Escritório de Comercialização: um auxílio para garantir recursos a projetos de pesquisa

Por meio do Núcleo de Projetos, professores e pesquisadores tem uma ajuda importante na hora de submeter trabalhos a editais ou de buscar investimentos de empresas privadas

BRUNA LAGO - AGEXCOM

Prazos de entregas de documentos, atenção a editais, realização de orçamentos. Quando o assunto é garantir recursos financeiros para um projeto de pesquisa institucional, os professores e pesquisadores precisam dedicar muita atenção para não perder datas ou pular, sem querer, uma etapa importante. Foi pensando nisso que, em 2018, para atender a comunidade universitária de forma mais ampla, a Unisinos reorganizou a estrutura de captação de projetos e alocou as suas atividades junto ao Escritório de Comercialização.

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Pensando em atender transversalmente todas as Unidades Acadêmicas e focada em garantir maior reconhecimento e investimento nas pesquisas realizadas na universidade, o objetivo do setor é ser o ponto focal na captação de recursos, que pode ser feita pela comercialização de cursos para estudantes – como graduações e pós-graduações – ou pela busca de parcerias com empresas e instituições interessadas em investir em projetos de pesquisa.

“A Unisinos é organizada em Unidades Acadêmicas, responsáveis por gerir os diversos aspectos da universidade. Essas áreas tinham alguns movimentos isolados. O Escritório surgiu para auxiliar a organizar melhor esses movimentos”, explica Juliana Ballin Suzin, gerente do setor. “A ideia era criar um espaço que pudesse ser transversal na Unisinos e pudesse atender todas as Escolas de forma igualitária, com uma estratégia mais robusta de comercialização”.

Núcleo de Projetos

Mantendo contato frequente com mercado, empresas e governos, o Núcleo fica atento às demandas que chegam até a universidade e, também, aos editais lançados durante o ano. “Podemos ajudar os professores e pesquisadores a elaborar projetos para participar de editais no setor público. O mesmo vale para o setor privado, para atender a demandas e obter recursos via leis de incentivo”, comenta Diego Falcão Peruchi, coordenador de Relacionamento com o Mercado do Escritório de Comercialização. “Temos um papel de prospecção ativa. Por exemplo, quando surge um novo edital, verificamos quais professores ou áreas da Unisinos poderiam atender aos requisitos.”

Os docentes que possuem seus próprios contatos com empresas também podem obter apoio do Escritório, garantindo, assim, que o projeto seja atendido e mediado pela universidade. O Núcleo de Projetos oferece suporte antes, durante e depois da realização do trabalho.

“Muitos professores exercem outras atividades durante o dia”, lembra Juliana. “Nós trabalhamos para encontrar ligações úteis para as empresas que estão no Tecnosinos, para aquelas que já utilizam nossos serviços e, claro, para as que ainda venham a conhecer a universidade”.

Como funciona

Há diversas formas de se começar um projeto. Entre elas, destacam-se o uso de incentivos públicos (editais) e de recursos do setor privado (demandas de empresas). Dentro dessas possibilidades, a iniciativa pode partir do professor, caso ele traga a ideia do projeto, ou do Escritório, quando faz o contato com as áreas da Unisinos que possam participar. “Tendo a confirmação do interesse dos professores, constituímos, junto a eles, a proposta e o orçamento para submissão”, explica Diego. “Depois, continuamos com o acompanhamento da proposta para saber se vai ser aprovado. Muitas vezes, o projeto pode retornar para ser revisto e reenviado. Documentos técnicos precisam ser assinados”.

Todo esse trabalho técnico de ajustes de orçamento e diretrizes, além do acompanhamento, é feito pela equipe do Núcleo de Projetos, que auxilia os professores nas questões burocráticas. “Dentro da Unisinos, existe também a Gerência Administrativa de Projetos da Unidade Acadêmica de Pesquisa e Pós-Graduação, que coordena o Escritório de Projetos, área que vai acompanhar o projeto depois que ele é aprovado e entram os recursos. O Escritório de Projetos vai verificar o andamento e, depois, ao término, prestar contas de como aquele recurso foi utilizado, se foi aplicado de acordo com o edital”, explica Diego. “Realizando os projetos pela Unisinos, o professor tem muito mais suporte para submissão, acompanhamento e finalização”.

Às vezes, editais podem ser perdidos por conta do prazo de entrega das documentações exigidas. Esse é outro detalhe importante em que os professores podem contar com o apoio do Núcleo de Projetos, que gerencia e organiza o cronograma. “O período antes da composição do orçamento e da proposta vai depender da complexidade do projeto, mas uma vez que ele esteja definido, temos um prazo interno para as assinaturas”, elucida o coordenador. Outra área que merece atenção é a elaboração da proposta e do orçamento, que precisam estar de acordo com as diretrizes e ética da universidade, além das propostas governamentais do edital. Todos esses detalhes são importantes para que um projeto seja aprovado.

Importância para a universidade

“Hoje, nós temos diversos editais que preveem oportunidades abertas para empresas, startups e iniciativas de inovação”, destaca Juliana. “Queremos mobilizar os professores, que são nosso melhor recurso, e mostrar as potencialidades da Unisinos para o mercado. E os professores também precisam saber que a universidade se coloca com toda estrutura à serviço deles para oferecer essa parceria”.

Para o pró-Reitor Acadêmico e de Relações Internacionais da Universidade, Alsones Balestrin, o Escritório de Comercialização se instrumentaliza dentro do conceito de uma instituição de ensino contemporânea. “Toda universidade privada ou sem fins lucrativos, como a Unisinos, precisa ter uma área de comercialização para levar ao mercado seus produtos. Sejam eles cursos de graduação, pós-graduação, capacitação tecnológica, cursos in company, sejam serviços tecnológicos para outras empresas”, avalia.

Diante dos novos cenários, no qual o vestibular não é mais a única porta de entrada de recursos em uma universidade, e também não são preenchidas todas as vagas ofertadas, toda instituição precisa pensar além. “Os professores têm seus projetos e conhecimentos que precisam chegar ao mercado. O Escritório faz essa ponte dos pesquisadores com as necessidades do mercado”, comenta o pró-Reitor. “O Escritório é uma forma de levar para a sociedade o conhecimento que a Unisinos tem e que gera impacto nas organizações”. Balestrin observa ainda que, mesmo que os professores mantenham o diálogo com o mercado, o Escritório acaba se tornando um grande portal de oportunidades para a universidade. E, por consequência, uma maneira pragmática de dialogar com as empresas e de levar as competências para a sociedade.

“A Unisinos espera que tenhamos canais mais fluídos de comunicação, que a comunidade conheça e navegue melhor no nosso ecossistema”, concorda Juliana. “Também começamos a nos tornar protagonistas, com caminhos mais claros, trilhas que os professores possam seguir, trâmites mais fáceis e redução de burocracia”.

Para Diego, é importante que os professores compreendam todas as vantagens desse suporte. “Caso o professor queira levantar recursos para uma pesquisa, o Escritório de Comercialização é uma ótima alternativa. Se precisa de insumos, se gostaria de mais um bolsista, mais um profissional, ou até mesmo se precisa de mais tempo. Essa é uma boa alternativa para levantar oportunidades”, lembra ele.