Atrações do céu de verão

LUIZ AUGUSTO L. DA SILVA - FÍSICO, ASTRÔNOMO E PROFESSOR DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNISINOS

O ano novo que se aproxima, promete diversos atrativos celestiais, ao alcance daqueles que vão sair de férias. São fenômenos astronômicos que podem ser vistos da praia ou serra, e das grandes cidades também.

Superluas, Luas Azuis e a Lua de Sangue

Em janeiro teremos duas Luas Cheias. Detalhe: as duas serão “superluas”. Embora não seja uma expressão considerada “científica”, superlua é uma Lua Cheia que coincide aproximadamente com o perigeu lunar, isto é, a menor distância da Lua à Terra.

[ Foto da superlua atrás de prédios Crédito: Getty Images

A primeira superlua acontecerá já no dia 2 de janeiro, às 0h24, horário brasileiro de verão. Às 19h54 do dia 1°, a Lua passa pelo perigeu, distando 356.566 quilômetros da Terra. A segunda Lua Cheia do mês será dia 31, às 11h27. Um novo perigeu se verifica no dia anterior, 30, às 07h54 (distância da Lua à Terra de 358.995 km). Além de “superlua” essa também será uma “Lua Azul”.

A expressão Lua Azul é usada principalmente na América do Norte, para se referir à ocorrência de uma segunda Lua Cheia dentro de um mesmo mês do calendário. Isto é possível porque um mês possui geralmente 30 ou 31 dias, e o período de tempo entre duas Luas Cheias consecutivas, também chamado “período sinódico”, é de apenas 29 dias e meio. Mas trata-se de uma expressão figurada, porque a Lua não irá assumir nenhuma coloração diferente da prateada tradicional, talvez para a decepção dos gremistas de plantão. 

Falando em gremistas, também os colorados que se alegrem porque, pelo menos para os australianos e asiáticos, a superlua azul vai virar temporariamente vermelha, em virtude da coincidência da segunda Lua Cheia de janeiro, com um eclipse lunar total! Durante o período de obscurecimento, do nosso satélite pela sombra da Terra, é comum a Lua assumir uma coloração residual marcadamente vermelha. O fenômeno é conhecido também popularmente como “lua de sangue”, e se deve ao desvio dos raios solares para dentro do cone de sombra terrestre, provocado pela refração da luz do Sol na nossa atmosfera.

Exageros

Mas é preciso atenção: uma superlua não aparece “absolutamente enorme” no céu, como a mídia frequentemente anuncia. Em relação a uma Lua Cheia média, o diâmetro resulta apenas cerca de 8% maior, e o brilho, ao redor de 16% incrementado. A coincidência com o perigeu também irá acarretar marés oceânicas mais intensas.

O que pode acontecer é uma confusão produzida pelo efeito chamado “ilusão da Lua”: quando nosso satélite é visto perto do horizonte, parece duas ou três vezes maior que o normal. Mas trata-se de um efeito psicológico, produzido dentro do cérebro humano. A melhor maneira de se convencer disso é pegar seu smartphone e fotografar a Lua Cheia nascendo (ao redor das 19 horas), e mais tarde alta no céu (mais ou menos à meia-noite). Compare as duas imagens e você verá que o tamanho da Lua é o mesmo em ambas! A “ilusão da Lua” acontece com qualquer fase lunar vista perto do horizonte, portanto não é privilégio da Lua Cheia, muito menos de uma “superlua”.

Por causa das duas Luas Cheias de janeiro, fevereiro não terá Lua Cheia. Em compensação, março voltará a ter dois plenilúnios, um dia 1°, às 21h51, e outro dia 31, às 9h37, (novamente uma “Lua Azul”). Mas desta vez não haverá coincidências, nem com perigeus nem com eclipses.

Encontro de Júpiter e Marte

Deus ajuda a quem cedo madruga, certo? Pois aqueles que se levantarem cedo todos os dias, por volta das 5 horas durante a primeira quinzena de janeiro, poderão conferir uma incrível aproximação aparente entre Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, e Marte, o popular “planeta vermelho”. Olhando para leste, será possível acompanhar a mudança de posição diária de um planeta em relação ao outro. Durante a primeira semana do ano, eles vão ficar cada vez mais próximos. No dia 7, ocorrerá a maior proximidade, apenas um quarto de grau, ou metade do diâmetro da Lua Cheia. Na semana seguinte, os dois planetas lentamente se afastam um do outro, mas na madrugada do dia 11 a Lua minguante passará por perto, formando um triângulo com eles. Júpiter é o mais brilhante e amarelo, e Marte tem brilho menor.

Eclipse Solar

E o que vai ser de sobremesa? Que tal um eclipse parcial do Sol, no fim da tarde, durante o ocaso do Astro-Rei? Dia 15 de fevereiro, a partir das 19h47 (horário de verão), a Lua começa a encobrir o Sol. Para os gaúchos, a visibilidade do fenômeno se encerrará com o pôr do Sol, às 20h09, quando então apenas 4,2% da área do disco solar estará eclipsada.

É importante lembrar que não se deve olhar o Sol diretamente, sem proteção adequada. Um vidro de máscara de soldador número 14, fácil de encontrar nas ferragens além de muito barato, é uma boa pedida para garantir uma observação tranquila.