Gestão de crise no futebol: o case do Grêmio

EDUARDO HERRMANN

Uma das grandes paixões dos brasileiros, o futebol é uma das atividades que pararam com a pandemia do coronavírus. Sem as competições regionais, nacionais e continentais e a receita que elas trazem, os clubes tiveram que se readaptar. A experiência do Grêmio nesse contexto foi o tema da palestra de Carlos Amodeo na quarta-feira (15) no Conecta+.

Crédito: Lucas Uebel

O CEO do clube porto-alegrense coordenou os esforços de gestão de crise e criação do plano de contingência para superar o momento crítico. Um processo que exigiu um trabalho rápido e árduo de gestão.

A primeira atitude foi criar um comitê de gestão de crises, que contou com Amodeo, o presidente e os integrantes do conselho de administração gremista. Foram discutidos os principais pontos a serem considerados no momento: dimensionamento do impacto da crise nos negócios do clube, duração e perdas e prejuízos estimados.

Essas estimativas foram a base para a elaboração do plano de contingência, focado em dois objetivos estratégicos. "O primeiro era assegurar a sustentabilidade do clube no curto, médio e longo prazo. Porque a lógica financeira imediata é importante, mas no médio e longo prazo, a vida tende a retomar o rumo da normalidade, e precisamos nos readequar a ela rapidamente", explicou o CEO do Grêmio.

O outro objetivo do plano é a preservação da responsabilidade humana e social do clube, o que inclui a atenção aos oito milhões de fãs, aos colaboradores e à comunidade que vive no entorno da Arena do Grêmio, no bairro Humaitá.

"Dentro desses objetivos, trabalhamos com três eixos de atuação: econômico e financeiro, marca e relacionamento e relações trabalhistas e ações sociais. Todos eles se inter-relacionam", contou Amodeo.

No eixo econômico e financeiro estavam ações como a revisão do orçamento anual, a rescisão e renegociação de contratos não essenciais com fornecedores, a readequação financeira de atletas profissionais e comissão técnica, fomento a vendas online e ações de retenção de sócios.

Quanto ao quadro de funcionários, o Grêmio trabalha com o objetivo de não demitir nenhum colaborador. Até agora foi possível cumprir a meta, aproveitando as novas regras instituídas por medidas provisórias, concedendo férias e suspendendo (em vez de rescindir) contratos de trabalho, com compensação posterior.

"Foi tudo metodologicamente pensado, o clube não fez essas ações de modo aleatório. Planejou todas as questões com muita agilidade, de modo profissional, com as melhores práticas de gestão para ter os melhores resultados", garantiu o CEO.

Por enquanto, os objetivos estabelecidos vêm sendo cumpridos. Com o fim da pandemia, o plano prioritário do executivo será acelerar o processo de transformação digital do clube e ampliar a sua participação no mercado — não só do futebol, mas do entretenimento.

A programação do Conecta+ continua até o dia 17 de julho. Acesse o site do evento e confira mais conteúdos sobre temas relevantes do presente e do futuro.