Durante a programação do II Rede de Saberes: Desafios e oportunidades socioambientais em uma sociedade interconectada, docentes e pesquisadores da Unisinos foram homenageados por sua dedicação e contribuições à ciência, à inovação, à formação de estudantes e ao impacto na sociedade. A cerimônia ocorreu no dia 3 de junho e foi promovida pelas Diretorias de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (DPPGI) e de Graduação (DGRAD).
A entrega dos prêmios foi dividida em cinco categorias, com três vencedores em cada uma:
- Mulheres na Ciência: Mellanie Fontes Dutra da Silva; Fernanda Pacheco; Feliciane Andrade;
- Docentes e Pesquisadores(as) com Destaque em Impacto na Sociedade: Juliana Nichterwitz Scherer; Izabele Colusso; Carlos Alberto Mendes Moraes;
- Pesquisador(a) Empreendedor(a): Gerson Fauth; Mauricio Roberto Veronez; Cristiano André da Costa;
- Pesquisador(a) Sênior: Farid Chemale Junior; José Roque Junges; Leonel Severo Rocha;
- Mérito em Produção Qualificada: Jorge Luis Victória Barbosa; Rodrigo da Rosa Righi; Wagner Junior Ladeira.
Alguns dos homenageados compartilharam um pouco de suas trajetórias acadêmicas e destacaram a relevância do reconhecimento concedido pela Universidade.
Mulheres na Ciência
Fernanda Pacheco, professora de Engenharia Civil e pesquisadora do ITT Performance, está na Unisinos há mais de 12 anos. A docente destaca a importância das experiências que despertaram seu interesse pela pesquisa científica. “Desde o meio do curso de graduação, tive a oportunidade de atuar como bolsista de iniciação científica, e isso foi fundamental para que eu começasse a desenvolver o interesse em atuar em pesquisa”, relata. Fernanda também conquistou os títulos de mestre e doutora em Engenharia Civil pela Universidade, abordando, respectivamente, a durabilidade do concreto e os concretos autocicatrizantes. Atualmente, ocupa o cargo de gerente acadêmica de Produto da Escola Politécnica, além de atuar em outras áreas. Sobre os desafios enfrentados ao longo de sua trajetória, Fernanda enfatiza o valor dado pela Unisinos aos pesquisadores. “Sou favorecida por pertencer a uma instituição e a um grupo de pesquisa que sempre me deram voz, abertura e muitas oportunidades. Diria que o desafio é seguir engajando alunos para que tenham interesse em se desenvolver na área de conhecimento. Fora isso, é muito recompensador”, afirma.
Feliciane Andrade Brehm, bacharel em Química e professora adjunta do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Engenharia Civil, tem 21 anos de atuação na Unisinos. A professora possui experiência na relação Universidade-Empresa, desenvolvendo projetos de pesquisa aplicada com o objetivo de buscar soluções nas áreas de engenharia de materiais e metalurgia. “Um dos principais aspectos norteadores da minha trajetória é incentivar projetos que fomentem a sustentabilidade nas mais diversas áreas em que atuo”, ressalta. A professora também relembra experiências durante o mestrado e o doutorado, quando realizou atividades em uma fábrica metalúrgica. No local, encontrou dificuldades por se tratar de um ambiente extremamente masculinizado. “Não havia nem banheiro para as mulheres naquele lugar”, conta.
Mellanie Fontes, coordenadora do curso de Biomedicina, possui mais de dez anos de experiência em pesquisa básica. A professora destaca que os projetos desenvolvidos ao longo de sua trajetória contribuíram para sua formação e ampliaram seu interesse pela divulgação científica. Entre eles, a Rede Análise teve papel importante durante a pandemia de covid-19, ao unir ciência e sociedade civil no combate à desinformação sobre a doença e as vacinas. “Todos os projetos tiveram um papel importante na minha formação, despertando minha paixão pela ciência e a vontade de compartilhar as descobertas com a sociedade”, comenta Mellanie. A pesquisadora também ressalta a importância do reconhecimento institucional para fortalecer a popularização da ciência no meio acadêmico. Para ela, a divulgação científica deve ser compreendida como parte do próprio processo de pesquisa, permitindo que o conhecimento produzido nas universidades alcance a população. Mellanie ainda relembra as críticas recebidas ao priorizar a comunicação científica nas redes sociais, além dos ataques enfrentados ao defender a vacinação. “É muito importante ter o reconhecimento e o apoio institucional, porque a divulgação científica precisa ser valorizada tanto quanto o desenvolvimento da pesquisa. Quando publicamos um artigo, o ciclo não termina: é o momento de pensar em como fazer esse conhecimento chegar às pessoas”, destaca.
