Seminário na Unisinos discute moradia, território e resistência de comunidades negras e indígenas no Sul do Brasil 

Promovido pela Articulação Afro Brasil SJ: Regional Sul 2026, encontro reuniu representantes acadêmicos, lideranças religiosas e movimentos sociais no Auditório Papa Francisco

Crédito: Bernardo de Almeida

No dia 15 de maio, a Unisinos sediou o encontro Articulação Afro Brasil SJ: Regional Sul 2026, que promoveu o seminário “Moradia, território, resistência: comunidades negras e indígenas e o direito à cidade”. O objetivo era trazer o debate sobre o acesso à moradia digna e ao território na região Sul do Brasil. A apresentação dialoga com a Campanha da Fraternidade 2026, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que busca a reflexão, o estudo e a procura por soluções estruturais e políticas públicas habitacionais. 

Um lugar de equidade  

O grupo é formado por jesuítas, colaboradores negros e outros educadores vinculados à Companhia de Jesus, e atua para promover a equidade racial em instituições ligadas à Rede Jesuíta, como colégios, universidades e centros sociais.

O evento foi realizado pela Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental (RJSA), com o apoio do Colégio Anchieta e do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) da Unisinos. “O Afro Brasil SJ é um espaço fundamental de articulação entre diferentes grupos e frentes jesuítas que trabalham a questão racial. É um movimento que fortalece o diálogo, a escuta e a construção coletiva dentro da Companhia de Jesus”, destacou Pe. Clóvis de Melo Cavalheiro, professor de Tecnologia e Inovação Social, além de assessor do Neabi.   

A cerimônia iniciou com uma apresentação cultural de Tiago Ogã e sua batucada, e a afro ginástica de Dani Vaz, que levantaram o público no auditório Papa Francisco. Após a performance, o reitor da Unisinos, Pe. Sérgio Mariucci, iniciou a solenidade com uma fala exaltando a iniciativa e ressaltando os valores da Universidade em propiciar 

um lugar de equidade entre diferentes grupos étnicos da instituição. “Mais do que abrir portas, precisamos construir caminhos permanentes de escuta, respeito e 

valorização das diferentes identidades que formam a nossa instituição. A Unisinos acredita que a diversidade não apenas nos representa, mas nos fortalece enquanto comunidade acadêmica e enquanto sociedade”, afirmou.

Crédito: Bernardo de Almeida

Discussões fundamentais para uma sociedade mais justa 

O primeiro painel debateu acerca da importância da valorização de territórios negros no Estado e no Brasil. O Pe. Clóvis Crispiniano do Carmo Cabral, professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), contou suas experiências como militante do movimento negro. Além de docente, Clóvis também foi coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas da Unicap de 2010 a 2022. Denílson dos Santos Flores, estudante de Jornalismo da Unisinos e funcionário do Colégio Anchieta, intermediou a conversa. 

O foco do segundo painel foi a análise de conjuntura dos territórios e povos negros e indígenas da Região Sul. Esse momento foi mediado pelo Pai Alexandre D’Ogum. Antes de iniciar, fez uma reverência a seus antepassados em um momento de fé e espiritualidade no palco. Alexandre é formado em Psicologia pela Unisinos e possui uma vivência de mais de 40 anos com Umbanda e Quimbanda.

Crédito: Bernardo de Almeida

O professor Walmir da Silva Pereira, graduado em ciências sociais pela UFRGS, fez um resgate histórico dos territórios indígenas e uma contextualização do cenário atual. Quem também fez uso da palavra foi a professora Maria Aparecida Marques da Rocha, mestre em Serviço Social e líder do Grupo de Pesquisa Democratização, Inclusão e Gestão na Educação Superior (GPDIGES), que situou os territórios quilombolas contemporâneos do Rio Grande do Sul, além de contar um pouco da história desses povos. Ao final, o público pode participar realizando perguntas aos palestrantes. 

Crédito: Bernardo de Almeida

“Esse encontro teve uma importância muito grande, porque colocou em pauta as vivências, as resistências e os direitos das comunidades negras e indígenas a partir do território e da moradia. São discussões fundamentais para pensar uma sociedade mais justa e para fortalecer espaços de escuta, pertencimento e valorização das identidades dentro da Universidade e fora dela”, enfatizou o professor Jorge Luiz Teixeira, coordenador do Neabi Unisinos. 

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