Comunicação para quem se importa

As jornalistas Francine Malessa e Mariana da Rosa garantem que ambientes ricos em pluralidade elevam a produtividade e apostam em consultoria de diversidade

PAOLA DE BETTIO TÔRRES - AGEXCOM

Inclusificar. Esse termo foi cunhado pela pesquisadora da Universidade do Colorado Stefanie K. Johnson no livro Inclusifique: como a inclusão e a diversidade podem trazer mais inovação à sua empresa (Benvirá, 2020). A palavra tenta traduzir a necessidade de permitir que todos possam demonstrar sua individualidade e se sentirem incluídos em um ambiente. Francine Malessa e Mariana da Rosa, egressas do curso de Jornalismo da Unisinos, não somente concordam com Stefanie, mas até já colocaram o novo verbo em prática.

Crédito: Carlos Macedo

Francine e Mariana possuem uma década de experiência em assessoria de imprensa. Elas se conheceram em 2016, quando trabalhavam na agência PlayPress, em Porto Alegre. As amigas perceberam, ao avaliar suas trajetórias, que precisavam dar mais sentido ao que viam fazendo na comunicação. “Optei pelo jornalismo porque sempre acreditei que a comunicação pode mudar o mundo. O jornalismo é feito para dar voz para quem não tem”, acredita Francine.

Um caminho cheio de potencialidades, uma grande parceria, um percurso de engajamento nas causas sociais e uma bagagem de estudos sobre diversidade e gênero. Com essas qualidades acumuladas ao longo da carreira, as jornalistas começaram a pensar, desde o final do ano passado, em como colocar em prática todo esse conhecimento e vontade de ajudar a mudar o mundo. Assim, nasceu, em 27 de maio deste ano, a Alteritat, uma consultoria de diversidade.

Crédito: Carlos Macedo

Pluralidade

Uma das funções da comunicação é ampliar o que está em pauta na sociedade. Para Francine e Mariana, uma dessas pautas é a importância de mostrar que a pluralidade é necessária nos mais variados locais de trabalho. As jornalistas citam a filósofa e pesquisadora Djamila Ribeiro. Ela acredita que a diversidade contribui para um ambiente mais democrático e produtivo, além de estimular a criatividade e dar voz às pluralidades e potencialidades.

Alguns assuntos ainda são difíceis de serem tratados em certos espaços. Muitas vezes, há a falta de habilidade ou conhecimento para iniciar um diálogo ou para implementar ideias, principalmente se envolvem temas que geram polêmicas na sociedade. “São justamente os assuntos polêmicos os que mais precisam ser debatidos, os mais urgentes”, observa Francine. Segundo ela, há um consenso de que esse tipo de serviço estará cada vez mais presente nas empresas. É uma maneira de vencer as formas de negar o avanço do mundo e engajar as pessoas nas pautas sociais, uma vez que, além de todo progresso sobre esse debate, grandes empresas internacionais já vêm implementando isso.

Como funciona

Há consultorias de diversidade atuando em todo o Brasil. Elas realizam um diagnóstico em uma empresa ou instituição para verificar como andam os processos de comunicação e diversidade. Assim, será possível saber de onde devem partir os melhoramentos. Uma análise dos gestores e demais funcionários ajuda a consultoria a perceber onde a pluralidade está presente ou ausente. Dessa forma, as diversidades são melhor integradas no ambiente de trabalho. Nesse processo, a importância da comunicação é colocada em destaque. “Nós, como jornalistas, queremos não só comunicar para o mundo externo, para as redes, mas também para os próprios funcionários, para que assim eles se sintam acolhidos e valorizados”, enfatiza Mariana.

A Alteritat conta com o apoio de duas psicólogas, uma pedagoga, uma advogada, um doutor em comunicação com foco em conteúdo digital e conteúdo nerd, além de uma consultora de negócios. “Essas parcerias surgiram para termos insumo e conhecimento para nos auxiliarem na hora de elaborar ações”, conta Mariana.

Hoje, Francine também trabalha na Faro Comunicação, onde a Alteritat está incubada, e Mariana é coordenadora de Comunicação da Fundação Pão dos Pobres. De 2016 para cá, quando se formou a amizade, além da PlayPress e da iniciativa de criar a Alteritat, elas trabalharam juntas na Fatto Comunicação. Além das atividades profissionais, as duas acharam tempo para investir nos estudos. Francine tem mestrado em Comunicação pela Unisinos, e Mariana tem especialização em Gestão de Crises, Marketing Digital e Comunicação Institucional. “A Alteritat é isso: usar nossa formação na comunicação para comunicar de uma forma que a gente possa fazer uma mudança”, acredita Francine.

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