Inteligência artificial e comunicação corporativa são tema de debate promovido pela Aberje Sul na Unisinos 

Encontro reuniu profissionais da academia e do mercado para discutir os impactos da IA na comunicação, na reputação das organizações e na formação de novos comunicadores

Crédito: Beatriz Schleiniger

“Como a inteligência artificial está transformando a comunicação corporativa?”. Essa foi a pergunta que norteou o encontro promovido pela regional Sul da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje Sul), realizado na Unisinos, no dia 30 de junho. O evento reuniu profissionais da academia e do mercado para debater os impactos da tecnologia na gestão da reputação, nos processos organizacionais e na formação de novos comunicadores. 

Na abertura, o gerente de Relações Institucionais da Aberje, Victor Henrique, destacou a proposta do encontro, que era de aproximar diferentes perspectivas sobre um tema que ainda está em construção dentro das organizações. “É importante reunir uma parte mais empresarial, mas também uma parte acadêmica”, enfatizou o profissional. 

A coordenadora dos cursos de Relações Públicas e Comunicação Digital da Unisinos, Taís Flores da Motta, conduziu parte das reflexões, propondo uma análise crítica sobre o momento vivido pela comunicação. Para ela, embora a inteligência artificial (IA) represente uma transformação comparável a outras revoluções tecnológicas, o desafio está em compreender como essas ferramentas aprendem e produzem conhecimento. “Hoje, substituir um estagiário pela IA significa que amanhã a gente pode não ter profissionais de comunicação competentes e desenvolvidos”, observou a professora. 

Durante sua participação, Taís ressaltou que, por muitos anos, a comunicação ensinou profissionais a questionarem a origem das informações, e defendeu que esse olhar crítico também precisa ser aplicado às ferramentas de inteligência artificial. “Durante muito tempo, a comunicação ensinou os alunos a criticarem de onde vem a notícia, de onde vem a informação. Mas será que as pessoas criticam o que é a IA? De onde vem o dado daquele agente que está aprendendo?”, indagou. 

“O mercado também é um espaço de aprendizado” 

As experiências práticas das organizações também fizeram parte do debate. Leandro Andreatta Barros, diretor administrativo do Instituto Hercílio Randon, organização focada em ciência e tecnologia, apresentou a estratégia desenvolvida pela instituição para incorporar a IA aos processos de negócio, buscando a eficiência, inovação e governança. O Instituto é apoiado pela Randoncorp, antiga Empresas Randon, fabricantes de soluções para mobilidade. A gerente de Marca e Reputação da companhia, Ana Paula Rocha, também participou das discussões. Ela reforçou que a inteligência artificial já modifica a jornada de decisão dos consumidores e amplia a importância da reputação das empresas: “Hoje, a decisão de compra não começa mais no clique. Ela começa na recomendação”, afirmou. 

Representando o Sicredi, Bianca Franchini abordou os impactos da IA na gestão da reputação e da confiança das organizações, destacando como a tecnologia passa a influenciar a forma como marcas são percebidas e encontradas pelos diferentes públicos. Ela também destacou que a tecnologia potencializa o conhecimento de quem já possui repertório e pensamento estratégico. “A inteligência artificial não transforma iniciantes em especialistas. Ela amplifica aquilo de quem já sabe”, sublinhou. 

Também participaram das discussões: Vinícius Ghise, sócio e CEO da agência de marketing digital Global AD; Ana Claudia Klein, assessora de Comunicação da Província dos Jesuítas do Brasil; Marcela Brandt Costabeber, coordenadora de Midiaeducação do Colégio Anchieta; e Fabrício Fernandes, analista de Comunicação do Colégio Anchieta, que contribuíram com reflexões sobre os desafios da adoção da inteligência artificial em diferentes contextos da comunicação. 

Ao encerrar o encontro, Taís Flores da Motta destacou a importância de promover espaços de diálogo entre universidade e mercado para acompanhar as transformações da área. “Trazer as organizações para dentro da academia é superimportante. O mercado também é um espaço de aprendizado. Acho que a Aberje faz isso bem quando promove um evento desse tipo dentro da Unisinos”, avaliou.

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