Os impactos da pandemia na vida das pessoas

Entenda como a sociedade está tendo que se reinventar para lidar com esse momento

MICHELLI MACHADO

A pandemia do coronavírus (Covid-19) tem mudado o cenário social nos últimos dias e trazido impactos de várias ordens à vida das pessoas. “A desigualdade (material e imaterial), maior problema do Brasil, se agudiza e isso mostra como temos acessos muito diferentes aos serviços de saúde, à informação, aos cuidados e ao autocuidado”, observa a professora e psicóloga social do Programa de Ciências Sociais da Unisinos, Marília Veronese.

Segundo ela, nesse momento, o mais importante é cuidar de si e do outro, ouvir e ser ouvido, e fortalecer-se nos vínculos de afeto e aprendizado mútuo. “É muito importante fomentar a entreajuda, a conversa e diálogo, por meios virtuais ou a distância segura, pois precisamos mais do que nunca de amparo. Somos seres relacionais e de vínculos, desde que nascemos, estabelecemos vínculos sócio-afetivos, ou sequer vingaríamos como espécie. Nossa cognição funciona articulada com nossos afetos”, explica Marília.

[Foto de mãos dadas em apoio Crédito: Getty Images

A psicóloga social acredita que é fundamental que nos apoiemos, conversemos e peçamos ajuda. “Com as tecnologias de comunicação isso é possível a distância, a não ser para quem não têm acesso a elas, o que nos leva de volta ao problema da desigualdade”, pondera.

A professora espera que após essa pandemia fique claro o quanto é importante investir na área da saúde e que as pessoas compreendam a importância da solidariedade e fortaleçam o senso de interdependência, um sentimento vivo de solidariedade, que a sociologia chama de ‘solidariedade orgânica’. “Eu coopero porque é bom para mim e para o outro, porque é racional cooperar. Também é relevante que entendam e valorizem mais a pesquisa, o conhecimento científico, porque é ele que precisa ser acionado nesses momentos críticos”, afirma.

A Ciências Sociais, por ser um campo muito plural, pode olhar o momento atual sob diferentes prismas. “É preciso parar com negacionismos, reconhecer e enfrentar os problemas, participando numa agenda mundial de esforços”, finaliza.