Radar da Unisinos reúne dados de 497 municípios gaúchos e será produto âncora de novo Observatório

Ferramenta desenvolvida pelo CEI analisa 41 indicadores em seis dimensões e permite comparar o desempenho dos municípios considerando as características de seus territórios

Crédito: Rodrigo W. Blum

Hoje (27), no campus de Porto Alegre, aconteceu o lançamento do Radar Municipal do Rio Grande do Sul. Uma nova ferramenta desenvolvida pelo Núcleo de Excelência Competitividade, Economia Regional e Internacional (CEI), da Unisinos, que reúne dados de 497 municípios gaúchos para ajudar a responder a essa pergunta. O Radar será o produto âncora do novo Observatório da Escola de Gestão e Negócios (EGN) da Universidade.

O Radar reúne 41 indicadores distribuídos em seis dimensões: Saúde, Socioeconômica, Segurança, Educação, Meio Ambiente e Finanças Públicas. A proposta é oferecer um diagnóstico integrado do desempenho municipal, permitindo identificar não apenas a posição de cada município, mas também as áreas em que estão concentrados seus principais resultados e desafios.

A ferramenta utiliza as nove Regiões Funcionais de Planejamento do Estado como referência para as comparações. Dessa forma, os municípios são analisados em relação a outros territórios de contexto geográfico semelhante, reduzindo o efeito de diferenças relacionadas à localização e às características regionais. O Radar também considera o efeito do porte populacional no indicador geral, possibilitando observar se o desempenho de um município está acima, dentro ou abaixo do esperado em relação ao tamanho de sua população.

Para a decana da Escola de Gestão e Negócios, Patrícia Cabral, o Radar materializa a proposta do Observatório: transformar dados em conhecimento capaz de apoiar decisões. “O Radar RS tem uma característica muito importante: ele materializa, desde o início, aquilo que pretendemos que o Observatório seja. Trabalha com dados, produz leitura territorial e transforma informação em subsídio para decisões”, destaca.

Crédito: Rodrigo W. Blum

Além dos índices compostos, a plataforma permite consultar os dados originais utilizados em cada dimensão e acompanhar sua evolução ao longo do tempo. É possível, por exemplo, analisar individualmente um indicador e compará-lo com a mediana do Rio Grande do Sul e da Região Funcional à qual o município pertence. Dessa maneira, o usuário consegue compreender os dados que estão por trás do resultado.

Outro aspecto importante é que as notas atribuídas pelo Radar são relativas. Uma nota 10, por exemplo, não significa que o município tenha atingido uma situação ideal, assim como uma nota 1 não representa ausência de desempenho. Os resultados indicam a posição relativa do município diante dos demais integrantes de sua Região Funcional, considerando a distribuição dos resultados observados no grupo de comparação.

“Mas o Radar não é o Observatório inteiro; ele é um ponto de partida e de convergência. Um dado sobre educação pode mobilizar pesquisadores da gestão educacional; um indicador de trabalho pode dialogar com pesquisas sobre liderança, pessoas ou inovação; uma informação econômica pode suscitar análises sobre empreendedorismo ou desenvolvimento territorial”, explica Patrícia.

O Observatório da Escola de Gestão e Negócios foi criado com a proposta de conectar pesquisas, grupos, núcleos e outras iniciativas que já produzem conhecimento na Universidade. A ideia é ampliar a circulação desse conhecimento.

“O Observatório nasce para transformar dados, pesquisas e experiências, que muitas vezes estão dispersos, em inteligência qualificada e acessível, capaz de subsidiar decisões, provocar novas perguntas e contribuir para a transformação de organizações e territórios”, afirma a decana.

A partir do Radar RS, o Observatório deverá produzir relatórios, dashboards, boletins, estudos e capacitações baseados em evidências. A expectativa é ampliar a produção e a divulgação dessas informações para gestores públicos, empresas, organizações e imprensa.

A iniciativa pretende se consolidar como uma fonte acadêmica recorrente, oferecendo dados contextualizados, pesquisadores especializados e análises sobre fenômenos que impactam os municípios e o Estado.

O Radar foi concebido para permitir uma análise ampla das diferentes realidades municipais. As seis dimensões contempladas pela ferramenta reúnem informações sobre resultados sociais, condições econômicas, oferta de serviços públicos e situação das finanças municipais.

A dimensão Socioeconômica, por exemplo, considera aspectos como renda, mercado de trabalho, geração de emprego e vulnerabilidade social. Já Finanças Públicas permite analisar condições fiscais e orçamentárias, incluindo elementos relacionados à capacidade de investimento dos municípios. Saúde e Educação combinam indicadores de resultado com informações sobre cobertura e condições de oferta de serviços.

Para a coordenadora do curso de Ciências Econômicas, Camila Orth, essa abordagem é especialmente relevante diante da diversidade do Estado. “O Rio Grande do Sul é um território muito rico em capacidades, mas também profundamente diverso. Quando olhamos para os municípios, encontramos realidades econômicas, sociais, educacionais e produtivas bastante distintas”, afirma.

Crédito: Rodrigo W. Blum

Segundo ela, o Radar permite tornar essas diferenças mais visíveis e oferecer informações para apoiar escolhas de municípios, empresas e organizações. “Ele cria uma base analítica a partir da qual podemos compreender os territórios, comparar trajetórias, identificar potencialidades e reconhecer pontos que demandam atenção”, completa.

A ferramenta também foi estruturada para receber atualizações e incorporar novos dados, preservando sua arquitetura de cálculo.

Com o Observatório, a EGN pretende ampliar a conexão entre a produção acadêmica e as demandas da sociedade. O Radar RS será o primeiro eixo dessa estratégia, mas a agenda deverá incorporar outros temas relacionados às competências da Escola, como governança, liderança, educação financeira, sustentabilidade, inovação e transformação digital.

“A referência não se constrói apenas dizendo que se é referência. Ela se constrói quando a sociedade reconhece que existe um lugar ao qual pode recorrer para encontrar informação confiável, leitura qualificada e capacidade de interlocução sobre problemas relevantes”, afirma Patrícia.

A expectativa é que, ao longo dos próximos anos, o Observatório contribua para fortalecer uma cultura de decisões baseada em evidências e ampliar a participação da Universidade no debate sobre os desafios e as potencialidades do Rio Grande do Sul.

Para acessar a plataforma clique aqui.

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