O mercado de streaming e a experiência do Globoplay são temas no Conecta+

EDUARDO HERRMANN

Na noite de quarta-feira (15), quem acompanhou o multievento online Conecta+ pôde aprender muito sobre o mercado do entretenimento com Erick Bretas, diretor no Grupo Globo responsável pelas iniciativas digitais da empresa, entre elas a plataforma de streaming Globoplay.

Não faz muito tempo que a palavra "streaming" era desconhecida do grande público. Hoje, grande parte dos brasileiros não apenas sabe o que ela significa, mas também assina algum serviço do tipo.

Crédito: Ramón Vasconcelos/Divulgação Globo

Um dos dados trazidos por Bretas é a estimativa feita pela Ampere Analysis, que prevê mais de 1 bilhão de pessoas no mundo com acesso ao mercado de streaming até o final de 2021. Ou seja, uma a cada sete pessoas no planeta.

Só em 2020, a Globo projeta um investimento de mais de R$ 1 bilhão no Globoplay, em conteúdo e tecnologia, o que dá uma boa dimensão da importância que o grupo dá a esse mercado. "A gente acredita que precisa de uma oferta robusta e de qualidade no streaming, como tudo que o Grupo Globo sempre fez nas plataformas tradicionais", comentou Bretas.

O desafio é grande. Afinal, diferentemente da televisão aberta, a oferta de vídeo on demand tem concorrentes internacionais, como o Netflix e a Amazon, com catálogos imensos. "Muita gente fala em guerra do streaming, mas não gosto desse termo, pois evoca coisas negativas. Prefiro falar em explosão do streaming, que traz coisas boas para o consumidor, que nunca teve acesso a tanto conteúdo de qualidade", acrescentou.

Os trunfos para competir contra os gigantes são a marca consolidada nacionalmente, a qualidade das produções e talentos da casa e a possibilidade de utilizar outras janelas para gerar tráfego — promovendo conteúdos do Globoplay em telenovelas da TV aberta, por exemplo.

Os investimentos maciços estão dando resultado: segundo Bretas, a base de assinantes do Globoplay cresceu 145% no primeiro semestre de 2020 na comparação com o mesmo período do ano passado. E a média de horas de consumo de conteúdo pelos assinantes cresceu 208%.

Medir esses e outros tantos números é uma obsessão para o diretor. "A gente evita tomar decisões muito idiossincráticas. Em vez disso, o processo de escolha é amparado por dados", contou o executivo. Ele garante que o Globoplay é um dos maiores empregadores de cientistas de dados no Brasil.

Os tais dados analisados vão desde métricas de comportamento do usuário, como padrões de navegação e preferências, até questões técnicas de performance do streaming. Apesar da obsessão pelos números e tecnologia, Bretas ressaltou que os algoritmos nunca vão se sobrepor ao talento dos criadores de conteúdo.

Quanto às particularidades dos temas e linguagens das produções voltadas ao streaming, o diretor dos canais digitais do Grupo Globo acredita que o streaming tem a obrigação de ir além do que a TV aberta vai em termos de estética e narrativa — mas a ousadia não é exclusividade do formato on demand.

Para exemplificar a diferença nos conteúdos, Bretas apresentou o trailer de Desalma, uma série de suspense que "não deve nada para nenhuma produção da HBO" e estreará ainda em 2020 no Globoplay.

Segundo ele, o suspense é um gênero que nem todo mundo gosta, por isso é difícil de inserir na programação da televisão aberta, mas encontra seu público e dialoga muito bem com o streaming. Além disso, no streaming é possível trabalhar com um ritmo diferente, menos frenético e mais sofisticado.

Apesar de o Globoplay não competir com Netlix em termos de extensão do catálogo, assinantes podem aguardar grandes novidades nos próximos meses.

A programação do Conecta+ segue até o dia 17 de julho. Acesse o site do evento e confira a agenda de palestras.