Aluna da Biomedicina é destaque no Prêmio HCPA

Melissa, com suas ilustrações, fez um comparativo entre exames laboratoriais e um dispositivo elaborado no itt Chip

MATHEUS N. VARGAS

A estudante do curso de Biomedicina, Melissa Alves, recebeu o prêmio destaque no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Melissa fez um comparativo entre o método laboratorial de mensurar a coagulação sanguínea e o dispositivo microfluídico Point of Care, um dispositivo elaborado no itt Chip.

Crédito: Melissa Alves

O trabalho da futura biomédica foi intitulado como: Comparação entre as faixas de RNI em dispositivo microfluídico Point of Care e Método Laboratorial Padrão Ouro em pacientes que fazem uso de anticoagulantes orais. “Trazendo para uma linguagem popular, ficaria: Comparação do tempo de coagulação do sangue em Dispositivo portátil de papel X Método usado em laboratório em pacientes que fazem uso de anticoagulantes orais”, explica Melissa.

A graduanda conta que o dispositivo foi elaborado pensando no cenário atual de pacientes que fazem uso de anticoagulantes orais, medicamentos que visam o controle sanguíneo do indivíduo. “Evitam que a pessoa tenha um sangue muito fino, que leve a sangramentos graves ou até mesmo que tenha um sangue muito grosso, o que pode entupir os vasos sanguíneos, levando a diversos riscos, como por exemplo, o AVC”.

Porém, Melissa alerta que essas pessoas precisam controlar esses medicamentos com cuidado, pois uma dose errada pode levar até a morte. Tais medicamentos são controlados medindo o tempo que o sangue do indivíduo demora para formar um coágulo, em laboratório, esse exame é chamado de tempo de protrombina, que é o produto final da coagulação, ou seja, quando nos cortamos, o sangue só para de escorrer do machucado quando forma um coágulo. E esse tempo é usado para se calcular o RNI, que é um valor padronizado internacionalmente”, sinaliza a estudante.

Crédito: Melissa Alves

Fazer o controle dos medicamentos não é nada simples, pois existe uma burocracia a ser seguida para que os exames sejam realizados.

“É necessário pegar autorização no hospital para poder ir em um laboratório fazer a coleta de sangue. Depois da coleta, o sangue pode ser enviado para outro laboratório, só daí é feita a análise do sangue e liberado o resultado, que novamente precisa ser levado ao hospital ou ambulatório para que façam o ajuste da dose de medicamentos do paciente”, afirma Melissa.

Acontece que esses medicamentos são chamados de tempo dependentes, que quer dizer que a demora nos resultados levam a pessoa a tomar uma dose de medicamento que reflete a sua necessidade no momento da coleta, não a 15 ou 30 dias depois. “Sem contar toda a logistica de deslocamento faz com que muitos desistam desse controle”, lamenta a estudante.

Com o intuito de resolver esse problema, surgiu o dispositivo microfluídico Point of Care. Um dispositivo que mede coagulação a partir da coleta de sangue na ponta do dedo do paciente e os resultados são obtidos em segundos, pode ser realizado em qualquer lugar por ser portátil, além de um baixo custo.

“Esse projeto faz parte da validação do dispositivo de coagulação sanguínea desenvolvido inicialmente no itt Chip e agora possui registro internacional pela empresa Biosens. Inicialmente, foi o projeto de TCC, que se estendeu para o mestrado da minha amiga e colega Julia Konzen Moreira, orientada pela professora Priscila Lora, assim como envolve muitas outras pessoas na equipe do projeto”, conta a estudante.

Os planos iniciais de Melissa eram de se formar em 2020/2, mas a pandemia fez com que as coisas não saíssem como o esperado. “Isso me abriu muitos caminhos para que eu investisse na minha carreira como ilustradora científica, coisa que talvez eu demorasse mais ou até mesmo não fizesse, caso eu nunca tivesse tido essa pausa da quarentena”.

Crédito: Melissa Alves

A futura biomédica lembra que durante a graduação teve crises existenciais por não saber se era realmente isso que ela queria fazer para a vida.

“Muitos ilustradores são pagos para fazerem infográficos e desenhos para a área da saúde, porém, por não conhecer sobre o assunto torna essa transição de ideias muito mais complexa e nem sempre atinge os resultados esperados. Entretanto, com os conhecimentos adquiridos na minha graduação, eu tenho plena facilidade em transpor conteúdos científicos em algo simples e acessível ao público. Se eu não tivesse esse conhecimento acadêmico eu não teria conseguido todo esse destaque que eu conquistei com minhas ilustrações científicas, infográficos e apresentações”, afirma Melissa.

Você pode conferir mais do trabalho da Melissa no Instagram infos.cience, no Behance e também no Linkedin.

A professora da Escola de Saúde e orientadora do projeto, Priscila Lora afirma que o foco em desenvolvimento e avaliação de tecnologias em saúde é um dos diferenciais do curso de Biomedicina da Unisinos. “O prêmio reflete e reforça a qualidade acadêmica do curso, mas mais do que isso, sinaliza o potencial do desenvolvimento científico e tecnológico quando os alunos saem da sala de aula e são inseridos em equipes multidisciplinares, dentro dos institutos tecnológicos da Unisinos. Ficamos muito orgulhosos de termos recebido esse reconhecimento, pois é preciso muita dedicação e esforço para chegarmos nos resultados que foram alcançados pela aluna e pelo grupo”, encerra.