Conhecimento que gera segurança

Estudantes de Engenharia Elétrica colocam em prática seus aprendizados para melhorar escolas públicas

RENATA CARDOSO

Usar o conhecimento acadêmico para promover transformações sociais é um dos principais benefícios da união entre teoria e prática. As intervenções na realidade podem ser muitas, desde o despertar de consciências até mudanças estruturais, que tornam ambientes mais saudáveis e seguros para o ensino.

Proporcionar segurança para a comunidade de diversas escolas é o objetivo de uma parceria entre o governo do Estado do Rio Grande do Sul e diferentes universidades, que promove a reforma da rede elétrica de instituições públicas. Nela, estudantes de Engenharia Elétrica visitam as escolas, fazem vistorias de toda rede elétrica local, de acordo com as especificidades e necessidades de cada instituição. Germano Artur Rick foi um dos estagiários que participou do projeto. Para ele, a oportunidade garantiu a possibilidade de ter uma visão mais prática da área. 

Durante os oito meses em que esteve inserido na atividade, Germano fez projetos do início ao fim, com o suporte de um engenheiro já formado, que era o supervisor. Além disso, o estudante contou com o apoio de diversos professores do curso.  Para ele, a autonomia e a possibilidade de acompanhar todas as etapas da realização de um projeto elétrico foram aprendizados que fizeram a diferença em sua formação, tornando-a mais completa. “No estágio temos que atender demandas reais, com seus detalhes e dificuldades, como as normas de segurança para as crianças do maternal”, destaca. 

Além disso, poder atuar na transformação de um ambiente que abriga crianças também é uma forma de ajudar a sociedade. “Existem muitas escolas que têm uma realidade bem longe do ideal, quando se fala em projeto elétrico. Na primeira escola que visitamos, nos falaram de dois incêndios por causa de danos na rede elétrica. Então, tornar a escola um ambiente adequado para as crianças e exercer a prática de como melhor adequar o projeto à realidade de cada local, foram aspectos que me chamaram a atenção. As diretoras gostavam muito das nossas visitas, pois significava que os problemas, pelo menos os elétricos, seriam resolvidos de forma integral, e que tinha um prazo para ser realizado, seria algo que sairia do papel”, comenta o estudante.

O coordenador da iniciativa na Unisinos, Armando Leopoldo Keller, acredita que o projeto é muito importante tanto para os estudantes da graduação, como para os alunos das escolas que vão receber as reformas, pois esses estarão em um ambiente muito mais seguro e adequado. “Para os nossos alunos é uma importante oportunidade de desenvolver um projeto mais completo, que agrega bastante aos seus currículos”, garante.

Como funciona

O Estado recebe as solicitações das escolas que precisam de reformas e passa essas demandas para as universidades. Um grupo de estagiários vai até as instituições fazer a vistoria e, um deles, recebe a tarefa de atender aquela escola. A seguir, o projeto é acompanhado por um engenheiro do Estado. “Eu participei de quase todas as vistorias. Em cada uma delas iam três estagiários, um era o encarregado de fazer o levantamento fotográfico, o outro de fazer as anotações na própria planta e o terceiro de anotar os pontos de atenção que encontrasse”, finaliza Germano.