A informação na era digital

EDUARDO HERRMANN - ESPECIAL

Não seria exagero dizer que em uma hora navegando pela internet temos ao nosso alcance mais informações do que teríamos em vários dias de pesquisa antes da criação da rede mundial de computadores.

Por esse e outros motivos, o trabalho de apuração do jornalista dentro da redação mudou. Alguns profissionais da velha guarda olham com o nariz torto e dizem que “o jornalista de hoje nunca levanta da cadeira”.

Para a professora Débora Lapa Gadret, coordenadora do curso de Jornalismo da Unisinos em Porto Alegre, uma coisa não anula a outra. Ela defende que apurar a notícia na rua é importante, mas o jornalista também precisa dominar a pesquisa nos ambientes virtuais.

[ Óculos em cima de jornal com computador ao fundo Crédito: Getty Images

Confira, abaixo, o papo completo que tivemos com a professora sobre esse e outros assuntos:

O modelo de financiamento dos veículos, de venda de anúncios publicitários, está em crise. O que poderia substituí-lo?

Coisas interessantes surgiram já há algum tempo, como o crowdfunding (financiamento coletivo), uma maneira interessante de financiar o jornalismo independente. Se o jornalista souber empreender, pode funcionar. O serviço de assinatura digital também é uma opção boa para o jornalismo, desde que se mostre de qualidade. O leitor precisa se sentir contemplado ao se tornar um assinante. Mas acho que os veículos vêm se preocupando há algum tempo com o financiamento, enquanto deveriam se preocupar um pouco mais também com a qualidade das suas coberturas jornalísticas.

Com a digitalização dos veículos, o que você acha que vai acontecer com a cobertura local?

O jornalismo local é fundamental para a orientação do sujeito no seu espaço. Grandes corporações nacionais e mundiais acabam chamando muito a nossa atenção, mas de fato o local tem uma grande relevância porque, no final das contas, o sujeito precisa se movimentar na sua sociedade, no seu estado. Eu não acho que o jornalismo será prejudicado, porque as pessoas sempre vão buscar informações sobre o seu entorno.

Com o big data, há muitos dados disponíveis na rede. Isso demanda uma nova formação para o futuro jornalista?

Com certeza isso muda a função e a formação do jornalista. A gente tem que preparar o estudante para lidar com essa grande base de dados e ali achar pautas relevantes. Tem muita coisa que pode ser encontrada, conteúdo que nem todo mundo sabe como extrair e é de interesse público. A gente já trabalha nesse sentido, na disciplina de Jornalismo Investigativo. Ir para rua e olhar a notícia enquanto ela está acontecendo é um trabalho importante, isso não acaba. Mas também é preciso saber pesquisar nos ambientes virtuais.

Muitos jornalistas têm migrado para o branded content (conteúdo vinculado a uma marca). Há algum perigo ético nisso?

A formação do jornalista sempre foi cara às empresas, há muito tempo ele já atua em assessorias de imprensa. Uma coisa é a formação ética necessária para atuar como repórter em um veículo, outra coisa é ser assessor ou produtor de branded content. A gente forma o aluno dentro dos valores tradicionais, mas essa formação acaba sendo muito valorizada também em áreas correlatas. Não vejo perigo, são locais em que ele pode atuar, apesar de diferentes. Quando ele está atuando dentro da redação, como repórter, cumpre uma função de compromisso com o interesse público. Quando está dentro de uma empresa, também tem esse compromisso, de dar informação relevante. Isso não fere a ética da profissão.

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