Professor da Unisinos atua em pesquisa com o governo do RS

Estudo busca entender os impactos da pandemia no estado

MATHEUS N. VARGAS

O professor do PPG em Economia, Guilherme Stein, está participando do Grupo de Trabalho (GT) de Atividades Econômicas do Rio Grande do Sul. O Grupo é responsável por acompanhar indicadores da economia do estado diante do atual momento enfrentado. Além de disso, ele também tem o objetivo de fazer estimativas sobre o impacto do Covid-19 em variáveis de renda e emprego.

Crédito: Getty

Guilherme Stein comenta que o GT é de fundamental importância para manter o governo informado sobre os efeitos que a pandemia e as políticas de distanciamento social estão tendo na economia gaúcha. “Sem essas informações, fica mais difícil saber quais políticas públicas são as mais adequadas para serem adotadas. O distanciamento social é algo com o qual temos pouca experiência e, portanto, não sabemos o efeito dele sobre o PIB, nem como esses efeitos se distribuem entre os diversos setores da economia. A mesma lógica vale para os efeitos sobre o mercado de trabalho. Precisamos saber qual foi o impacto no número de desempregados e no setor informal da economia, que está sendo provavelmente o mais afetado”, explica o professor.

O grupo de pesquisadores buscou mostrar a situação do mercado de trabalho gaúcho antes do novo coronavírus e das políticas de distanciamento social. Foi realizado um levantamento sobre qual é o tamanho da população em situação de maior risco (informais, autônomos e etc), bem como o das empresas que tendem a estar em posição mais frágil, como micro e pequenas empresas, as quais, muitas vezes, não possuem saúde financeira para manterem suas atividades paradas durante longos períodos.

Os resultados já divulgados mostram que antes da pandemia, a força de trabalho do RS estava no seu maior patamar desde o início da série histórica, em 2012: um universo de 6.169 milhões de pessoas. A taxa de participação na força de trabalho, por sua vez, estava em 64,6% da população, muito próximo do atingido no 1º trimestre de 2017.

Fonte:Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE

Mais de 2,6 milhões de gaúchos que formam as categorias consideradas economicamente as mais vulneráveis, algo em torno de 43% da força de trabalho do Rio Grande do Sul, estão diretamente sujeitos a impactos das medidas de isolamento social necessárias para conter o avanço da Covid-19.

Desse contingente de empregados informais, desocupados e trabalhadores por conta própria, a estimativa é de que 598 mil pessoas estariam aptas, pelos ganhos que tinham antes pandemia, a receber as três parcelas do auxílio emergencial de R$ 600 por mês do governo federal.

Guilherme afirma que o Grupo segue trabalhando no acompanhamento da atividade econômica a partir de dados indiretos como, por exemplo, arrecadação de ICMS, Notas Fiscais Eletrônicas, dados de pedágio, pedidos de seguro-desemprego, entre outros. “A meta é conseguir construir um modelo de previsão do PIB e de outros indicadores para informar o governo estadual com estimativas mais precisas do impacto da pandemia na atividade econômica gaúcha nos próximos meses. Além disso, o Grupo também segue acompanhando os efeitos do novo coronavírus no mercado de trabalho. Vamos começar a focar nos potenciais efeitos regionais e estimar quanto dos empregos existentes na economia gaúcha tem potencial de serem realizados em casa”.

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