A inovação produzida pela Unisinos foi reconhecida com dois cases no Campeãs da Inovação: o Brique de Experiências e o Ei, São Leopoldo!. As iniciativas apresentam diferentes formas de transformar conhecimento em impacto, seja por meio do compartilhamento de práticas pedagógicas entre professores, seja pela articulação entre Universidade, empresas, poder público e sociedade para o desenvolvimento do município.
O Brique de Experiências surgiu com a proposta de mudar a lógica tradicional das capacitações docentes. Em vez de partir de temas e ministrantes previamente definidos pela instituição, a iniciativa coloca os próprios professores como protagonistas, convidando-os a compartilhar práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula.

A dinâmica se inspira nas tradicionais feiras de trocas. No Brique, porém, o que circula é o conhecimento: professores apresentam experiências, recursos e práticas e, a partir delas, estabelecem diálogos e aprendizados com colegas de diferentes áreas e níveis de ensino. A proposta busca criar um ambiente de aprendizagem horizontal, baseado em escuta, empatia e troca entre pares.
Para a gerente de Ensino, Cristiane Schnack, um dos principais diferenciais está justamente na mudança de papel dos docentes. “O professor que se inscreve para compartilhar uma prática tem um espaço genuíno e profundo de trocas com colegas que se sentam para ouvir, aprender, experienciar, dialogar: trocar.”
A iniciativa também passou a gerar novos desdobramentos. A partir da segunda edição, realizada em 2025, os professores foram convidados a transformar suas experiências em artigos. O resultado foi a publicação de um livro de práticas pedagógicas, ampliando o alcance das experiências para outros docentes e instituições.
O projeto também deu origem ao CompartilhAí, encontro mensal e on-line para compartilhamento de práticas pedagógicas e recursos utilizados em sala de aula. A primeira edição de 2026 teve como tema o uso de recursos tecnológicos, incluindo inteligência artificial generativa, no ensino.
Além do impacto entre os professores da Universidade, o livro despertou o interesse de escolas de educação básica parceiras da Unisinos, que solicitaram o material para compartilhamento com seus docentes.
Enquanto o Brique de Experiências atua principalmente na transformação da cultura de aprendizagem dentro da Universidade, o Ei, São Leopoldo! amplia essa perspectiva para o território.
O projeto é o Ecossistema de Inovação de São Leopoldo e busca conectar diferentes atores da cidade em torno da inovação e do desenvolvimento. A iniciativa resulta de uma trajetória construída a partir da atuação da Unisinos e do Tecnosinos e da aproximação com empresas, poder público, instituições de apoio e outras organizações.
A proposta ganhou força com o chamado “transbordamento do Tecnosinos”, ampliando a atuação em inovação para além dos limites do parque tecnológico. A ideia é aproximar os ativos de conhecimento, tecnologia e empreendedorismo existentes na cidade das demandas concretas do território. “O princípio é transformar conhecimento em ação”, explica o diretor do Tecnosinos, Silvio Bitencourt. Segundo ele, a iniciativa busca colocar em contato quem possui conhecimento, tecnologia, infraestrutura e capacidade de execução com aqueles que enfrentam desafios concretos no município.
Um exemplo é a definição da segurança pública como um dos macrodesafios trabalhados pelo ecossistema. A partir disso, foi realizado um Hackathon de Segurança Pública, aproximando demandas do município de pessoas e organizações capazes de desenvolver soluções.
O ecossistema reúne Universidade, empresas, startups, entidades representativas, poder público e instituições de apoio, como Sebrae e Sicredi. Para Bitencourt, essa diversidade é fundamental, já que nenhum ator, isoladamente, consegue produzir todo o impacto necessário para o território.
A iniciativa também aproxima a formação acadêmica dos desafios da cidade. Estudantes do curso de Gestão para Inovação e Liderança, por exemplo, desenvolveram propostas de intervenção a partir de desafios e oportunidades identificados em São Leopoldo.
Além do reconhecimento no Campeãs da Inovação, o Ei, São Leopoldo! foi finalista do Prêmio Nacional de Inovação, na categoria Ecossistemas de Inovação de Médio Porte. O ecossistema também avançou na construção de um modelo de governança, na avaliação de sua maturidade e na realização de iniciativas voltadas à conexão entre desafios do território e soluções inovadoras.

Para Bitencourt, o reconhecimento no Campeãs da Inovação deve ser compreendido como resultado de uma construção coletiva. “O prêmio não pertence a uma instituição. Ele reconhece uma construção coletiva. É um reconhecimento para todos aqueles que, ao longo dos anos, contribuíram para fortalecer o ecossistema de inovação da cidade.”
Os próximos passos incluem consolidar a governança do ecossistema, ampliar a participação dos atores do território, fortalecer a conexão com políticas públicas e desenvolver projetos relacionados aos macrodesafios de São Leopoldo. A intenção também é criar mecanismos mais consistentes para medir os impactos econômicos, sociais e relacionados à qualidade de vida gerados pela articulação.
As duas iniciativas, em escalas diferentes, partem de uma mesma compreensão: inovar é criar conexões capazes de transformar conhecimento em novas experiências, soluções e impactos. No Brique, essa conexão acontece entre professores e práticas pedagógicas. No Ei, São Leopoldo!, entre os diferentes atores que compõem o território. Como resume Bitencourt, a inovação não acontece apenas dentro de universidades, empresas ou parques tecnológicos, mas também nas conexões entre esses atores e na capacidade de transformar essas conexões em soluções para problemas reais.