Um templo de conhecimento

No Dia Nacional da Biblioteca conheça um pouco da história das obras e coleções guardadas pela Unisinos

MICHELLI MACHADO

Vivemos um momento difícil, em poucas semanas o novo coronavírus (covid-19) mudou a vida das pessoas. Nesses tempos de isolamento, os livros têm sido companheiros inseparáveis de muita gente, por isso não podemos esquecer que em 09 de abril se comemora o Dia Nacional da Biblioteca. A data foi criada no Brasil no ano de 1980. De lá pra cá, muita coisa mudou, mas o hábito da leitura persiste, e as bibliotecas continuam sendo referência para pesquisas e estudos.

[Entrega dos protetores faciais Crédito: Marco AF

Nesse período de pandemia, em conformidade às recomendações da OMS, a Biblioteca da Unisinos está com atendimento presencial suspenso, mas podemos aproveitar esses dias em casa para saber mais sobre ela e tudo o que tem para nos oferecer, assim que a situação se normalizar. A Biblioteca da Unisinos, uma das maiores da América Latina, conta com um acervo de cerca de 770 mil exemplares, somando as coleções de São Leopoldo e Porto Alegre. O acervo começou a ser formado em 1860, com a vinda dos jesuítas para São Leopoldo, e seguiu crescendo. Hoje, o edifício que abriga a biblioteca, no Campus São Leopoldo, tem uma área total de 37 mil metros quadrados, divididos em sete andares, sendo quatro deles destinados ao acervo bibliográfico.

[Entrega dos protetores faciais Crédito: Rodrigo W Blum

Os livros estão organizados da seguinte forma: terceiro andar, Obras Raras e Cristo Rei, quarto e quinto andares, Acervo Acadêmico e, sexto andar, Memorial e Arquivo. Para cuidar de todo esse patrimônio cultural, cinco bibliotecários se dividem entre os dois campi e circulam pelos corredores do prédio, catalogando e zelando por livros de economia, comunicação, literatura, história, engenharia - entre tantas outras áreas do conhecimento, que compõem os exemplares disponíveis para consulta local e retirada.

Coleções

Em São Leopoldo, no sexto pavimento, acervo 6A, estão localizadas as coleções especiais, formadas por fundos e arquivos históricos. Esses materiais estão disponíveis para consulta local e digitalização, dependendo do estado de conversação física ou restrição por imposição legal ou contratual da viabilidade de reprodução.

  • Arquivos Pessoais de Jesuítas – produção científica de importantes pesquisadores, entre eles Theodor Amstad, Max von Lassberg, Johannes Rick, Balduino Rambo, Werner von und zur Mühlen e Pe. Milton Valente.
  • Coleções Pessoais de Intelectuais – obras de personalidades como o advogado e indigenista Júlio Marcos Germany Gaiger, o advogado, jornalista, romancista e ensaísta Clodomir Vianna Moog, o professor de filosofia e crítico de música e arte Aldo Obino, o jurista Ovidio Baptista da Silva, o crítico de cinema Luiz César Cozzatti e o escritor, filósofo e ambientalista José Lutzenberger.
  • Arquivos Institucionais - Fundo da Sociedade União Popular - Volksverein e Fundo do Centro de Documentação e Pesquisa – CEDOPE.
  • Acervo de Imigração – composto por periódicos, dentre eles almanaques editados na primeira metade do século XX, na sua maioria em língua alemã. Inclui também bibliografia sobre imigração alemã e material didático editado para as escolas comunitárias na primeira metade do século XX.
  • Coleção Santo Inácio de Loyola - possui 1.223 títulos de periódicos, dos séculos XIX e XX, um conjunto documental de partituras de música e algumas edições em braile.
  • Coleção de Jornais - essa coleção é composta por 345 volumes encadernados, compreendendo Correio do Povo (1939-1992); Jornal NH (1963 a 1992), Correio Rural (1958-1984), Brasil-Post (1958-1992), Deutsches Volksblatt (1883 a 1940; 58 volumes somando cerca de 42.000 páginas), Deutsche Post (1880-1928 em 45 microfilmes), Mitteilungen des katholischen Lehrer- und Erziehungsvereins in Rio Grande do Sul [Boletim da Associação de Professores Católicos Alemães no RS], 1900-1939 (em suporte híbrido: microfilme e digital); dentre outros exemplares avulsos.

