Biosens recebe investimento do Fundo20 Tecnosinos e Instituto Hélice

Startup desenvolveu um teste rápido que avalia parâmetros da coagulação de sangue

PEDRO BARBOSA - TECNOSINOS

A criação de soluções inovadoras, que envolvem um ambiente complexo e de relação intrínseca com pesquisas científicas precisam de investimento e tempo para se desenvolver. Quando falamos nas healthtechs (startups da área da saúde), o desafio de transformar essa ideia em produto é ainda maior.

Crédito: Pedro Barbosa/Tecnosinos

Fundada em maio de 2020, já num contexto de pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a Biosens atua na pesquisa, desenvolvimento e comercialização de biossensores, com foco em hospitais, clínicas, consultórios e farmácias. Instalada no Parque Tecnológico São Leopoldo – Tecnosinos, a startup foi selecionada para dois programas de aceleração: Fundo20 Tecnosinos e Instituto Hélice.

A co-fundadora da Biosens e professora da Escola de Saúde da Unisinos, Priscila Lora, explica que a startup possui o escopo de alguns produtos, que estão sendo estudados e analisados, quanto aos respectivos potenciais de desenvolvimento. Para o processo de aceleração, que será conduzido pela aceleradora Ventiur, a Biosens optou por desenvolver um teste que avalia parâmetros de coagulação de sangue. “Estamos muito felizes, pois somos uma empresa de base tecnológica para a saúde. Vamos desenvolver um teste rápido de coagulação, que atualmente é o nosso produto com maior maturidade tecnológica”, explica.

Além deste produto, está no roadmap da empresa o desenvolvimento de biossensores para outros biomarcadores alvos que envolvem o uso de tecnologias avançadas, como grafeno e CRISPR.

De acordo com o fundador e diretor executivo da Ventiur, Sandro Cortezia, o processo de aceleração dura nove meses. Neste período, será realizado um acompanhamento da startup, buscando ajudar a Biosens no desenvolvimento do produto e inserção no mercado. Será realizado um aporte de R$ 400 mil na startup, sendo R$ 200 mil de cada grupo de investidores.

Com o aporte, a Biosens pretende alavancar o desenvolvimento do produto, bem como ter acesso a diversas oportunidades ao longo da aceleração: planejamento, networking e mentorias. “O investimento vai acelerar o acesso a insumos, testes e a contratação de profissionais especializados. Esperamos que fortaleça e acelere nosso processo de comercialização do produto e consolidação da empresa”.

Academia x negócio

Priscila conta que a startup nasceu no ambiente acadêmico, numa união de expertises das áreas da saúde e engenharia. O estudo foi avançando e tomando corpo, até se transformar em uma empresa. Para ela, um dos desafios de transformar uma pesquisa acadêmica em negócio é fazer a virada de chave e entender que o contexto é diferente. “Quando se fala em transformar uma ideia em negócio, precisamos entender que a trajetória de sair da universidade e empreender não é tão simples. Há muita estratégia e amadurecimento de negócio envolvidos neste processo”.

Crédito: Pedro Barbosa/Tecnosinos

Segundo Priscila, a startup já vinha buscando fomentos relacionados ao desenvolvimento de fundos, como CNPq e Fapergs. “Já recebemos quatro editais de fomento, que nos deram uma base para o desenvolvimento do produto em uma velocidade menor, mas importante”.

Conheça o teste de coagulação

Uma estimativa com base em pesquisa de mercado, realizada pela Biosens, aponta que o Brasil efetua mais de 89 milhões de testes de coagulação por ano. Embora tenha uma grande demanda, Priscila explica que há apenas dois tipos de testes rápidos disponíveis, que chegam a um custo relativamente alto. Ela estima que a solução desenvolvida pela startup deve chegar ao mercado a um custo entre 30 e 40% mais barato dos que os oferecidos atualmente. “Queremos lançar o produto até o final de 2022. Temos alguns desafios pela frente, como consolidar equipe de PDI, certificações e exploração do mercado. Esperamos que a aceleração nos ajude a pensar estrategicamente”.

O teste rápido que está sendo desenvolvido pela Biosens utiliza um sistema de inteligência artificial, baseado em nuvem, que será uma importante ferramenta no apoio a tomada de decisão. “A ideia é que o teste substitua a coleta de sangue venoso, por uma coleta de ponta de dedo, que vai realizar o exame na hora e encaminhar o resultado para um aplicativo web”, explica Priscila.

Com base em parâmetros pré-estabelecidos, a solução vai analisar os dados coletados e fazer uma sugestão de ajuste de dose da medicação, que leva em consideração parâmetros clínicos que hoje não são comumente considerados. O teste pode ser aplicado em diversos cenários onde a coagulação está relacionada: processos com traumas graves, condições de cirurgias e um vasto grupo de pacientes que faz uso de medicação anticoagulante (pacientes com válvula cardíaca, trombose etc) que, no contexto da Covid, tem alguma alteração de coagulação.