Novos olhares sobre a educação escolar

Programa de Educação e Ação Social

BETINA ALBÉ VEPPO - ESPECIAL

O modelo escolar, como o conhecemos hoje, foi criado no século XVII e, desde então, muitas práticas persistem. Se não há como fugir do modelo escolarizado, que se repensem os caminhos do processo de ensino e aprendizagem na escola. É dentro desse escopo que o Programa de Educação e Ação Social - Educas atua. Um espaço que lida com esse processo a partir da articulação entre escola, família e estudantes. “É necessário entender que os desafios contemporâneos são outros.

Neste espaço, buscamos discutir a aprendizagem que não está apenas vinculada ao ambiente escolar”, destaca Rejane Klein, coordenadora do Educas. A estagiária de Pedagogia Josiane da Silveira atuou no Educas no segundo semestre de 2016 e um dos pontos positivos que ela destaca é a coletividade. Para ela, a empatia foi fundamental no próprio processo de aprendizagem da área. “Às vezes, no espaço escolar não temos tempo de dialogar com outras áreas e construir um pensamento coletivo. Esse foi um dos meus maiores aprendizados aqui”, observa.

[ Menina lendo jornal do Educas Crédito: Rodrigo W. Blum

Segundo Josiane, um dos objetivos do grupo é também desconstruir a ideia de que um sujeito é incapaz de aprender. “Os alunos são muito cobrados na escola pelo resultado. Quando se marca alguém como fracassado, a pessoa assume essa posição. Mas a aprendizagem não acontece de uma única forma, nem em um único tempo”, avalia. Colocar em evidência o processo de construção do conhecimento é uma das formas de intervenção desenvolvidas. “O professor não é o dono da verdade. Nosso objetivo é desacomodá-los. Em momento algum trazemos as respostas prontas. Trazemos questionamentos, para que as crianças cheguem às próprias conclusões”, afirma.

Uma das atividades realizadas, no projeto, pela estudante de Psicologia Luana Teixeira foi o nomeado “trem da vida”, em que se colocam em discussão aspectos de família, de escola e de diversidade. “Eu percebi que uma das carências da turma era nomear as emoções. Eles não conseguiam expressar-se verdadeiramente. E, depois da atividade, passaram a se expressar melhor, a substituir a agressividade pelo diálogo, a entender mais o outro”, conta.

O Educas também oferece atendimento psicológico às famílias. A estagiária de Psicologia Letícia Correa, que atuou com grupo de pais no Educas, afirma que a principal questão que toca às famílias é como o modelo escolar tradicional não atrai nem compreende as crianças. Diante da situação dos filhos, os pais dizem sentir-se incapazes.“Se ele aprende, a família é boa. Se não aprende, a família é incompetente”, desabafam os integrantes do grupo sobre a escola, conta Letícia.

Entre as questões fortemente trabalhadas, seja no grupo de pais, seja com as crianças, está o debate de gênero. De acordo com Letícia, a divisão de “espaços de meninas” e “espaços de meninos”, na escola, ainda tem sido barreira significativa para o avanço da aprendizagem. “A maioria dos estudantes que frequentam o Educas é de meninos, porque se entende que eles são mais ‘indisciplinados’. Não tiram um momento para entendê-los, porque eles são considerados difíceis de lidar’”, relata, fazendo uma crítica à construção social das identidades de gênero.

Mais oportunidades

Um movimento que nasce em 2016, e deve colher frutos nos próximos anos, é a curricularização do projeto Educas, cujo objetivo é inserir ainda mais a ação social nos cursos de licenciatura e aproximar a Universidade da comunidade de São Leopoldo. A iniciativa vai proporcionar que se amplie a atuação dos acadêmicos das licenciaturas dentro das escolas.

Com isso, o projeto busca aumentar o número de estágios curriculares e a ampliar estágios para outros cursos de licenciaturas, tais como Letras e Matemática. “Trata-se de uma oportunidade para os acadêmicos de se aproximarem da escola; considerarem a inclusão; e visualizarem a diferença, para além da sua área específica”, finaliza Rejane.

*Esta matéria foi produzida em 2017 e refere-se ao Balanço Social 2016.