Projeto Viva Junto Unisinos é inaugurado

A iniciativa é da Coordenação de Atenção ao Aluno e trabalhará para a melhor qualidade de convivência nos campi

GABRIEL A. OST - AGEXCOM

Ao som de clássicos do rock gaúcho, executados pelo artista mirim Dudu Matos, o evento que inaugurou o Projeto Viva Junto iniciou na noite de segunda-feira, dia 5, na claraboia da Biblioteca. Em uma espécie de auditório de talk show, com muitas cores e luzes, a coordenadora de Atenção ao Aluno, professora Suzana Moreira Pacheco, iniciou com uma explicação sobre o Núcleo de Assistência Estudantil e sobre a Atenção ao Aluno, que trabalha para amparar aqueles que possuem ansiedade, depressão ou estão passando por momentos de solidão.

Suzana apresentou o projeto Viva Junto Unisinos como um espaço que promove relações saudáveis e de convívio comunitário e estimula a cultura da vida comunitária nos campi. Formulado a partir da coleta de opiniões e informações sobre eventos já realizados nos campi, o Viva Junto não só promoverá eventos de convivência e debate sobre temas variados, mas também vai acolher e divulgar encontros que partam da própria comunidade acadêmica, como eventos de colecionadores, clubes de leitura, oficinas e rodas de conversa com a premissa de fomentar o diálogo presencial entre pessoas. As iniciativas divulgadas pelo projeto serão reconhecidas pelo totem do Viva Junto, que traz a marca do projeto e as informações das atividades.

[Aliança para inovação Porto Alegre Crédito: Gabriel A. Ost

Com um astral de bate-papo, os presentes relataram a importância e o impacto da vivência no campus. “Conheci meu melhor amigo na Unisinos” e “minhas madrinhas de casamento estudaram comigo na universidade” foram alguns dos relatos. Para enriquecer a conversa, foram convidados o coordenador do Bacharelado em Filosofia, professor Clóvis Gedrat; a professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Ilana Andreatta; a professora Adevanir Pinheiro, representando o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas da Unisinos; o professor Roberto Araújo, representando o coletivo UniDiversidade, e a aluna do curso de Relações Públicas Verônica Schultz, representando o DCE.

A mediadora do evento, professora Cybeli Moraes, da Escola da Indústria Criativa, propôs uma atividade inicial para os presentes: conversar com alguém que estivesse sentado próximo e que não possuísse afinidade ou não conhecesse. A proposta foi recebida com um pouco de timidez, mas logo o ambiente foi tomado por uma onda de conversas paralelas que durou três minutos.

[Aliança para inovação Porto Alegre Crédito: Gabriel A. Ost

Para melhor reflexão sobre o objetivo do Viva Junto, o evento foi dividido em dois blocos. O tema do primeiro, foi solidão no campus e como fazer com que as pessoas conversem sem precisar utilizar o clichê “será que chove?”. Foram exibidos em um telão, vídeos das pessoas entrevistadas para a formulação do projeto. Após a exibição do audiovisual, os professores convidados e os demais presentes comentaram o tema.

“Quando pensamos na nossa solidão, ela parece vasta, muito grande, mas se formos olhar, tem muita gente que está na mesma situação”, falou Gedrat, pondo em dúvida se a solidão é mesmo tão solitária como parece, já que muitos passam pela mesma sensação. O professor ainda comentou sobre sentir medo de ouvir um “não” e que se deve pensar nas pessoas como indivíduos, com seus defeitos e qualidades, não como adversários que precisam ser ultrapassados a todo o custo. “Ninguém é adversário de ninguém, a vida não precisa ser essa competição todo o tempo”, completou. Sobre a tecnologia, Gedrat recordou que esta “sempre teve a premissa de libertar, mas acabou isolando a sociedade, quando colocada como prioridade”.

A professora Ilana Andreatta comentou acerca do relacionamento digital. Pregou a importância do mundo digital no cotidiano, contudo, ele não deve ser posto em primeiro plano. “Deixar o Tinder um pouco de lado e retomar o que é humano”, aconselhou. Ela ainda contou que o “estar junto” e o “estar só” são ciclos necessários e é preciso aprender a lidar com os melhores momentos que essas situações podem apresentar. “Solidão é algo que existe e é preciso reconhecê-la”, indicou.

Já a professora Adevanir Pinheiro apresentou um outro lado da solidão. “É sempre uma luta esse tema, solidão, pra gente que é negra”, falou. Ela integra o NEABI e comentou que pessoas negras estão sempre se sentindo sozinhas em ambientes de maioria branca. Contou que, quando foi convidada a conhecer a Universidade, há 20 anos, questionou onde estariam os estudantes negros. Obteve como resposta uma afirmação em tons de incerteza, algo como “deve ter”. A partir disso, Adevanir resolveu que sua função seria “cuidar da negritude dentro da Universidade”.

[Aliança para inovação Porto Alegre Crédito: Gabriel A. Ost

Em clima de conversa, o segundo bloco tratou de alternativas para resolver a solidão. Após a exibição de vídeos dos entrevistados, os participantes falaram os lugares que utilizam para a convivência, como Diretórios Acadêmicos, DCE e restaurantes pelo campus. O representante do UniDiversidade, Rede de Estudo e Debate sobre diversidade LGBTQ+, Roberto Araújo comentou que os cursos mais técnicos têm a comunicação mais engessada e que, na aula, é sempre muito difícil fazer trabalhos em grupo. “Quando trabalhamos com outros, treinamos a conversa, algo que muitos dizem não ser fácil e eu confirmo, se fosse fácil se chamaria ‘bolo de chocolate’”, brinca.

Um aluno de psicologia expôs a falta que uma sede concreta faz para um grupo como o UniDiversidade. Ele contou que, apesar de existirem os encontros e os grupos na internet, “é necessário um espaço físico para que a pessoa entre e se sinta capaz de existir, de resistir, de acolher e ser acolhido”, mostra. Os participantes também evidenciaram que muitos profissionais se formam na Universidade com medo de interações e sem saber conversar – o que é fundamental para a vida em sociedade, e está no princípio da empatia.

[Aliança para inovação Porto Alegre Crédito: Gabriel A. Ost

Levando o tema para dentro da sala de aula, uma professora presente na plateia colocou o desafio dos docentes pensarem suas aulas também como um espaço de "viver junto", levantando que os próprios professores também podem se sentir sozinhos, apesar de existirem organizações como a Associação de Docentes da Unisinos (Adunisinos). Encerrando o evento, Cybeli provocou os participantes a “criar, expandir nossa rede e exercitar o afeto”, pois este seria o grande mote do projeto Viva Junto.

O projeto pode ser encontrado na web através da página no Facebook e no Instagram.