São Leopoldo contará com Farmácia Viva

Parceria entre Escola de Saúde da Unisinos e Prefeitura Municipal foi contemplada pelo Ministério da Saúde para produção de fitoterápicos

VANESSA IORIS - FUNPET

Você já ouviu falar em Farmácia Viva? A partir do primeiro semestre de 2020, São Leopoldo passará a integrar a fitoterapia como opção terapêutica para a população. Isso se deve à parceria firmada entre a Escola de Saúde da Unisinos e a Prefeitura Municipal, que foi contemplada no dia 27/08, por edital do Ministério da Saúde, para a criação da “Farmácia Viva Pe. Clemente”. O nome é em homenagem ao Pe. Clemente José Steffen, que foi professor da Unisinos e pesquisador reconhecido no estudo de plantas medicinais.

Em todo o país, 144 municípios enviaram propostas, mas somente 20 foram selecionados para receber o modelo de Farmácia Viva. O projeto compreende diferentes etapas. Começa pelo cultivo e coleta de plantas medicinais, passa pelo processamento e armazenamento, até chegar na manipulação e distribuição de medicamentos fitoterápicos no âmbito do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Para a coordenadora do Curso de Farmácia da Unisinos, Ana Rita Breier, essa implantação é fundamental para auxiliar na redução do consumo de remédios da medicina tradicional. “Entre as terapias alternativas, a utilização de plantas medicinais e fitoterápicos é uma prática mundialmente consolidada e representa importante ferramenta de caráter complementar ao tratamento de doenças, ao mesmo tempo em que permite à população o contato com sua história, resgatando costumes tradicionais e culturais. No Brasil, entre 2013 e 2015, a busca por tratamentos e medicamentos fitoterápicos pelo SUS cresceu 161%, segundo dados do Ministério da Saúde”, ressalta Ana Rita.

[Novo Café Crédito: Getty Images

A partir do repasse de R$500 mil reais do governo federal para o projeto, será viabilizado um horto para o plantio de 10 plantas medicinais. Elas servirão de fonte de matéria-prima para a manipulação de 10 fitoterápicos. São eles: tintura de melissa, cápsula de maracujá, tintura de boldo, sachê de hortelã, xarope de guaco, tintura de tanchagem, tintura de malva, creme de camomila, pomada de confrei e sachê de camomila. Atualmente, o município disponibiliza apenas um deles, o xarope de guaco, indicado para o tratamento de doenças do trato respiratório.

Segundo a coordenadora da Escola de Saúde da Unisinos, Rochele Rossi, a seleção realizada levou em consideração a viabilidade de cultivo de plantas na região e as características epidemiológicas. “Dos fitoterápicos propostos, três estão presentes na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, Rename. E, os demais, foram escolhidos por já possuírem evidências de eficácia e segurança estabelecida, além de contribuírem para a prevenção e tratamento das principais causas atendidas na rede de saúde, que estão relacionadas à saúde mental e a doenças do aparelho digestivo”, explica.

A parte de produção e cultivo das espécies de plantas medicinais contará com uma área livre de fitossanitários de 4.000 m² e uma estufa de 140 m² e será feita em parceria entre o Centro Estadual de Educação Profissional Visconde de São Leopoldo, CEEPRO, conhecido como Colégio Agrícola, e os cursos de graduação de Ciências Biológicas e Engenharia Agronômica, além do Mestrado em Nutrição e Alimentos da Unisinos. Na área de manipulação de medicamentos fitoterápicos, contemplando todas as etapas de desenvolvimento de formulações e controle de qualidade dos produtos, estará o Curso de Farmácia da Universidade, em parceria com a Farmácia Escola, Agafarma, já adequada aos padrões de qualidade exigidos. A disponibilização gratuita ocorrerá, inicialmente, na Farmácia Municipal e Distrital.

Vinculadas à iniciativa, ocorrerão capacitações de profissionais de saúde sobre o conhecimento das plantas medicinais, por meio de oficinas nas Unidades Básicas de Saúde, nos grupos de convivência comunitária, nas escolas e outros locais a serem definidos. O objetivo será resgatar e valorizar a cultura popular, orientando sobre o uso correto e racional das plantas medicinais, com distribuição de informativos sobre os cuidados essenciais e indicações terapêuticas. Estão previstos, ainda, projetos de extensão e de educação interprofissional, voltados para a qualificação da formação dos alunos de todos os cursos da Escola de Saúde da Unisinos.