Destaque em Impacto na Sociedade
Juliana Nichterwitz Scherer é biomédica e doutora em psiquiatria e ciências do comportamento. A professora relata que é difícil escolher quais projetos foram os mais importantes. “Vejo minha trajetória como uma construção em que cada experiência foi abrindo novas possibilidades de pesquisa e de atuação”, observa. Há mais de 10 anos desenvolvendo pesquisas básicas e aplicadas na área da saúde e há 7 na Unisinos, Juliana considera seu trabalho realizado com motoristas profissionais como um dos de maior impacto social. O estudo teve como objetivo monitorar e promover o cuidado de saúde. “Esses profissionais estão expostos a condições de trabalho que podem repercutir sobre diferentes dimensões da saúde, incluindo saúde mental, doenças crônicas e infectocontagiosas”, relata a pesquisadora. A ação foi realizada em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES-RS). Foram realizadas avaliações de indicadores de saúde, identificação de fatores de risco e vulnerabilidades, ações de educação e promoção da saúde, além de encaminhamentos diante das necessidades identificadas. “Além do impacto direto sobre os profissionais atendidos, o projeto gera dados epidemiológicos sobre uma população ainda pouco investigada, permitindo que as necessidades identificadas em campo sejam transformadas em evidências capazes de subsidiar novas estratégias de prevenção, cuidado e políticas de saúde”, afirma.
Izabele Colusso é coordenadora e professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisinos e sócia-diretora da Plural Consultoria em Planejamento Territorial. A professora também participa da elaboração de planos diretores municipais, planos locais de habitação de interesse social, planos de mobilidade urbana e projetos urbanísticos e de paisagem urbana. A docente destaca que sua trajetória acadêmica é marcada por pesquisas voltadas ao planejamento urbano e regional, com foco em mobilidade, sustentabilidade, infraestrutura e qualidade de vida. Mais recentemente, seus estudos passaram a se concentrar na resiliência urbana, nas mudanças climáticas e na governança territorial. Entre os projetos que considera fundamentais estão o “Cidades Resilientes em Rede”, o “Cidadania Viva”, desenvolvido em São Leopoldo, e o “Petro II – Soluções baseadas na natureza (SbN)”. “Esses projetos aproximam a pesquisa das demandas concretas dos territórios, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de resiliência, sustentabilidade e adaptação climática”, explica Izabele. A professora também ressalta as experiências de pesquisa aplicada e cooperação técnica com o Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (UNDRR), que ampliaram sua atuação na área de gestão de riscos, infraestrutura resiliente e políticas públicas. Para ela, o principal objetivo é fazer com que o conhecimento científico ultrapasse os limites da universidade e contribua para a transformação da sociedade. “O que conecta essas experiências é justamente a busca por uma pesquisa que não fique restrita à academia, mas que consiga produzir conhecimento e, ao mesmo tempo, contribuir para transformar os territórios”, ressalta.
Carlos Alberto Mendes Moraes é doutor em ciências dos materiais pela University of Manchester Institute of Science and Technology (UMIST), da Inglaterra. O professor desenvolve pesquisas nas áreas de resíduos sólidos industriais, otimização de processos para a minimização de resíduos, produção mais limpa, caracterização e reciclagem de materiais, além de resíduos sólidos industriais. Carlos destaca que sua trajetória de 26 anos na Unisinos foi marcada pelo desenvolvimento de projetos de pesquisa, inovação tecnológica e extensão. Ao longo desse período, participou de mais de 100 projetos, muitos deles voltados à indústria metalúrgica e, posteriormente, à sustentabilidade e ao trabalho com associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis. Entre as iniciativas estão ações para melhorar a produção de sabão em cooperativas e ampliar a reciclagem de resíduos, calçados e lâmpadas LED. “Conseguimos utilizar o conhecimento científico e tecnológico desenvolvido ao longo dos anos para promover melhorias na produção e na qualidade dos produtos, além de ampliar as possibilidades de reciclagem de diferentes materiais”, explica o professor. Sobre o reconhecimento recebido, Carlos ressalta a importância de transformar o conhecimento produzido na Unisinos em benefícios concretos para a população. Para ele, a aproximação entre pesquisa e sociedade também fortalece a formação de estudantes e contribui para o desenvolvimento das comunidades envolvidas. “O reconhecimento representa ter conseguido alcançar um grande objetivo na minha carreira: entregar conhecimento, ciência e tecnologia para a sociedade no menor espaço de tempo possível. Ver que os trabalhos dos alunos trazem benefícios à população e contribuem para melhorar a renda das cooperativas é um dos principais incentivos para continuar”, observa.
