CEOs, tendências e uma universitária

Ponto de vista de aluna do GIL que acompanhou o CEO Fórum, da AMCHAM

VICTORIA LOPES LACERDA
29 de Outubro de 2014 - 10:28 | Atualizado: 04 de Novembro de 2014 - 10:38

Como propósito do evento, o CEO Fórum teve o objetivo de provocar reflexões e conexões. Engraçado que, apesar de algumas abordagens terem sido novas, os contextos dos principais tópicos estavam muito perto do meu dia-a-dia (E eu sou apenas uma universitária!). A todo tempo eu relacionava o que os palestrantes falavam com histórias, experiências e conceitos que eu vejo em sala de aula.  É como se eu entendesse toda a lógica de liderar um grande negócio, ter visão de futuro para lidar com desafios e montar uma estratégia competitividade para manter-me sustentável. 

[Victoria dá seu ponto de vista sobre o evento CEO Fórum, da AMCHAM

Na abertura do evento, Nizan Guinaes colocou toda a sua energia na importância da gestão da marca, do marketing, e principalmente de desvendar novos mercados: os internacionais. Não é a toa que eu escolhi um curso que me proporciona a oportunidade de ter duas experiências internacionais, oficinas que abordam cultura, liderança global, gestão da mudança e internacionalização de empresas. Ah! E claro, o marketing é presente em grande parte do curso, porque a partir do segundo ano, trabalhamos em diversos projetos como criação de produto, plano de negócios e planejamento estratégico, que prezam por uma estratégia de marketing efetiva e uma boa proposta de valor para os clientes.  

Dando continuidade ao evento, Flávia Moraes fala da importância da linguagem, da expressão, de estímulos subjetivos e da entrada ao tópico inovação. Nesse momento, foi impossível não lembrar das oficinas de Comunicação e Expressão, que desde o primeiro semestre me ajudaram a desenvolver minha capacidade de expressão, seja ela oral ou escrita. Ainda, lembrei das oficinas de língua inglesa, em que muitas vezes trabalhamos com vídeos do TED, os quais nos fizeram refletir sobre diversos tópicos, dentre eles a subjetividade da marca Apple, que ao vender o “porque” em vez de “o que” em suas estratégias de marketing, conquistou fãs fiéis a sua razão de existir, ao seu propósito como marca.  

João Cavalcanti trouxe o conceito de “mindfulness”, de prestar atenção em si mesmo, se autoconhecer. É incrível o quanto que o curso me fez amadurecer e reconhecer a mim mesma, seja pelos diversos estímulos de sair da zona de conforto, seja pelas oficinas de comportamento humano e liderança, ou mesmo pela simples dinâmica de trabalhar em grupo freqüentemente.  Não conheço um aluno ou ex-aluno do meu curso que não aprendeu “na marra” a lidar com as diferenças e a encontrar uma sinergia para trabalhar em grupo.

Diferente dos outros palestrantes, Silvio Mattos trouxe o que não fazer hoje. Ele falou para valorizar o diferente e não mandar embora os malucos da empresa, que querem mudar paradigmas. Confesso que nesse momento eu realmente me identifiquei, pois sempre me senti uma aluna de negócios com um perfil um pouco diferente do comum. Sou criativa e puxo para um dom mais artístico, valorizo e me interesso por aspectos sociais, gosto de compreender as pessoas, e os aspectos subjetivos. Talvez eu teria mais dom para o Design. Mas, apesar de eu ser assim, os meus professores sempre tentaram aproveitar o melhor de mim para os negócios e, ao longo do curso, eu descobri que eu tenho dom pra isso também! Afinal, como Thiago Mattos disse, mesmo que de uma forma indireta, o profissional de hoje tem que ser sistêmico, multitarefa, tem que servir para diversas situações. Nesse sentido, colocou também a importância da rede, da colaboração e de empreender, dentro ou fora da empresa. Me senti ainda mais por dentro dos assuntos.

