Dia da Consciência Negra

Data foi marcada por reflexão e debate

MICHELLI MACHADO

O dia 20 de novembro é uma data para refletir, debater e propagar a história do grande herói, Zumbi dos Palmares, e de tantos outros homens e mulheres negras que não tiverem seus nomes gravados na história, mas fizeram parte dela, pois lutaram por liberdade e justiça. Mais de um século se passou desde a abolição, e a luta por igualdade e respeito continua.

Na Unisinos, na Semana da Consciência Negra, o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas – Neabi realiza um almoço de confraternização e formação para colaboradores afrodescendentes e convidados, com como objetivo de celebrar a data que marca a resistência da população negra. Esse ano, o evento aconteceu na última sexta-feira, 22/11, no Centro de Esporte e Lazer, Campus São Leopoldo. Entre os temas abordados nas atividades de formação, estavam a saga das mulheres negras, o empreendedorismo de mulheres negras e a ecologia integral da casa comum.

[Almoço Neabi Consciência Negra Crédito: Rodrigo W. Blum

A coordenadora do Neabi, professora Adevanir Pinheiro, lembrou que esse é o nono ano que o evento ocorre e falou um pouco da importância da data. “Precisamos trabalhar a consciência negra sempre e não apenas uma semana. A nossa luta é grande, salve Zumbi, salve Dandara, salve Marielle e as branquitudes que vão tomando atitude dentro dessa Universidade”, destacou.

[Almoço Neabi Consciência Negra Crédito: Rodrigo W. Blum

“Nós como Brasil, temos uma dívida histórica com o povo negro e temos que fazer o possível para resgatar”, enfatizou o vice-reitor, Pe. Pedro Gilberto Gomes. O reitor, Pe. Marcelo Fernandes de Aquino também fez uso da palavra e afirmou: “O Brasil foi construído para que a desigualdade desse certo, e o racismo é uma das faces da desigualdade. Temos que construir uma pátria igual para todos”.

[Almoço Neabi Consciência Negra Crédito: Rodrigo W. Blum

Elisabeth Natel, integrante do Neabi, ministrou a primeira palestra sobre a saga profissional das mulheres negras em três universidades gaúchas. A falta de profissionais afrodescendentes nesses espaços foi o que motivou o trabalho da pesquisadora. “Os relatos coletados durante a pesquisa foram doloridos e mostraram o racismo no trabalho e como está longe de acontecer uma parceria entre mulheres brancas e negras”, apontou.

[Almoço Neabi Consciência Negra Crédito: Rodrigo W. Blum

A egressa do curso de Administração da Unisinos, Alice Silva Moreira, falou sobre o empreendedorismo das mulheres negras, tema estudado em seu TCC, com foco na importância da educação para empreender. “Eu entrevistei sete mulheres de diferentes segmentos e percebi que o empreendedorismo das mulheres negras vem da necessidade e não da formação. Elas não empreendem porque sonharam, mas porque precisam. Uma visão diferente do que a academia mostra quando fala em empreendedorismo”, explicou.

[Almoço Neabi Consciência Negra Crédito: Rodrigo W. Blum

O diretor do OLMA e de Ação Social da Província dos Jesuítas do Brasil, Pe. José Ivo Follmann, fez uma reflexão sobre a ecologia integral, o cuidado com a casa comum, o reconhecimento da dignidade das pessoas e o compromisso com uma sociedade mais justa. “A sociedade está entrando em colapso ambiental e social. Em 2050, se as tendências seguirem como estão, cerca de dois bilhões de pessoas estarão abaixo da linha da dignidade humana, dessas, 75% serão negros. O grande desafio que se coloca é como podemos reverter essa rota de colisão”, finalizou.

Confira mais fotos do evento:

Almoço e Formação Neabi dia da Consciência Negra

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