Pesquisador Empreendedor
Cristiano André da Costa é pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada (PPGCA) e diretor do Softwarelab, núcleo de excelência em inovação de software da Unisinos. Um dos projetos que considera ser de maior destaque em sua trajetória é voltado ao desenvolvimento de uma tecnologia capaz de detectar e interpretar as ações de equipes médicas em salas de cirurgia. Em parceria com a empresa Siemens Healthineers, a pesquisa foi colocada em funcionamento no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, ao longo de aproximadamente dois anos, em diferentes intervenções cirúrgicas. “Foi uma experiência muito importante, pois aproximou a pesquisa acadêmica de um ambiente de aplicação prática, permitindo enfrentar desafios concretos e avaliar o potencial da tecnologia em situações reais”, afirma. Segundo ele, a homenagem no Rede de Saberes representa uma importante valorização e um reconhecimento dos 26 anos dedicados à Unisinos. “Desde o início da minha carreira na Unisinos, busco desenvolver uma pesquisa que conecta à sociedade. Receber esse reconhecimento representa um momento muito especial e o coroamento de uma trajetória construída com muito trabalho, dedicação e colaboração”, destaca.
Pesquisador Sênior
José Roque Junges está na Unisinos há 25 anos. Doutor em ética e especialista em Bioética, o professor enfatiza três projetos de pesquisa que foram fundamentais ao longo de sua carreira. O trabalho “Construção e validação de um instrumento de avaliação sobre a ocorrência de problemas éticos na atenção básica à saúde e discussão sobre os seus possíveis cursos de solução” consistiu no desenvolvimento, teste e validação de um instrumento voltado à identificação e mensuração de conflitos ou impasses éticos cotidianos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), indo além de dilemas complexos para abranger situações corriqueiras da prática profissional. “A pesquisa validou quantitativamente um instrumento para detectar e avaliar os problemas éticos experimentados pelos profissionais da Atenção Primária e propor uma metodologia de discussão desses problemas”, explica José Roque. Dando continuidade a essa temática, desenvolveu o trabalho “Percepção dos profissionais da Atenção Primária sobre a Segurança do Paciente em condições crônicas”, um estudo científico que investiga como os trabalhadores da saúde avaliam a segurança e os riscos no atendimento de pessoas com doenças de longa duração na rede básica. “É preciso criar a consciência nos profissionais da Atenção Primária para os riscos que acontecem em suas práticas e criar práticas de uma cultura da segurança do paciente”, afirma José Roque. O terceiro projeto é “Biopolítica e Vigilância em Saúde: institucionalização da prática do controle de riscos e a integralidade dos processos de saúde”, no qual investiga como as estruturas da Vigilância em Saúde moldam comportamentos e controlam a população sob o objetivo de mitigar riscos, confrontando a lógica burocrática de controle com a integralidade do cuidado. Segundo ele, a Atenção Primária precisa trabalhar em parceria e consonância com a Vigilância em Saúde. “Pela diferença de focos, no caso, cuidado e controle, respectivamente, as duas podem entrar em conflito, por exemplo, no caso do atendimento da tuberculose, que foi o caso da pesquisa”, afirma. José Roque ressalta o que esse reconhecimento representa para sua trajetória como pesquisador: “Expressa a importância da Atenção Primária em Saúde, que sempre foi o foco da minha pesquisa para a saúde da população”.
Mérito em Produção Qualificada
Jorge Luís Victoria Barbosa possui graduações em Tecnologia em Processamento de Dados e Engenharia Elétrica. Além disso, obteve especialização em engenharia de software e realizou mestrado e doutorado em ciência da computação. Há mais de 36 anos atuando como pesquisador e professor, ele destaca que o prêmio reconhece a sua produção acadêmica dos últimos anos e agradece à Unisinos pela homenagem. “Essa produção foi compartilhada com alunos, orientandos, colegas professores e pesquisadores, equipes de projetos e muitos outros parceiros de atividades de pesquisa, ensino, extensão e inovação”, destaca. “Agradeço a todos que participaram dessa história e, de forma muito especial, agradeço à Unisinos por proporcionar esse momento de integração e reconhecimento para mim e os demais colegas”. Jorge enfatiza a relevância que o reconhecimento terá para os cursos nos quais atua e para a realização de projetos futuros. “Esse reconhecimento é relevante para os cursos em ambos os níveis, pois mostra a qualificação que temos atingido juntos por meio de disciplinas, orientações de trabalhos de conclusão e de iniciação científica, além de orientações de mestrado e doutorado”, ressalta.