Produção comunitária de alimentos

Uma conquista do Grupo Mulheres Unidas da Ocupação Steigleder, com o apoio da Rede Solidária São Léo

KETLIN DE SIQUEIRA

A tarde daquela sexta-feira, 21 de agosto, foi especial para um grupo de mulheres da chamada Ocupação Steigleder, comunidade formada na região Nordeste da cidade de São Leopoldo. Reunidas no galpão, elas realizaram um sonho: o início da produção coletiva dos alimento para as famílias. A recicladora Gislaine Garcia da Silva, que faz parte da coordenação da Ocupação, diz que todas saem ganhando com o projeto: "Não tenho palavras pra dizer o quanto prazeroso é fazer parte desse grupo. Estamos nos aperfeiçoando nas produções e trabalhamos em grupo, uma ajudando a outra”, salienta.

Não eram apenas as moradoras da Ocupação que tinham motivos para comemorar. Professores e voluntários da Rede Solidária, movimento criado no início da pandemia para ajudar as famílias em situação de vulnerabilidade das regiões nordeste e norte de São Leopoldo, também. Conforme a professora do curso de Serviço Social da Unisinos e voluntária da Rede, Marilene Maia esta experiência foi sonhada desde maio de 2019, quando, em um encontro após a enchente que atingiu boa parte das moradias, as lideranças apontaram a importância de ter um espaço para que, entre outras realizações, pudessem produzir o alimento para a comunidade.

Crédito: Divulgação

“Com apoio de muitas organizações e participação dedicada dos moradores, este projeto foi se materializando. Depois de pronto o galpão, ficou mais perto a viabilização da Cozinha Comunitária, que desde março deste ano foi ganhando forma, especialmente pelas ideias e ações das mulheres. Este projeto foi crescendo com os objetivos de produzir o alimento e gerar renda com esta produção. Mas temos um desafio de conseguir mais recursos para terminar de equipar a cozinha e desenvolver os processos de formação para as mulheres em vista da produção para a comercialização”, afirma.

Para Isamara Allegretti, também professora da Unisinos e uma das idealizadoras da Rede, a cozinha foi um grande passo para a união das mulheres da comunidade, além do galpão ter a cozinha comunitária, ele se tornou um espaço de reunião e lugar para formação e capacitação de renda.

A ocupação Steigleder é apoiada pela Rede Solidária São Léo

A Rede Solidária São Léo já beneficiou cerca de 10 mil famílias por meio da distribuição de produtos de higiene e alimentação. Um diferencial da Rede é o fato de que a renda arrecadada serve para a compra de produtos beneficiados que são comprados de pequenos produtores locais, gerando renda e fazendo recircular o dinheiro arrecadado na comunidade. São estes os produtos entregues para as lideranças comunitárias, que fazem a distribuição a partir de um comitê formado por empresas, entidades, líderes locais e professores da Unisinos.

Trata-se das comunidades nas regiões norte e nordeste do município, como Justo, Steigleder, Progresso, Renascer, Bom Fim, Cootrahab, Esperança, Vitória, Tancredo, Container, Anita e Redimix, que carecem de infraestrutura básica, como condições precárias de moradia, de segurança alimentar e de sanitária, situação agravada com a disseminação da Covid-19.

Conforme a professora Isamara Allegretti, apoiar estas comunidades é um aprendizado diário de competências importantes para o futuro e um compromisso ético de não deixar ninguém para trás. “A oportunidade de estar em contato com pessoas que olham para o mundo com um propósito similar é encorajador, frente a tantas adversidades e desigualdades sociais”, comenta.

Para Marilene Maia, é um privilégio estar acompanhando o trabalho diretamente com as comunidades apoiadas pela Rede. “Tenho o prazer de contribuir para termos uma sociedade mais solidária. Aliás, a Rede já é resultado de um trabalho anterior, que fizemos ao longo do ano de 2019, que foi denominado de Missão pela Moradia Digna na cidade de São Leopoldo”, comenta.

A transparência no processo de doações, da logística de compra e distribuição dos alimentos, além da maneira de doar, são os diferenciais da Rede Solidária São Léo. Em todas as segundas-feiras, a prestação de contas da semana é publicada nas redes sociais (Instagram e Facebook), como também as informações sobre reuniões e distribuições realizadas.

Sobre o projeto

Crédito: Divulgação

A Rede Solidária São Léo é resultado da Missão pela Moradia Digna na cidade de São Leopoldo. Iniciada em março de 2019, promovida pela Unisinos, através do Instituto Humanitas (IHU), várias organizações se somaram à iniciativa:

  • Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH)
  • Centro de Direitos Econômicos e Sociais (CDES)
  • Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM)
  • Comunidade das Missionárias do Cristo Ressuscitado — CMCR
  • Engenheiros pela Comunidade, e as lideranças das comunidades em situação de vulnerabilidade
  • Na atual configuração da Rede, além das entidades da Missão, também estão participando: voluntários de cursos da Unisinos (Gestão para Inovação e Liderança, Engenharia Química, Farmácia, Serviço Social, Jornalismo, Moda e Engenharia Ambiental)
  • Ação Social da Universidade
  • Agência Experimental de Comunicação da Unisinos (Agexcom)
  • Programa de Pós-Graduação em Mecânica e Civil
  • Espaço Colaborativo de Fomento à Extensão Universitária da Unisinos
  • Associação dos Docentes da universidade (Adunisinos)
  • Associação de Meninos e Meninas de Progresso (Ammep)
  • Coletivo Ocupa Feminista
  • Manjabosco Decor
  • Interventura Urbanismo Colaborativo
  • Grupo Araçá de Consumo Responsável
  • Redes socioassistenciais Nordeste
  • Centro/Sul de São Leopoldo e Rede de Ação Solidária São Leopoldo COVID 19