“A aula precisa ser viva”

Conheça a história inspiradora da professora de pedagogia que é apaixonada pela arte de ensinar

MICHELLI MACHADO

Intensidade, coragem, serenidade e agradecimentos. Muitos agradecimentos. Assim se define a profissional Janira Aparecida da Silva, professora há mais de 50 anos. “Ingressei, como professora, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Cristo Rei (FAFI), São Leopoldo RS, em 1º de março de 1968. A FAFI, junto com as Faculdades de Direito e de Ciências Econômicas, constituiu a base para o projeto de criação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, ocorrida em 31 de julho de 1969”, relembra.

Nascida em Soledade, Janira passou a infância em Sobradinho e depois mudou-se para Santa Cruz do Sul. “Em 1964, normalista, lecionando na Escola Primária da rede estadual como alfabetizadora, morando em Santa Cruz do Sul, fiz o vestibular e ingressei no Curso de Licenciatura em Pedagogia na FAFI. Vim, então, para São Leopoldo”, conta.

Em 1966, a professora, então estudante, cursava a disciplina de Didática Geral e se inscreveu para ser monitora e organizar as atividades do Estágio Supervisionado. “Foi uma experiência desafiadora, de muitas dúvidas, estudos, reflexões e aprendizagens sob a supervisão do Pe. Arno Maldaner, professor de Didática Geral”, destaca.

Mestre em Educação pela UFRGS, Janira garante que foi na sala de aula a mais intensa experiência que viveu. “O ensino e a mediação para oferecer meios para os alunos aprenderem são desafiadores. A aula precisa ser viva e não tem receita”, afirma.

[Janira Aparecida da Silva Crédito: Rodrigo W. Blum

Conheça mais essa história lendo a entrevista completa abaixo:

Como começou essa História?

Em dezembro de 1967 colei grau de Licenciada em Pedagogia, pela FAFI e fui convidada para ingressar como professora de Prática Pedagógica na Escola Primária, no Curso de Licenciatura em Pedagogia e acompanhar os estágios dos alunos de diferentes Licenciaturas. O projeto era tornar o Estágio Supervisionado das Licenciaturas em disciplina, com matrícula e sob a responsabilidade de professores especialistas, o que foi aprovado em 1974. Na trajetória como professora da FAFI e da Unisinos lecionei, na graduação: Didática, disciplina compartilhada; Metodologia de Ensino; Prática de Ensino para as turmas do Curso de Pedagogia; na especialização: Avaliação da Aprendizagem; Planejamento; Metodologia do Ensino Superior e Educação Cooperativa, dentre outras. O ingresso como docente na FAFI foi com o título de Licenciada em Pedagogia, exigência daquela época. Com a implantação da Universidade foram disponibilizados, inicialmente, cursos de Extensão para os professores, a seguir, as Especializações, e mais tarde, Pós-Graduação Estrito Senso, em Porto Alegre e depois na Unisinos.

Quais atividades você desempenha no seu dia a dia? 

Além da docência, tive a oportunidade de participar de grupos de trabalho em diferentes espaços na Instituição. Nestas ações compartilhadas aprendi muito, encontramos muitos desafios, discutimos e refletimos sobre nossa prática para concretização de nossos objetivos. Integrei a primeira comissão de Currículos que planejou os novos cursos quando da implantação da universidade em 1969; Fui chefe de departamento; Coordenadora de curso; Coordenadora dos Estágio das Licenciaturas; Integrante do Núcleo de Formação de Professores. Atualmente, faço a gestão do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), convênio da Unisinos com a CAPES, desde 2012, que reúne professores em exercício da escola pública que não têm curso superior, fortalecendo a articulação da Universidade com as redes públicas de ensino. Participo também do Programa de Integração Educacional e Acadêmica (PIEA), da Gerência da Ação Social da Universidade, voltado para os alunos do Prouni, que disponibiliza apoios Social, Pedagógico e Psicológico. Atuo no Apoio Pedagógico.

O que é mais desafiador na profissão que escolheu?

A visão de contexto e de totalidade da Instituição e o conhecimento de seus marcos referenciais, sintetizados nos currículos, precisam chegar à sala de aula visando a excelência acadêmica. Este é um dos desafios da profissão de professor. O trabalho na Universidade, independente do espaço de atuação do profissional, exige articulação entre os diferentes setores da Instituição para garantir o alinhamento de objetivos que favoreçam o desenvolvimento da excelência acadêmica. Reitoria, diretores das Unidades de Ensino, decanos, professores, pesquisadores, coordenadores, funcionários dos registros acadêmicos, da biblioteca, dos laboratórios e dos serviços de atendimento ao acadêmico precisam contribuir, de acordo com as suas funções, para que os objetivos da formação profissional e humana se concretize. Este processo, articulado entre os diferentes espaços da Universidade até a sala de aula, é complexo, e, por isto, desafiador. Destaco os estudos, discussões e reflexões sobre a Pedagogia Inaciana presente nas capacitações de professores e nos planejamentos dos Projetos Políticos Pedagógicos dos cursos da Unisinos.

Como você traduziria sua relação com a Unisinos depois de todos esses anos?

Vivi intensa e corajosamente o cotidiano da FAFI/Unisinos, nestes 51 anos. Continuei, junto com os colegas, o sonho iniciado pelos Jesuítas, da criação da Unisinos, participei do grupo da criação e de instalação dessa Universidade. Estive na comissão de currículos que planejou novos cursos e fez a alteração curricular dos já existentes. Continuei participando e acompanhando as mudanças da Unisinos... Foram momentos diferentes situados em diferentes contextos sociais, políticos, econômicos, educacionais e tecnológicos... Nos anos 60, do século XX, o mundo era outro, a máquina de escrever e o mimeógrafo a álcool eram realidades. Mas a busca da excelência acadêmica, situada naquele contexto, já permeava nossos planejamentos e chegavam às salas de aula. As mudanças, necessariamente, foram acontecendo na Universidade, por isto, hoje há o seu reconhecimento externo. Atualmente, vivo a Unisinos com intensidade, coragem e serenidade, com um olhar para o amanhã sem perder de vista o ontem e o hoje, com muita esperança.