços de saúde. A possibilidade de traduzi-la para outros idiomas a torna uma ferramenta importante no processo comunicativo e inclusivo dos usuários migrantes internacionais”. Uma primeira versão da cartilha havia sido distribuída no município de Venâncio Aires, com tradução apenas para o francês.

A nova edição da cartilha também é fruto do acordo de cooperação para qualificar o acesso ao sistema de saúde e a prestação de serviços para os usuários migrantes que vivem no estado assinado entre a OIM e a SES/RS em 2020.

“O Brasil é um país de destaque, pois garante acesso universal ao Sistema Único de Saúde, incluindo para os migrantes. Porém, barreiras linguísticas podem impedir os migrantes de acessarem de fato seu direito à saúde. Essa cartilha, realizada por meio de parceiras com o governo estadual, sociedade civil, universidades e os próprios migrantes, é uma iniciativa que vem no sentido de minimizar essa barreira”, ressalta a coordenadora de projetos da OIM, Isadora Steffens.

Conforme os dados do Serviço Único de Saúde (SUS), o número de imigrantes no RS chega a 50.156 pessoas, espalhadas por 464 municípios do Estado. São pessoas vindas de países como Haiti, Uruguai, Argentina, Senegal e Venezuela, com idade, majoritariamente, entre 18 e 39 anos.

Essa cartilha foi desenvolvida pela Escola de Saúde Pública (ESP/RS) em parceria com o Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde (Dapps), da SES, a OIM, com apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos e a Unisinos. Também integram a Universidade de Caxias do Sul (UCS), a Faculdade São Francisco de Assis e o Centro de Atendimento ao Migrante (CAM), mantido pela Associação Educadora São Carlos.

Confira a versão online da Cartilha aqui.