Professor da Unisinos realiza pós-doutorado no KAIST, na Coreia do Sul 

Crédito: Divulgação/KAIST

O professor Wilson Engelmann, da Escola de Direito e Relações Internacionais, iniciou em janeiro suas atividades de pós-doutorado como Pesquisador Visitante no Korea Advanced Institute of Science & Technology (KAIST), uma das principais universidades de ciência e tecnologia da Ásia. A experiência integra um projeto internacional aprovado pelo CNPq e reforça a inserção internacional do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) e do Mestrado Profissional em Direito da Empresa e dos Negócios da Universidade. 

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A oportunidade de pesquisa na Coreia do Sul está diretamente vinculada à trajetória acadêmica do docente, que atua há mais de três décadas na Unisinos e desenvolve, desde 2008, investigações sobre regulação de nanotecnologias, inteligência artificial e tecnologias emergentes, com ênfase em modelos regulatórios inovadores. 

Segundo Engelmann, seu interesse pelas nanotecnologias evoluiu, ao longo dos anos, para uma aproximação com a inteligência artificial, especialmente diante dos desafios regulatórios impostos pelo avanço acelerado dessas tecnologias. “Observei que o processo legislativo convencional, desenvolvido pelo Poder Legislativo, não conseguiu harmonizar o ‘tempo do Direito’ com o ‘tempo dessas tecnologias’.” 

Essa trajetória culminou na participação em um projeto internacional de pesquisa aprovado em 2024, no âmbito do Edital CNPq/MCTI nº 16/2024, desenvolvido em cooperação com instituições do Brasil, da Coreia do Sul e dos Estados Unidos. Um dos parceiros é o Auto-ID Labs, no KAIST, sob supervisão do professor Daeyoung Kim, referência internacional na área. “O projeto foi aprovado e nele foi prevista uma bolsa de seis meses para a realização do meu pós-doutorado na Coreia do Sul”, explica.

Blockchain, saúde e proteção de dados no centro da pesquisa 

No KAIST, Engelmann desenvolve uma pesquisa derivada do projeto principal, voltada à interoperabilidade de padrões em blockchain aplicados à cadeia de medicamentos e produtos de saúde, conciliando rastreabilidade, transparência e proteção de dados pessoais sensíveis. 

O estudo analisa os chamados standards GS1, amplamente utilizados em cadeias globais de produção, especialmente na indústria farmacêutica, e sua aplicação em sistemas de rastreamento baseados em blockchain. “Com a adoção desses padrões, o consumidor final terá a certeza de que o medicamento é original e não é falsificado.” 

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Além da dimensão tecnológica, a pesquisa dialoga diretamente com o campo jurídico, sobretudo no que se refere à autorregulação, à ética e à proteção do consumidor. “A chamada autorregulação, que não depende do Poder Legislativo, mas é desenvolvida pelas próprias partes interessadas, já integrava a minha rotina de pesquisa”, conclui.

Contribuições para a Unisinos e para o Direito 

De acordo com Wilson, a experiência no KAIST reforça as linhas de pesquisa desenvolvidas na Unisinos e amplia o debate sobre modelos regulatórios mais ágeis e compatíveis com as transformações da chamada Quarta Revolução Industrial. “O pós-doutorado na Coreia do Sul confirma uma hipótese de pesquisa que venho examinando: as tecnologias exigem modelos regulatórios também inovadores e mais ágeis.” 

O professor destaca que o Direito tem papel central nesse processo, especialmente na proteção da saúde e do bem-estar das pessoas. “A proteção do consumidor, no caso dos pacientes que utilizam medicamentos, é fundamental, pois está em jogo a saúde e o bem-estar das pessoas”, afirma. 

Além das publicações conjuntas já em preparação com pesquisadores da área de Computação Aplicada da Unisinos, o período como pesquisador visitante no KAIST amplia a rede internacional de cooperação acadêmica. “Na Carta de Aceite, escrita pelo professor Daeyoung Kim, destacou-se que a minha participação nas pesquisas do Auto-ID Labs fortaleceria a rede de investigação que já se mantém com universidades de seis países.” 

Entre as instituições citadas estão o MIT (Estados Unidos), a University of Cambridge (Reino Unido), a ETH Zurich/St. Gallen (Suíça), a Keio University (Japão) e a Fudan University (China). “Todas essas oportunidades também representarão contatos importantes para a Unisinos, fortalecendo sua inserção internacional”, comenta. 

Vivência acadêmica e cultural na Coreia do Sul 

Durante o período como pesquisador visitante no KAIST Auto-ID Labs, Engelmann vivencia uma rotina acadêmica marcada pela organização institucional e pelo amplo acesso à infraestrutura de pesquisa da universidade. Nos primeiros dias no país, realizou os procedimentos legais junto ao Escritório de Imigração, incluindo a solicitação da carteira de residente, além da regularização do visto para o período do pós-doutorado. Também iniciou suas atividades no laboratório, sob supervisão do professor Daeyoung Kim, com acesso aos sistemas e às instalações do KAIST. 

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Com 12 horas de diferença em relação ao Brasil, a experiência na Coreia do Sul também proporciona contato com aspectos culturais e urbanos do país. Busan se destaca como um centro internacional do cinema e sede do Busan International Film Festival, além de apresentar organização no trânsito, eficiência no transporte público e práticas sustentáveis no cotidiano. 

O uso de tecnologias no dia a dia também chama a atenção, como pequenos veículos robóticos autônomos que circulam pelas calçadas, atravessam ruas respeitando a sinalização e divulgam serviços. Sistemas de alerta enviados ao celular em função das baixas temperaturas também fazem parte da rotina. “Por conta do frio, recebo mensagens de alerta no celular para cuidados com a saúde”, relata. 

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A atuação do professor Wilson no KAIST reafirma o compromisso da Unisinos com a internacionalização, a pesquisa de excelência e o diálogo interdisciplinar, projetando o Direito no centro das discussões globais sobre tecnologia, inovação e ética. 

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