A professora e coordenadora do curso de Biomedicina, Mellanie Fontes-Dutra, foi reconhecida no Prêmio Pesquisador Gaúcho 2026, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), na categoria Divulgação de Ciências. A premiação reconhece pesquisadores que se destacam na aproximação entre a produção científica e a sociedade.
Para Mellanie, o reconhecimento representa a consolidação da relação entre a produção científica e sua popularização. “Para mim, representa essa consolidação que deve ser permanente entre ciência e sua popularização, para que aquilo que a gente faz realmente alcance as pessoas”, afirma.
A trajetória da professora na divulgação científica começou em 2015, durante a conclusão do mestrado e o início do doutorado, a partir da participação na Semana Nacional do Cérebro. Anos depois, durante a pandemia de Covid-19, sua atuação ganhou novas dimensões com a participação na Rede Análise Covid, grupo formado por pesquisadores e especialistas voluntários para combater a desinformação em saúde, e no movimento Todos pelas Vacinas, que reuniu especialistas, sociedades médicas e representantes da sociedade civil em campanhas de valorização da vacinação.
A experiência também influenciou a forma como Mellanie produz conteúdos científicos para diferentes públicos. Antes de comunicar um tema, ela realiza pesquisas aprofundadas, conversa com especialistas e busca construir narrativas que aproximem o conhecimento científico de situações do cotidiano. Seus conteúdos utilizam diferentes formatos e elementos inesperados para despertar a curiosidade do público.

“Eu gosto muito de misturar essas coisas não óbvias, que talvez causem um impacto mais de surpresa, de início, atiçando esse tipo de curiosidade”, explica. Entre os exemplos, está um vídeo em que produziu um buquê de flores com hastes de chenille enquanto explicava uma questão científica relacionada às vacinas.
A professora destaca que a divulgação científica não deve ser vista como uma atividade separada da pesquisa. Para ela, comunicar ciência também contribui para que a sociedade compreenda, valorize e participe da construção do conhecimento. “A sociedade tem que participar ativamente disso, de uma construção de ciência e de um entendimento de forma coletiva”, afirma.
Na Unisinos, Mellanie encontrou apoio para conciliar a atuação acadêmica com a popularização da ciência. Desde que ingressou na Universidade, em 2021, ela destaca o incentivo recebido de diferentes setores da instituição. Recentemente, também foi reconhecida com um prêmio Mulheres na Ciência, durante a Mostra de Iniciação Científica e Tecnológica da Unisinos. “Eu sinto que a Unisinos abraçou esse meu sonho e ela sonha ele junto comigo”, afirma.
Ao olhar para a própria trajetória, a professora também deixa uma mensagem para pesquisadores que desejam atuar na divulgação científica. Segundo ela, é importante não perder de vista o propósito que levou cada pessoa à carreira científica. “A gente não se tornou pesquisador somente para publicar artigos. A gente se tornou pesquisador, cientista, porque alguma coisa incendiou a gente por dentro, ativou esse propósito”, destaca.
Para Mellanie, pesquisa e divulgação científica são dimensões complementares. “Fazer ciência não é mais importante do que falar sobre ciência e vice-versa. As duas coisas são essenciais”, resume.