Sensores vestíveis podem ajudar no monitoramento do estresse

Projeto une tecnologia e saúde para melhorar o dia a dia das pessoas

MICHELLI MACHADO

O projeto Bewell está sendo desenvolvido com objetivo investigar como os sensores vestíveis (wearables) podem ser usados, no contexto da psicologia, para o apoio em situações relacionadas ao estresse. A intenção principal do estudo é criar um dispositivo vestível capaz de realizar uma avaliação psicofisiológica do estresse.

“A pesquisa já possui resultados obtidos em experimentos realizados de forma interdisciplinar, envolvendo equipes das áreas de Engenharia Eletrônica, Física Biomédica, Computação, Educação Física e Psicologia. Estes experimentos envolvem inoculação de estresse e, posterior coleta de dados psicofisiológicos através de equipamentos vestíveis, além da coleta de marcadores biológicos, tais como cortisol. Também já foram desenvolvidos componentes de software para o tratamento desses dados e identificação de padrões de estresse com uso de aprendizagem de máquina”, explica o decano da Escola Politécnica e coordenador do estudo, Sandro Rigo.

Crédito: Divulgação

Segundo pesquisador, o estudo traz resultados positivos sobre a observação dos marcadores biológicos do estresse, juntamente com a coleta e análise dos marcadores psicofisiológicos, o que é um primeiro passo importante para estabelecer as bases do trabalho. “Outros resultados são observados com o uso da Inteligência Artificial para identificar padrões de estresse a partir dos dados recebidos dos wearables. Foi desenvolvido um protótipo de uma aplicação para dispositivos móveis que permite o acompanhamento dos sinais a partir dos wearables e a geração de sugestões de intervenções para o usuário”, relata Rigo.

Para o professor, essa pesquisa é muito importante, já que o estresse, quando crônico, é relatado como um problema de saúde. “O uso de equipamentos com sensores vestíveis permite que os sinais psicofisiológicos que evidenciam o estresse sejam identificados e armazenados. Desta forma é possível trabalhar com dados mais concretos sobre a saúde das pessoas, obtidos ao longo de jornadas de trabalho, por exemplo, aumentando o suporte possível aos pacientes”, enfatiza.

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O projeto conta com a participação de estudantes de mestrado e de graduação das áreas de Psicologia e de Computação. “Atualmente temos dois alunos de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada e três alunas de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Também temos um grupo de seis alunos de graduação envolvidos em trabalhos de final de curso ou em iniciação científica junto ao projeto”, conta.

Segundo Rigo, a atuação na pesquisa permite que os estudantes entrem em contato com conceitos e procedimentos de áreas diferentes das suas, percebendo assim a importância de trabalho cooperativo e interdisciplinar para a solução de problemas complexos. “No caso deste estudo, nenhuma das áreas de conhecimento envolvidas poderia encaminhar uma solução adequada de forma isolada. Nesse sentido, a interseção das áreas é capaz de promover inovação, já que os conhecimentos são aplicados para resolver problemas práticos e compartilhados. Os alunos percebem este contexto e isso permite que estejam mais abertos a novas experiências interdisciplinares”, afirma.

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De acordo com a psicóloga e pesquisadora, Elisa Castro, que também integra o projeto, a utilização do dispositivo vestível, em conjunto com o aplicativo móvel, permite aumentar a consciência das pessoas sobre o seu estado psicofisiológico o que permite que intervenções preventivas sejam realizadas, diminuindo o impacto nocivo das situações de estresse cotidiano. “A pesquisa vai nos permitir usar estratégias cognitivas e comportamentais consolidadas para manejo de estresse e ansiedade. O uso da tecnologia terá ampla aplicação na psicologia, podendo ser usada como uma forma completa de avaliação e monitoramento do estresse das pessoas, seja em ambiente controlados como consultórios, seja em ambiente natural como no dia a dia”, explica.

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O projeto conta com uma equipe de 13 pesquisadores de diferentes áreas, são eles: Elisa Castro, Murilo Zibetti, Tonantzin Gonçalves, Sandro Rigo, Cristiano Costa, Rodrigo Figueiredo, Ana Paula Mallman, Mateus Levandowsky, Silvio Cazella, Bjoern Skofier, Robert Richer, Nicolas Rohleder e Diego Gutierrez. O grupo teve um artigo inicial aceito na Conferência BRACIS (Brazilian Conference on Intelligent Systems) e, em 2019, recebeu fundos da Agência Alemã Baylat, o que possibilitou uma visita de estudos de dois professores da Friedrich Alexander Universitat, da Alemanha, para interação com a equipe de pesquisadores da Unisinos.

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