No primeiro ano do curso aprendi sobre pensamento sistêmico e, desde então, ele nunca se desgrudou de mim e de meus colegas. Todas as “cadeiras”, ou melhor oficinas, são sistêmicas, isso significa que ao longo do curso trabalhamos em projetos, com oficinas que se conversam. Tivemos também oficina de Redes, como elas funcionam, como isso pode ser uma estratégia de negócio e as tendências como crowdfunding ou crowdsourcing, ou mesmo a própria inovação aberta. Por fim, por acaso, neste semestre, estou tendo oficinas de empreendedorismo e perfil empreendedor, que me fizeram despertar o meu espírito empreendedor e fazer acontecer projetos que antes só estavam no campo das idéias. 

Ao final do CEO fórum pude perceber o quão preparada que o GIL me deixou. Me resta apenas mais um semestre de curso, porém sinto que já estou bem orientada para seguir meu próprio caminho e tomar decisões, seja no mercado de trabalho, ou onde quer que eu queira estar.

Mr. Creativity, responsabilidade social e liderança

Dando continuidade à minha participação como universitária no CEO fórum, gostaria de trazer três tópicos importantes, aos quais eu já havia visto ao longo da minha graduação: Responsabilidade Social, Inovação e Liderança. 

Me familiarizei com a responsabilidade social no meu segundo semestre de GIL, quando eu e meus colegas recebemos o desafio de gerenciar um projeto social. Nesse momento, começamos de verdade a entender a importância de pensar na sociedade, de ter empatia e ajudar. E não só isso. Desenvolvemos capacidade de liderança, vendas e argumentação, pois precisávamos que as pessoas comprassem a nossa idéia, abraçassem a nossa causa. Não muito distante da responsabilidade social, vem a Inovação. Que como muitos palestrantes afirmaram ao longo do fórum, é uma palavra difícil de definir. Apesar de difícil, ela me acompanha desde o primeiro semestre, que tive que apresentar algo ou alguém que tivesse sido inovador para o mundo. Naquela época, em 2011, lembro que apresentei a Coco Chanel, que quebrou o status quo da sociedade, ao criar uma oportunidade para que mulheres pudessem usar calças. A inovação quebra paradigmas, muda o contexto em que vivemos.

[John, como parte de sua apresentação, tocou piano para explicar os processos criativos

Ao longo do curso, entendi que existem diversos tipos de inovação e que ela não é apenas inventar algo novo. John Kao (“Mr. Creativity”) definiu a inovação como “um conjunto de capacidades que permitem a realização contínua de um futuro desejo”. Falou também que a criatividade é um processo livre e ao mesmo tempo com estrutura. Para isso, como ele mesmo citou, existem diversos tipos de inovação: social, aberta, reversa, digital, de grande escala, sustentável e outras. Senti que para muitos dos espectadores, esses eram conceitos desconhecidos, ao mesmo tempo que eu reconhecia o que John estava dizendo.

A Inovação, apesar de se encaixar em muitos contextos, não é apenas ter uma idéia brilhante, que surge do nada e acontece. Nas oficinas de inovação aprendi que é possível criar uma cultura e um ambiente propício para inovação, que existem processos para aplicá-la e validá-la. E que só inventar não é suficiente. Tem que ter valor percebido por todos, tem que trazer benefícios, melhorar o que já existe. Descobri que a inovação não acontece só por talentos de especialistas, ela acontece em conjunto, em cocriação na busca pela solução de algum problema. De acordo com Kao, enxergou também a importância das lideranças, mesmo que informais, na construção de uma inovação, pois são elas que conectam pessoas, que investem nas capacidades certas para fazer acontecer.

Por fim, uma lição que eu tirei do CEO Fórum sobre inovação e liderar empresas é que para se diferenciar hoje, ou amanhã, precisamos de boas lideranças, que saibam investir em pessoas que façam a diferença, que não tenham medo de ousar, arriscar, que saiam da zona de conforto e que, também, nos tirem da zona de conforto. E que consigam fazer isso sem se esquecer da responsabilidade com a sociedade, com o meio ambiente. Esses são os que resolvem problemas, mudam paradigmas e fazem história.