“A Unisinos foi escolhida como depositária dessas coleções graças à credibilidade conquistada ao longo dos anos no tratamento e conservação de obras raras, fundos históricos e acervos especiais, sendo hoje referência na área”, orgulha-se o bibliotecário Flávio Nunes.

Em Porto Alegre

Além desse conjunto de obras já mencionado, em Porto Alegre, desde 2017, a Unisinos é guardiã da coleção de Luis Fernando Verissimo, para fins acadêmicos e culturais e para promoção da pesquisa.

São 1.159 títulos de periódicos e 382 livros, como títulos do autor, antologias e edições estrangeiras. Troféus, publicações na imprensa, documentos audiovisuais, manuscritos, memorabilia, comprovantes de crítica, edição e adaptação, quadros, esculturas, entre outras homenagens recebidas pelo escritor que também fazem parte do acervo. O patrimônio está disponível no andar B da Torre Educacional.

[Entrega dos protetores faciais Crédito: Rodrigo W Blum

Obras Raras

A coleção de Obras Raras da Biblioteca Unisinos é formada por acervos vindos de diversas instituições jesuítas, como o Instituto Anchietano de Pesquisas, o colégio Anchieta de Porto Alegre, o colégio Santo Inácio de Salvador do Sul e o colégio Cristo Rei de São Leopoldo. São coleções reunidas desde 1849 e que contam, entre outras, com obras editadas entre os séculos XV e XVIII.

“A obra mais antiga é Repertorii totius summe domini Antonini archiepiscopi florentini ordinis predi, de autoria de Antonino de Florença, incunábulo datado de 1496. Entre as mais valiosas, destaca-se a Encyclopédie, ou Dictionnaire Raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers, também conhecida como Enciclopédia Francesa, editada entre 1751 e 1772 por D’Alembert e Diderot”, afirma o bibliotecário

Quem trabalha nesse setor precisa ter alguns cuidados especiais com o manuseio dos materiais, como Flávio nos conta. “Recomenda-se que o bibliotecário use sempre luvas ao lidar com esses periódicos, para evitar contaminação por fungo e para proteger o material, que é raro e antigo. Para os usuários da biblioteca, também é importante o uso de luvas. Além disso, é proibido fotocopiar os acervos, só é permitido anotar trechos ou fotografar sem flash”, explica.

[Entrega dos protetores faciais Crédito: Rodrigo W Blum

Com o auxílio da Tecnologia

A Biblioteca oferece mais de 18 mil títulos de livros eletrônicos nacionais das plataformas Minha Biblioteca, Pearson, Cengage e Elsevier, além de 183 mil e-books internacionais disponíveis em bases como EBSCOhost e Portal CAPES. Outro serviço disponibilizado é o book express, que facilita e agiliza o empréstimo de materiais. “O usuário solicita os itens desejados pelo catálogo online. Os exemplares são separados e enviados para um dos pontos atendidos pela Biblioteca”, destaca Flávio.

A Biblioteca Unisinos oferece scanners de mesa para autoatendimento de digitalização de trechos de obras do acervo. O serviço está disponível em São Leopoldo e Porto Alegre. “Na Biblioteca de São Leopoldo, funciona o Laboratório Adaptado de Informática (LAI), que realiza a adaptação de material didático para os alunos com deficiência visual (cegos e com baixa visão). O espaço oferece digitalização de livros didático e impressões em braile ou fonte ampliada”, complementa o bibliotecário.