Aula aberta discute a representação política e social do Bitcoin

Encontro com o sociólogo Edemilson Paraná foi fruto de uma parceria com o curso de Jornalismo e o PPG em Comunicação

PEDRO HAMEISTER - PORTAL MESCLA

Na noite da última quarta-feira, 11/11, o curso de Jornalismo, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, fez uma aula aberta com o sociólogo Edemilson Paraná sobre seu livro “Bitcoin: a utopia tecnocrática do dinheiro apolítico”. O encontro foi ministrado pelos professores Maria Clara Aquino Bittencourt e Rafael Grohmann, com transmissão pelo canal do YouTube da Beta Redação.

Paraná é mestre e doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), sendo atualmente professor da Universidade Federal do Ceará (UFC). Também foi pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e fez estágio pós-doutoral nos Departamentos de Economia e de Estudos Latino-Americanos da UnB. Também é autor do livro “A Finança Digitalizada: capitalismo financeiro e revolução informacional”, publicado em 2016, e possui trabalhos publicados nas áreas de Sociologia Econômica, Economia Política e Teoria Social.

Em sua palestra, Paraná explicou os fundamentos do que o dinheiro representa, o surgimento do Bitcoin, o papel dele no capitalismo contemporâneo o que ele pode significar para o futuro. O sociólogo começou sua fala dizendo que o dinheiro vai muito além de uma troca econômica. Ele é, na verdade, uma relação social, um mecanismo de representação e realização do valor. E o dinheiro é, ao mesmo tempo, uma propriedade privada e um bem público, pois sua gestão está nas mãos do Estado.

Já o Bitcoin é uma criptomoeda – ou seja, um sistema criptográfico – criada em 2009 no qual a troca econômica é feita de forma anônima. Conforme Paraná, ele é resultado do avanço da internet, do mercado de algoritmos e, principalmente, de movimentos político-ideológicos como o dos hackers, ciberativistas e cyberpunks. A proposta do Bitcoin é ser uma moeda que pode ser utilizada para transações financeiras sem presença do Estado.

“O Bitcoin é como um filho rebelde do neoliberalismo. Ele surgiu como uma forma de contornar a crise econômica que se alastrou no mundo em 2008, e deve muito, digamos, à geração filha daquela crise, com seu conjunto particular de representações e convicções a respeito das relações entre Estado e capital”, explicou o professor.

Crédito: Divulgação A aula aberta com Edemilson Paraná teve mediação dos professores Maria Clara Aquino Bittencourt e Rafael Grohmann

A aula aberta teve cerca de uma hora e meia de duração e foi assistida por aproximadamente 30 pessoas. Além de explicar o contexto político e social do Bitcoin, Paraná também respondeu às questões tanto da audiência quanto dos professores que ministraram o encontro.

Conforme a professora Maria Clara Aquino Bittencourt, a aula com o professor Edemilson Paraná foi realizada por ele ser um pesquisador que transita por questões econômicas a partir de uma perspectiva sociológica, e foi um encontro muito proveitoso para todos que assistiram.

“Tivemos não só uma aula sobre como o Bitcoin funciona, mas também sobre como essa moeda tem questões muito complexas para serem exploradas em nossa atual economia capitalista”, diz a professora.

O professor Rafael Grohmann complementa que o palestrante é, hoje, um dos mais promissores especialistas na relação que há entre economia e tecnologia, e teve seu nome indicado para uma aula aberta por ele ser capaz de trazer uma visão crítica a respeito do Bitcoin. E o evento foi exatamente o que ele esperava.

"O Edemilson já tem um histórico de colaborações com a Unisinos, principalmente no Instituto Humanitas, e a aula com ele faz parte de uma relação cada vez maior que vem sendo feita entre a graduação da Indústria Criativa e a pós-graduação”, afirma.

Interessados em assistir à aula na íntegra, podem conferir aqui.