Uma mão lava a outra

Residentes estão trabalhando na confecção de sabões para a comunidade

MATHEUS N. VARGAS

Segundo especialistas, lavar as mãos regularmente é a melhor maneira de evitar a propagação da Covid-19. Com isso em mente, professores e residentes estão trabalhando na confecção de sabões para as pessoas em condições de vulnerabilidade socioeconômica dos territórios de atuação da residência multiprofissional em São Leopoldo.

Crédito: Divulgação

A professora do curso de Enfermagem e tutora do Programa Residência, Scheila Mai, explica que a ideia surgiu em um encontro que tinha como objetivo a troca de experiências entre os residentes. “Foi compartilhado sobre uma prática exitosa de um grupo de mulheres vinculadas a UBS Brás, que fazem sabão para manutenção das atividades do grupo. Então surgiu a ideia de chegar até essas populações mais vulneráveis com informações de prevenção sobre o coronavírus e, considerando a realidade que muitos não teriam acesso ao sabão, foi bancada a ideia de produzir o mesmo, assim, possibilitando além do acesso à informação uma limpeza melhor para as mãos”.

Scheila lembra que o Ministério da Saúde orienta a higienização com frequência das mãos até a altura dos punhos, com água e sabão ou então com álcool em gel 70%. “Segundo estudo da WashData, 40% da população mundial, ou 3 bilhões de pessoas, não tem lavatório com água e sabão em casa, lavar as mãos com sabão também está fora do alcance para algumas pessoas com vulnerabilidades socioeconômica das comunidades que são os campos de prática da residência multiprofissional”, lamenta a professora.

A assistente social do Programa Residência Multiprofissional Nathiélli Machado, considera fundamental pensar em estratégias que deem alternativas para famílias mais vulneráveis que não têm possibilidades frente aos processos de prevenção da Covid-19. “São formas de pensar no coletivo e chegar em usuários que normalmente têm mais dificuldades de acessar os serviços de saúde da rede”, afirma.

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Depois de prontos, os sabões serão entregues para pessoas com condições de vulnerabilidade socioeconômica dos territórios de abrangência das Unidades Básicas de Saúde que são campo prático de atuação da residência multiprofissional

Como são feitos os sabões?

Os sabões são confeccionados com óleo vegetal, usado por exemplo em frituras, e são armazenados em litros, além da soda cáustica e aromatizantes que têm sido doados, e caixas de leite para armazenar.

Além de beneficiar a população, torna-se um projeto sustentável ao considerar os vários problemas ambientais como entupimento de tubulação de esgoto, impermeabilização do solo e contaminação de rios e lençóis freáticos relacionados ao descarte incorreto do óleo.

Caso você tenha interesse em participar, é possível ajudar fazendo a doação de óleo vegetal usado, soda cáustica, caixa de leite vazia e embalagens descartáveis para distribuição do sabão.

As doações devem ser deixadas nas Unidades Básicas de Saúde dos bairros Santa Marta, Paim, Feitoria, Cohab Duque e Brás.