Exposição do Memorial Jesuíta foi inaugurada na Unisinos

Crédito: Rodrigo W. Blum

A Unisinos realizou, nessa terça-feira, 22/04, a cerimônia de abertura da exposição 400 anos das Reduções Jesuítas e Guaranis (1626–2026), no hall de entrada da Torre Educacional do campus de Porto Alegre. A mostra integra a programação especial pelos 400 anos das Missões Jesuítico-Guaranis e segue aberta ao público até o dia 29 de maio.  

Promovida pelo Memorial Jesuíta Unisinos, a exposição reúne, pela primeira vez na capital gaúcha, dez esculturas da Coleção Jesuíta de Estatuária Missioneira.

A proposta convida o público a refletir sobre o encontro entre jesuítas e povos guarani, destacando não apenas o contexto histórico das reduções, mas também o intercâmbio cultural, artístico e de saberes que marcou esse período.

Durante a abertura, o coordenador e curador do Memorial Jesuíta, Pe. Felipe Soriano, destacou o significado simbólico da iniciativa e a importância de trazer as peças para Porto Alegre. Segundo ele, a exposição é resultado de um desejo antigo. “Para nós, jesuítas, trazer esse presente para Porto Alegre, pela primeira vez essas peças expostas na capital, é algo muito significativo. Ainda mais neste momento de fazer memória dessa herança que marca o nosso jeito de ser nesta terra gaúcha”. 

Felipe também ressaltou o caráter reflexivo da exposição, que apresenta as reduções como um espaço de tensões e aprendizados. “As reduções seguem sendo um conflito para nós, porque o encontro entre culturas envolve desafios. O guarani, ao se colocar diante dessas imagens, percebia nelas um horizonte, algo que ainda estava por vir. Essa experiência nos convida também hoje a olhar para a nossa história e para o nosso modo de ser”. 

Outro destaque da mostra é a presença do tronco Kuarupe, elemento central de rituais indígenas do Xingu, que estabelece um diálogo simbólico com a madeira das esculturas missioneiras. O professor Edison Hüttner enfatizou essa conexão durante sua fala. “Os rituais ligados ao tronco Kuarupe revelam uma tradição milenar de relação com a natureza e com os antepassados. A madeira, nesse contexto, carrega espiritualidade, memória e identidade. Quando olhamos para a estatuária missioneira, percebemos relações profundas entre culturas, entre modos de viver e de significar o mundo”.

O reitor da Unisinos, Pe. Sérgio Mariucci, destacou dois eixos centrais da exposição: a celebração das origens e o diálogo entre saberes. “Como universidade jesuíta, somos herdeiros dessa presença missionária, marcada por coragem, criatividade e encontro com a cultura guarani. Essa exposição evidencia justamente essa troca: se não fosse o acolhimento e a sabedoria dos povos guarani, nada disso teria sido possível”.   

Crédito: Rodrigo W. Blum

Mariucci também reforçou a atualidade da mensagem proposta pela mostra. “O que nos inspira é essa capacidade de diálogo que constrói soluções com paz e serenidade. Em um mundo que precisa tanto disso, revisitar essa história é também um convite a pensar o presente e o futuro”. 

Com uma abordagem que conecta passado e contemporaneidade, a exposição evidencia a transversalidade cultural, espiritual e científica das Missões Jesuítico-Guaranis. Ao destacar a madeira como elemento simbólico comum entre diferentes tradições, a mostra propõe uma leitura sensível sobre memória, arte e identidade. 

A visitação é gratuita e aberta à comunidade. 

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