Unisinos já possui diretrizes para uso de inteligência artificial no ensino

Resolução institucional orienta uso da tecnologia em atividades acadêmicas e reforça princípios como ética, autoria e autonomia intelectual

Crédito: Shutterstock

A decisão do Conselho Nacional de Educação (CNE) de proibir o uso de inteligência artificial (IA) para correção e atribuição de notas em redações e provas dissertativas reforça a discussão sobre o uso da tecnologia na educação. Na Unisinos, o tema já conta com uma resolução institucional, em vigor desde o ano passado, que estabelece diretrizes para o uso acadêmico da inteligência artificial.

A normativa é voltada aos trabalhos acadêmicos e tem como princípios a ética e a transparência, a autoria e a integridade dos dados. Entre as medidas previstas está a declaração de autoria, que acompanha trabalhos como Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), dissertações e teses.

Além da resolução, a Universidade possui um documento orientador pedagógico para professores, com orientações sobre o uso da IA no planejamento, na docência e nas práticas de avaliação. A proposta é auxiliar os professores na definição de estratégias que permitam incorporar a tecnologia ao processo de ensino e aprendizagem sem comprometer o desenvolvimento das competências dos estudantes.

“A universidade não nega o uso, entende que é importantíssimo, que está aí e que já revoluciona o mundo e as profissões”, afirma a gerente de Ensino, Cristiane Schnack. Segundo ela, o uso da ferramenta deve considerar os objetivos de cada atividade e disciplina.

Em algumas situações, a inteligência artificial pode fazer parte das competências que o estudante precisa desenvolver. Em outras, determinados usos podem comprometer o próprio aprendizado. Por isso, os professores são orientados a estabelecer acordos pedagógicos com as turmas, definindo em quais contextos a tecnologia pode ser utilizada.

Outro ponto destacado pela orientação pedagógica é o acompanhamento do processo de aprendizagem. A recomendação é que as atividades sejam planejadas de forma que o professor consiga identificar o que o estudante está desenvolvendo, indo além da análise do resultado final de uma tarefa.

“Alguns professores têm discutido a importância de avaliações orais, de o aluno precisar sustentar um trabalho que ele entregou”, explica Cristiane. Ela ressalta, porém, que o documento não determina esse tipo de avaliação, mas orienta o professor a refletir sobre como acompanhar o processo de aprendizagem e identificar aquilo que efetivamente foi desenvolvido pelo estudante.

Nesse contexto, a Unisinos considera que a IA deve ocupar um papel de apoio, sem substituir a participação humana na produção do conhecimento. Para Cristiane, é necessário garantir que o estudante permaneça no comando do processo, analisando criticamente as respostas produzidas pelas ferramentas e tomando decisões sobre seu uso. “O papel da IA é apoio. A atividade de produção do conhecimento é uma atividade humana”, destaca.

A gerente de Ensino também chama atenção para a importância da interação entre as pessoas no processo educacional. Segundo ela, o debate, a troca de ideias e o contato com diferentes perspectivas são elementos que não podem ser substituídos pela interação com uma ferramenta de inteligência artificial.

Para o pró-reitor Acadêmico e de Relações Internacionais, Gustavo Borba, a existência de diretrizes é importante diante das rápidas transformações relacionadas à tecnologia. Ele destaca que a normativa da Unisinos deve ser constantemente atualizada, acompanhando as novas possibilidades de uso da IA. “É fundamental ter esse tipo de documento. E é um documento vivo, porque, na realidade, a cada dia a gente tem uma nova aplicação, uma mudança no uso da inteligência artificial, e é fundamental que esse documento vá evoluindo”, afirma.

Para Borba, o desafio das instituições de ensino é incorporar uma tecnologia que já faz parte da realidade acadêmica e profissional sem comprometer a autonomia intelectual dos estudantes. “Não existe a opção de não usar, mas da melhor forma possível para manter nossa autonomia intelectual e a nossa construção científica e de aprendizagem”, conclui.

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