Professora da Unisinos tem trajetória e trabalho de restauro de fotos após enchentes integrados ao acervo do Museu da Pessoa

Crédito: Divulgação

A professora Márcia Molina, da Unisinos, passou a integrar o acervo do Museu da Pessoa após ser convidada para compartilhar sua trajetória e trabalho desenvolvido na recuperação de fotografias atingidas pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. 

O convite surgiu por meio das redes sociais e faz parte do projeto Vida, Vozes e Saberes em um Mundo em Chamas, iniciativa apresentada na COP30 que reúne histórias de pessoas de diferentes biomas brasileiros impactadas por eventos climáticos extremos. Ao todo, 60 participantes foram selecionados para integrar o acervo audiovisual projeto. 

Durante a entrevista, Márcia revisitou memórias da infância, experiências pessoais e profissionais e, principalmente, a atuação no projeto da Unisinos voltado ao resgate de fotografias danificadas pelas enchentes. “Foi uma conversa sensível e potente. Um espaço de escuta atenta, onde me senti segura para abrir diversas camadas da minha trajetória”, afirma. 

Segundo a professora, participar da iniciativa representou uma experiência transformadora. Como fotógrafa e pesquisadora da imagem, ela relata que as enchentes aprofundaram sua percepção sobre o valor simbólico das fotografias. “Percebi de forma ainda mais profunda que uma fotografia é muito mais do que um registro visual: ela é um elo com a memória, com a identidade e com a história de vida das pessoas”, destaca. 

O projeto desenvolvido pela universidade mobilizou estudantes, professores e voluntários em uma força-tarefa para higienizar, secar, catalogar, digitalizar e restaurar imagens atingidas pela água e pela lama. Muitas das fotografias chegaram severamente danificadas, coladas umas às outras ou cobertas de sujeira. Em alguns casos, o uso de ferramentas de inteligência artificial e recursos de edição digital ajudou na recuperação parcial dos arquivos. 

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Entre as histórias que mais marcaram a docente está a de uma família que conseguiu recuperar álbuns pertencentes à mãe falecida poucos meses antes da enchente. “Ver a emoção daquele senhor ao reencontrar objetos tão carregados de significado e lembranças da esposa foi um momento extremamente comovente”, relembra. 

Outro episódio citado por Márcia envolve uma colaboradora da universidade que perdeu todas as fotografias da infância. Após o processo de restauração, ela afirmou que agora teria imagens para mostrar aos filhos e futuros netos. “Quando recuperamos uma fotografia, não estamos apenas restaurando uma imagem. Estamos ajudando a preservar memórias, fortalecer vínculos afetivos e garantir que histórias importantes continuem sendo contadas”, afirma. 

Além do trabalho técnico, a professora destaca que um dos principais desafios foi estruturar rapidamente uma rede de acolhimento e orientação para atender à população atingida. A equipe também desenvolveu protocolos com instruções sobre limpeza, secagem e armazenamento de fotografias danificadas, compartilhados com a comunidade por meio da imprensa e de materiais informativos. 

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Para Márcia, a preservação da memória assume papel fundamental em momentos de tragédia. “As fotografias conectam gerações, preservam histórias e ajudam as pessoas a manterem seus vínculos com a própria história quando tantas outras referências foram perdidas”, ressalta. 

Ao saber que sua trajetória faria parte do acervo permanente do Museu da Pessoa, a professora afirma ter recebido a notícia com alegria e senso de responsabilidade. “Fiquei muito honrada não apenas pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido após as enchentes, mas também pela oportunidade de compartilhar uma trajetória que dialoga com temas tão importantes como memória, patrimônio afetivo e emergência climática”, diz. 

Como legado do projeto, Márcia acredita que fica para a sociedade gaúcha a compreensão de que a memória também precisa ser protegida em situações de desastre. “Preservar fotografias, documentos e histórias de vida não é apenas olhar para o passado, mas fortalecer nossa capacidade de reconstrução, pertencimento e enfrentamento dos desafios futuros”, conclui.

Confira o relato de Márcia aqui.

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