Angola em evidência

Estudantes angolanos realizam atividades no campus com o objetivo de divulgar a cultura e a história do país

BETINA ALBÉ VEPPO
09 de Novembro de 2015 - 16:44 | Atualizado: 10 de Novembro de 2015 - 09:47

Desde 2013, cerca de 67 jovens angolanos aterrissaram em solo brasileiro para estudar na Unisinos. Para esta semana, em comemoração à Independência de Angola, celebrada em 11 de novembro, os alunos prepararam atividades em alusão à cultura do país. O evento é uma homenagem aos estudantes angolanos, que vieram ao Brasil cursar uma graduação completa, e também uma oportunidade de compartilharem saberes, histórias e experiências com a comunidade acadêmica. Domenika Silva, de Economia, Edson Gomes, de Engenharia Cartográfica e de Agrimensura e Roberta dos Santos, de Engenharia de Produção, são alguns dos organizadores das atividades.

“Vamos destacar a Angola como ela é, seus aspectos bons, sem deixar de lado os ruins. Nesse sentido, englobaremos educação, clima, lazer, comida, cultura”, salienta Roberta. Segundo Edson, o grupo pensou em abordar aspectos gerais do país, de maneira que fosse interessante a todos. Outra oportunidade que pretendem oferecer aos colegas é uma experiência de contato com provenientes do país. “Muitas vezes, lemos informações errôneas sobre algum lugar na internet, dessa forma, as pessoas podem esclarecer dúvidas sobre a realidade angolana conosco. Sentimos que há falta de conhecimento dos brasileiros a respeito do nosso país”, observa Domenika.

[Alunos angolanos se mobilizam para divulgar o país na universidade

Durante toda a semana, haverá a Mostra Fotográfica “Angola. Eu sou. Existo”, na Galeria Cultural da Biblioteca (Claraboia), e, a partir das 18h, os organizadores estarão disponíveis para conversar com os interessados. As fotos expostas são de temas que lembram o país, inclusive com imagens feitas pelos próprios estudantes. O cardápio do RU também promete novidades. A ação incluiu a demonstração de pratos típicos angolanos, que serão oferecidos  de segunda a quarta-feira. Na segunda, haverá cachupa, uma espécie de feijoada, com milho branco e diversas carnes; na terça, funge com molho de tomate, ovo e chorizo; e, na quarta, moamba de dendê e funge. Na quarta-feira, dia em que se comemora a independência angolana, haverá um painel, em que os organizadores discutirão a história, a independência e a vida atual em Angola, às 17h30min, na Sala de Seminários da Biblioteca.

País independente

A chegada dos portugueses ao continente africano ocorre a partir do ano de 1484, quando iniciam a colonização de  diversos países, incluindo a Angola. A independência do país angolano ocorreu somente em 1975, pela voz de Agostinho Neto, que reconheceu o país como República Popular e Democrática de Angola. Mesmo após a independência, o país permaneceu em guerra civil durante 27 anos, travada entre os três principais partidos políticos - MPLA, FNLA e UNITA. A paz foi reestabelecida  em 2002.

Vida lá, vida cá

A experiência dos estudantes tem sido, em parte, semelhante ao que vivenciam no país de origem, em parte, bem diferente. Um dos principais aspectos destacados é a liberdade de morar sozinhos. “Essa vai ser uma das maiores dificuldades no retorno. Lá, por morarmos com nossos pais, devemos satisfação sobre todos os lugares aonde vamos, e aqui não”, diz Roberta.

Domenika relata que a cultura brasileira está muito presente em Angola, principalmente na programação televisiva e na música. Além dos vários brasileiros que residem no país africano. Contudo, Edson destaca que, quando alguém mostra desconhecimento em relação a Angola, acha normal. “Talvez não seja só responsabilidade da pessoa em não procurar a informação, mas também dos meios de comunicação, que criam o imaginário da África e da Angola como se lá houvesse só guerra, fome e selva. Existe, mas não é somente isso que há. Como acontece com outros países também, por exemplo, o Brasil, para nós”, esclarece. As diferenças, segundo ele, se dão mais pela dimensão dos dois países. “Os problemas são mais ou menos os mesmos, mas, no Brasil, são redimensionados por causa do seu tamanho”.

“Eu, quando cheguei ao Brasil, fiquei surpresa com o lugar, por causa das informações que chegam ao estrangeiro – violência, samba e futebol. Mas, com o tempo, isso foi passando; hoje, consigo andar mais tranquila. As pessoas são muito amigáveis, principalmente as mais velhas”, diz Roberta. Segundo ela, os brasileiros gostam de falar da sua vida, mesmo com estranhos. “Na rua, no mercado, são tão sociáveis que falam demais”, diz entre risos.

Para saber mais sobre a história, a cultura e a vida em Angola, não perca as atividades preparadas pelos estudantes.

Serviço

Atividades: Painel apresentado por alunos de Angola, na quarta-feira, 11/11, às 17h30min, na Sala de Seminários da Biblioteca; Mostra Fotográfica "Angola: Eu Sou. Existo", de segunda a sexa-feira, 9 a 13/11, na Claraboia. O RU oferecerá um cardápio especial em homenagem à culinária angolana entre os dias 9 e 11/11.