Um universo que abre oportunidades

Projeto busca educar sobre cidadania através da informática inclusiva

JÚNIOR MELO DA LUZ

O conhecimento transforma tanto quem compartilha o que sabe quanto quem descobre algo novo. Dentro do projeto Eu-Cidadão: Inclusão Digital e Cidadania, diferentes públicos são atendidos por educadores e voluntários que buscam trabalhar indo além da informática. As oficinas vão desde o uso básico de computadores, até a manipulação de hardware e aulas de inglês combinadas com tecnologia. Crianças, jovens, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social trocam aprendizados e afeto.

Crédito: Brayan Martins

Criado em 2003, para oferecer um destino aos equipamentos de informática que não eram mais utilizados na Universidade, o projeto acabou se convertendo em algo mais amplo. Apenas doar os computadores era insuficiente, era preciso ensinar a usar. Assim, surgiu a ideia dos cursos e oficinas para quem nunca teve contato com computador, e para jovens que querem se profissionalizar em informática ou estão interessados em uma língua estrangeira. Todos são recebidos com paciência e cuidado, em atividades moldadas de acordo com as necessidades e limitações de cada grupo, para promover acolhimento e inclusão.

Educador do projeto e estudante do 5º semestre de Psicologia na Unisinos, Tiago Felipe Esmeris, conta que os participantes das oficinas fazem pedidos especiais, como a construção de um currículo para buscar emprego ou cursos voltados à profissionalização. Para ele, poder auxiliar o outro e sentir a gratidão dele vale toda a dedicação ao trabalho. Desde 2017, o estudante leciona nas oficinas e, uma de suas turmas, é composta por pessoas em situação de rua do Centro Pop de São Leopoldo. “Conhecer suas dificuldades e aprender como incluí-las no universo da informática me faz enxergar uma realidade diferente”, afirma.

Cursando os últimos semestres da graduação de Geologia e formada como técnica em informática, Andressa Bressane está no Eu-Cidadão desde 2015. Com um carinho especial pelas turmas de idosos, ela gosta de ouvir suas histórias e compreender suas diferentes necessidades. “Poder ensinar o funcionamento de lógicas da tecnologia me faz descobrir que inclusão é mais que acolher, mas permitir que os atendidos adentrem outros lugares através do espaço digital”, reforça.

Andressa acredita que se tornou uma profissional melhor ao trabalhar no projeto. Para ela, só é possível aprimorar o tratamento com o outro ao enxergar suas realidades e conhecer suas histórias de vida. Já Tiago, com a percepção de um psicólogo em formação, destaca a importância de dar atenção e ajudar as pessoas sempre que possível, já que, muitas vezes, elas podem estar passando por crises emocionais ou até mesmo, desenvolvendo um quadro de depressão.

Universidade e sociedade juntas

A vivência e a troca de saberes ajudam a sair do lugar, dando autonomia aos indivíduos. No Eu-Cidadão, essas práticas se combinam. O combate ao analfabetismo digital, a paciência constante e o olhar atento direcionam o projeto.

Para Janaína Tenn-Pass, coordenadora do Eu-Cidadão desde 2014, somos corresponsáveis para que as cidades e os lugares onde vivemos melhorem. “Uma das nossas propostas é ensinar mais que informática instrumental e básica, mas tratar de temas como sociedade e cidadania”, completa.