Empreender é cuidar do cidadão, da saúde e das mulheres

Magazine Luiza começou a pandemia com a perspectiva de não demitir, e hoje já contrata

MARCELO GRISA - PORTAL MESCLA

Para Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, as ações para fomentar a melhora de todos os quadros afetados pela pandemia precisam acontecer continuamente. A fala da empresária, que palestrou no Conecta+ nesta segunda-feira, 13 de julho, apontou para múltiplas direções neste sentido.

Após as apresentações, feitas na trilha +Mercado do evento online, Luiza falou sobre as capacidades de mudança no mercado brasileiro. Segundo ela, a pandemia veio acelerar processos que já estavam em curso. “Nas lojas, o que eu achava que ainda iria demorar uns 12, 15 anos para tudo migrar para o digital, virou em dois dias”, avalia. O grupo empresarial, que começou a pandemia pedindo que ninguém fosse demitido nas lojas físicas da rede, hoje já está contratando mais 300 profissionais em Franca (SP), onde fica a sede do Magazine desde sua fundação.

Crédito: Divulgação

Sua fala centrou-se no setor do varejo, onde Magalu (como a rede também é conhecida) atua. Parabenizou profissionais da saúde e da educação pela dedicação neste momento delicado, e lembrou que as coisas iam bem, mas a economia como um todo precisa estar. “Hoje estamos vendo como dependemos das pequenas empresas. Eu trabalho em prol delas também desde que a pandemia começou. 88% dos empregos no Brasil vêm delas”, argumenta Luiza Helena.

Apesar da preocupação, a presidente ressaltou que a família Trajano em si não precisava se engajar nas ações de ajuda como está fazendo a partir da holding Magazine Luiza. Afinal, nos últimos tempos, as ações na bolsa iam bem e a venda de 10% da empresa davam segurança e mantinham controle. Entretanto, segundo Luiza, os valores que fizeram a empresa se tornar uma das maiores do segmento faziam com que ela quisesse continuar a dar o seu melhor. “Penso em um dia de cada vez, porque não tem como prever o que vai acontecer. Mas com a minha experiência, eu imaginava que isso poderia ser pior que tudo que já vivi.”

As plataformas digitais, ressaltou Luiza, são parte importante para manter renda para as famílias neste momento. Além do que já estava sendo feito com o marketplace Magazine Você, que permite que qualquer um venda produtos e receba comissão, a empresa abriu o site para empreendedores venderem seus próprios produtos. “Temos hoje cerca de 30 mil microempreendedores que vendem dois produtos por dia”, aponta.

Luiza Helena Trajano reconhece que muitas pessoas vão trabalhar no varejo quando “não têm mais o que fazer”. Entretanto, sua posição no mercado vai justamente na contramão, com o constante aprimoramento e treinamento via Sebrae para todos os funcionários. “Minha tia, que criou esta empresa, me ensinou. Tem que ter uma equipe que trate todo mundo bem, que venda bem, com transparência. Assim a gente cria um ambiente que atrai as pessoas pra comprar e para vender”, afirma.

A presidente do conselho do Magalu ainda lidera o Grupo Mulheres Pelo Brasil, que, segundo ela, tem o objetivo de ser o maior projeto político apartidário do Brasil. Ao contrário de outros grupos, essas mulheres, já conectadas em 17 países, tem o objetivo de apoiar massivamente iniciativas que protejam e busquem igualdade de gênero. “E isso sem se filiar a partidos, sem ninguém se posicionar como líder a todo tempo, sem ninguém se candidatar. Nem criamos ONG alguma: nós apoiamos aquelas que já existem”, assegura.