Unisinos é parceira de pesquisa sobre a Covid-19 desenvolvida pela UFPEL

Atividades envolvem 25 alunos dos cursos de Graduação e Pós-Graduação da Escola de Saúde da Universidade

MICHELLI MACHADO

Em abril de 2020, com o avanço da pandemia, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul – RS, solicitou à Universidade Federal de Pelotas uma pesquisa sobre a epidemiologia da Covid-19, para obter informações e evidências capazes de subsidiar as ações de enfrentamento à doença no Estado. Desde o início das atividades, a Unisinos faz parte dessa parceria, que conta com o Governo do Estado, secretarias dos municípios envolvidos, universidades e entidades, incluindo representações da sociedade civil organizada, representada pelo Instituto Cultural Floresta.

O convite para Unisinos integrar o grupo de parceiras da pesquisa veio porque havia necessidade de ter pesquisadores na região metropolitana, conforme explica a professora da Escola de Saúde Maria Letícia Ikeda. “Canoas foi um dos municípios elencados na amostragem e os pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPEL conhecem e tem trabalhos conjuntos com os professores do nosso PPG em Saúde Coletiva”, comenta.

Crédito: Maria Letícia Ikeda

Trabalho em conjunto

A pesquisa tem como objetivos principais: Estimar o percentual de gaúchos com anticorpos para o vírus SARS-CoV-2; Avaliar a velocidade de expansão da infecção ao longo do tempo; Determinar o percentual de infecções assintomáticas ou subclínicas; e Obter cálculos precisos da letalidade. “O desafio é grande, um estudo desses leva no mínimo seis meses para ser organizado. Neste caso, foi feito em tempo recorde de um mês, entre a solicitação do governo, o desenho de estudo e a montagem das equipes. Como se faria um movimento dessa magnitude, com esta qualidade, rigor metodológico e compromisso sem envolver muitas parcerias?”, questiona Maria Letícia.

Crédito: Maria Letícia Ikeda

Para pesquisadora, o sucesso do estudo se dá devido ao envolvimento científico das universidades. “Tivemos a participação da sociedade civil, o envolvimento dos governos tanto estadual quanto municipal. No município, a adesão ágil e o comprometimento do prefeito, das Secretarias de Saúde, Comunicação e Segurança e da Brigada Militar. Todos esses parceiros foram mobilizados para que pudéssemos ter em campo pelo menos 50 alunos, dentro das comunidades com segurança e executando uma tarefa dentro de um rígido protocolo de pesquisa, com uma metodologia segura e com todos os cuidados de biossegurança”, explica a professora.

Segundo ela, outra importante função das parcerias é proporcionarem um intercâmbio entre as universidades e dentro da universidade entre a pós-graduação e a graduação. “É importante ressaltar que, a partir da segunda rodada, alunos dos cursos de Enfermagem de outras universidades se juntaram à Unisinos para trabalhar no município de Canoas e essa parceria além de fortalecer o trabalho de campo tem proporcionado um intercâmbio entre os alunos o que também é importante do ponto de vista da formação dos estudantes” avalia.

O papel da Unisinos

A Unisinos tem participado da pesquisa desde o início dos trabalhos, com a atuação de 25 alunos e dois professores. Estudantes do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e as graduações em Enfermagem, Biomedicina, Medicina e Nutrição integram o estudo. “Tivemos até 25 alunos em campo e uma das alunas do PPG atuou na capacitação ensinando as regras de biossegurança e o teste rápido. Os professores da Unisinos à frente da pesquisa somos eu e a professora Nêmora Barcellos. Nós participamos desde o início, na preparação do manual de campo, no recrutamento dos voluntários e capacitação”, destaca.

Crédito: Maria Letícia Ikeda

Segundo Maria Letícia, a cada rodada a Unisinos participa do trabalho de campo acompanhando os alunos durante os três dias. “No treinamento é feito um alinhamento de condutas a cada rodada e neste dia todos os alunos são submetidos ao Teste Rápido para Covid-19. Nos dois dias de campo, nós acompanhamos os alunos e supervisionamos as atividades de campo junto com o IPO- Instituto de Pesquisas de Opinião, que é uma instituição contratada pela UFPEL para coordenar o trabalho de campo na questão burocrática e metodológica”, explica.

Além disto, a professora conta que é papel da Unisinos fazer a articulação com o poder público de cada cidade e toda a ação de comunicação social do projeto. “Para além das atividades de campo estamos, semanalmente, acompanhando os resultados e compartilhando com o poder público. Na sequência, trabalharemos com os dados discutindo e analisando para apoiar a gestão local com as evidências. Já foi submetido e aceito um artigo em revista internacional de alto impacto de cuja autoria nós participamos e teremos a oportunidade de, com os dados da pesquisa, produzirmos outros artigos”, afirma.

Primeiros resultados

Desde o início do mês de abril, a pesquisa já passou por quatro rodadas de testagem para Covid-19: de 11 a 13/4, de 25 a 27/4, de 9 a 11/5 e de 23 a 25/5. De acordo com a professora, com a necessidade de seguir monitorando a evolução da pandemia, o Governo do Estado solicitou que o estudo fosse mantido e estão previstas mais quatro rodadas com periodicidade mensal. A próxima testagem está marcada para acontecer de 27 a 29 de junho.

Os resultados da pesquisa são divulgados a cada rodada em coletiva de imprensa do governador do Estado. Confira alguns dos resultados:

Crédito: Comitê de análise de dados
Crédito: Comitê de análise de dados
Crédito: Comitê de análise de dados
Crédito: Comitê de análise de dados
Crédito: Comitê de análise de dados

“Estamos vivendo um momento histórico e esta pesquisa é uma oportunidade tanto para os professores quanto para os alunos de “fazer história”. Estamos participando de uma ação que tem o propósito de contribuir para o controle de uma emergência de saúde pública e trilhando o caminho para a excelência humana e acadêmica que são os pilares da nossa universidade”, finaliza Maria Letícia.