Curso de Design promove ação de conscientização e combate à violência contra a mulher

Instalação de bancos vermelhos nos campi de Porto Alegre e São Leopoldo busca sensibilizar a comunidade acadêmica sobre o feminicídio e a importância do enfrentamento à violência de gênero

Crédito: Bernardo de Almeida

No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio, um aumento de 7,5% em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No Rio Grande do Sul, o cenário é ainda mais preocupante: o Estado contabilizou mais de 38 mortes de janeiro a junho, representando um crescimento de 68,75% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme a Secretaria da Segurança Pública estadual. Outro dado alarmante revela que, no país, uma mulher é vítima de feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos. 

Diante dessa realidade, o curso de Design da Unisinos, inspirado na atuação do Instituto Banco Vermelho, promoveu uma ação de conscientização e denúncia da violência contra a mulher por meio da instalação de bancos vermelhos em pontos estratégicos dos campi Porto Alegre e São Leopoldo da Universidade. Alunos ajudaram a pintar e desenvolver as frases que são exibidas nos assentos.  

Crédito: Giovana Marques 

Em São Leopoldo, dois bancos foram instalados, ambos na área central do Centro Comunitário. No campus Porto Alegre, também dois bancos foram posicionados: um no hall de entrada da Torre Educacional, no primeiro andar, e o outro em frente ao Laboratório de Modelos e Protótipos (Lamp).  

A iniciativa busca sensibilizar a comunidade acadêmica para a gravidade do avanço do feminicídio e estimular a reflexão sobre a violência de gênero. Para a coordenadora do curso de Design, Maura Della Flora Flores, ações como essa contribuem para ampliar o debate e incentivar a conscientização da comunidade acadêmica. “É fundamental que a Universidade também seja um espaço de reflexão sobre temas sociais. Ao trazer essa discussão para o cotidiano do campus, buscamos sensibilizar as pessoas para a gravidade da violência contra a mulher e para a importância do seu enfrentamento”, destacou. 

Os bancos exibem frases impactantes. Uma delas, diz: “A cada 15 segundos uma mulher cai da escada e a cada 1h30 uma mulher não sobrevive para contar a próxima desculpa”. A ideia é evidenciar a frequência com que agressões são mascaradas por justificativas que ocultam a violência doméstica. Outra mensagem destaca a frase da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz: “Nós reconhecemos a importância de nossa voz quando somos silenciadas”, chamando a atenção para situações em que mulheres e meninas têm seus direitos, opiniões e participação social restringidos. 

Design como ferramenta de conscientização social  

A estudante Bruna Costa destacou o impacto da experiência em sua formação. “Foi muito gratificante contribuir para uma iniciativa com uma causa tão importante. Participar desse projeto nos permitiu compreender melhor a dimensão do problema e utilizar o design como ferramenta para promover conscientização e transformação social”, relatou.  

A professora Gisele Becker concorda com a aluna. “A iniciativa é fundamental para ampliar a conscientização sobre o aumento dos casos de feminicídio e de violência de gênero no Brasil. Mais do que promover reflexão, a ação nos convida a assumir uma postura ativa diante dessa realidade, fortalecendo um movimento que busca sensibilizar a sociedade e combater a crescente violência contra as mulheres”, afirmou.

Crédito: Beatriz Schleiniger

Sobre os bancos vermelhos 

A ação integra um movimento global de conscientização que utiliza bancos vermelhos como símbolo da luta contra o feminicídio e a violência de gênero, transformando espaços públicos em locais de memória, denúncia e mobilização social. A iniciativa representa os lugares vazios deixados na sociedade por mulheres assassinadas e funciona como um memorial e um convite permanente à denúncia. Os assentos são pintados na cor vermelha para simbolizar o sangue derramado pelas vítimas, carregando mensagens de reflexão e informações sobre como pedir ajuda.  

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