Inovação e Tecnologia são os focos da Summer School

Curso de extensão ocorre em atividades que alternam entre os campi

MATHEUS N. VARGAS

Entre os dias 13 e 17/1, está ocorrendo o curso de extensão Summer School – Developing Innovation Ecosystems to the Industry 4.0 in a developing contry. As atividades se alternam entre os campi São Leopoldo e Porto Alegre, sendo que no último dia do curso os alunos irão visitar uma empresa em Caxias do Sul.

Os estudantes são estimulados a pensar sobre os ecossistemas de inovação e a indústria 4.0, e suas especificidades em relação a um país em desenvolvimento como o Brasil. O tema promete revolucionar vários aspectos das sociedades, já que essa discussão está no coração de economias prósperas como Estados Unidos, Alemanha e Israel.

O professor responsável pelo curso, Diego Marconatto, explica que a Indústria 4.0 se trata de uma nova revolução industrial que vai mudar a maneira como a manufatura funciona e tudo em volta dela. “Estamos falando de um novo modo de organizar e executar a produção e assim por diante, com um uso muito pesado de inteligência artificial, banco de dados, big data e tudo o que envolve esse universo”, destaca.

Crédito: Matheus N. Vargas

Marconatto afirma que se tratando de internet das coisas e inteligência artificial, as possibilidades de mudanças na sociedade são ilimitadas. “Existe um debate muito forte sobre um possível abalo sísmico no mercado de trabalho causado pela Industria 4.0, que fará várias profissões desaparecerem. Tudo aquilo que pode ser automatizado e sistematizado, vai ser automatizado e sistematizado”, enfatiza.

O professor também conta que assim como acontece com o capitalismo, a Indústria 4.0 pode criar outros empregos, normalmente voltados para a tecnologia. “Tudo o que envolve tecnologia, programação e assim por diante, pode ter ganhos muito grandes nos próximos anos. Não existe a certeza de que haverá um desemprego em massa como algumas pessoas preveem, mas, de fato, acontecerão grandes mudanças”, reforça.

O pesquisador lembra que iniciativas empreendedoras de inovação no Brasil encontram muitas dificuldades para se consolidarem. “Entraves burocráticos, excesso de regulação estatal, dificuldade de acesso ao capital, escassez de mão de obra qualificada. Essas são dificuldades bastante comuns em países em desenvolvimento”, afirma.

Segundo o professor, criar HUBs de excelência, onde existam empresas que trabalham com a Industria 4.0 é uma maneira que países em desenvolvimento podem usar para gerar sistemas de inovação e a Unisinos é um belo exemplo. “Temos dentro do campus São Leopoldo a HT Micron e a SAP, juntas de campos de excelência nessas áreas e incubadoras. Temos uma série de atores que se concentram em torno de HUBs de desenvolvimento da Indústria 4.0, por isso chamamos de ecossistema de inovação”, comenta.

De acordo com Marconatto, o sistema recebe esse nome pois tem uma característica territorial, ou seja, esses atores vão orbitar em torno de algum ponto geográfico, nesse caso, o Tecnosinos, e que terá um conjunto bastante diverso de agentes. “Essa é uma das maneiras, investir na criação e no fomento dos vários pilares que estão presentes no ecossistema de inovação”, ressalta.

O mestrando Etelmir Machado destaca a importância do curso de extensão. “No meu caso, o conteúdo ministrado e o assunto irão me ajudar na dissertação de mestrado, que envolve o tema da Indústria 4.0. Mas o curso está indo além disto, por ter o conteúdo teórico e, em conjunto, poder ver esse conteúdo ser, de alguma forma, materializado nas empresas e instituições que visitamos. Isso nos ajuda muito a entender que há dificuldades, mas que também há possibilidades de implementar a teoria estudada”, aponta.

Outro ponto que o estudante destaca é poder entender como as dificuldades reais estão sendo ultrapassadas. “Me chamou a atenção ver quantos parceiros, nacionais e internacionais já têm permitido que ideias e projetos possam ser executados e que até alunos possam apresentar projetos a essas empresas”, finaliza o mestrando.

Crédito: Matheus N. Vargas