No dia 30 de abril, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) da Unisinos, junto a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas (Proafe) da UFRGS, lançou a cartilha “Territórios Negros, Memória e Resistência”, com foco no Bar da Carla, localizado no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. O espaço representa um marco de preservação da memória e do patrimônio imaterial da comunidade negra na região.
A publicação contextualiza a presença negra na formação de Porto Alegre, destacando territórios como Areal da Baronesa, Ilhota e Colônia Africana, que formaram um importante “cinturão negro” na região central da cidade. Nesses espaços, africanos e seus descendentes construíram redes de trabalho, fé e sociabilidade que seguem influenciando a cultura local. “Essa cartilha nasce como ferramenta de denúncia, mas também como instrumento de fortalecimento coletivo. É um material que resgata memórias e valoriza vivências”, afirma o professor de Tecnologia e Inovação Social Clóvis de Melo Cavalheiro, assessor do Neabi Unisinos.
O evento contou com apresentações musicais, dança, roda de capoeira e falas de reprentatividades negras da região, reafirmando a importância histórica do espaço. Também foram distribuídas versões impressas da cartilha para o público.

O material foi financiado por meio de emenda parlamentar protocolada pela vereadora da capital Karen Santos (PSOL), e foi escrita através de um trabalho de pesquisa e escuta comunitária. O documento não apenas conta a história do Bar da Carla, mas reforça o sentimento de pertencimento e a visibilidade de territórios que são pilares da cultura afro-brasileira. “Seguimos construindo caminhos para que nossas histórias sejam contadas e preservadas por nós, e reconhecidas como parte fundamental da cidade e da nossa identidade coletiva”, ressalta Clóvis.
Acesse a cartilha aqui.
Sobre o Bar da Carla
Fundado no dia 20 de novembro de 1990, o Bar da Carla é um ponto de valorização e representatividade da história da cultura negra de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Localizado na Rua Lobo da Costa, 24, é próximo a outros locais que marcam a história negra da capital gaúcha, como o clube Nós, os Democratas e o Bar Luanda.
Ocupado pela família de Carla Maria Domingues Rodrigues Soares há mais de 60 anos, o local ultrapassa a função comercial e se consolida como um ponto de encontro da cultura negra, tendo sediado atividades ligadas ao movimento negro, à capoeira e ao samba.
O bar é palco de encontros de coletivos antirracistas e culturais, como a Frente Quilombola RS, espaço de atuação que acompanha a situação das comunidades quilombolas na região há mais de 10 anos. Além disso, a casa também é aberta para ações pontuais, como debates, saraus e feiras. Hoje, o bar está enfrentando uma luta judicial pela preservação do local.