Em busca de novos conhecimentos e experiências na Finlândia

Aluno do curso de Engenharia de Energia da Unisinos estudou e trabalhou por mais de um ano no país do norte da Europa

GUSTAVO EV
28 de Outubro de 2014 - 13:44 | Atualizado: 28 de Outubro de 2014 - 14:37

Quem não gostaria de residir por mais de um ano na Finlândia? João Klein Bilibio teve essa oportunidade. O estudante do 5º semestre de Engenharia de Energia embarcou no dia 18 de agosto de 2013 para o país nórdico, e ficou por lá até o último dia 21 de outubro. “Com certeza a minha visão foi ampliada, pois as experiências vivenciadas lá fora são ilimitadas. Temos que aprender a deixar a nossa zona de conforto, para que possamos achar novos caminhos, com o intuito de nos aperfeiçoar e nos desenvolver”, comenta.

João conseguiu o intercâmbio por meio do programa Ciência Sem Fronteiras, e teve o privilégio de estudar na Lappeenranta University of Technology. No verão, ele também pôde aperfeiçoar o seu currículo, ao estagiar na Wärtsilä - empresa líder global no fornecimento de motores e prestação de serviços para navios e usinas termelétricas. “O que mais aprendi profissionalmente foi a aquisição de experiências profissionais que obtive durante meu estágio. Lá quem demonstra um bom desempenho e vontade de trabalhar consegue se destacar e ser recontratado. Ter ambição é o que impulsiona a te aperfeiçoar e desenvolver profissionalmente”, conta o futuro engenheiro.

O cenário cultural da Finlândia foi um dos destaques que João levará do país – lembrando que, popularmente no Brasil, é na parte finlandesa da Lapônia que vive o Papai Noel. Para ele, os novos contatos feitos foi o mais valioso. “O mais importante foi a integração com novos costumes, culturas e pensamentos de jovens da comunidade de estudantes internacionais da faculdade onde estudava, a LUT”, salienta.

[Retrato de João com fundo verde do mato

Confira a entrevista

Como era sua rotina antes da viagem?

João: Antes de participar do Programa Ciências sem Fronteiras, eu tinha uma rotina normal de estudante. Como o meu curso era multiturno minhas aulas eram pela manhã, tarde e noite. Também estava estagiando na CEEE-GT (Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica) em Porto Alegre. Era uma corrida toda a semana para manter os estudos e o estágio em dia. 

Por que você resolveu participar do Programa Ciência sem Fronteiras?

João: Eu resolvi participar do programa Ciências sem Fronteiras, porque percebi que poderia ajudar no meu crescimento profissional e acadêmico. Durante o programa estudei em Lappeenranta University of Technology, que está classificada como uma das 300 melhores universidades do mundo.

Quais eram suas expectativas antes da viagem?

João: Tinha a expectativa de poder conhecer uma nova cultura e usufruir de um dos melhores sistemas educacionais do mundo. Também buscava oportunidade de conseguir um estágio, o qual não só poderia ser aproveitado como meu estágio obrigatório, mas que realmente me desse conhecimento e experiência profissional. Gostaria de aproveitar e agradecer a Embaixada do Brasil em Helsinque, que me auxiliou para que eu pudesse ser um dos dois brasileiros escolhidos para participar no Summer Trainee da Wärtsilä.

Como foi a experiência de morar e trabalhar na Finlândia?

João: Nunca me senti tão seguro em um lugar como na Finlândia. Segurança, honestidade e pessoas sem preconceito é o que vivenciei na lá. Podia caminhar em qualquer lugar, a qual quer hora, sem hesitar e desviar o caminho por ser perigoso. Um lugar onde deixava o casaco de inverno pendurado na frente da faculdade e, quando retornava no final do dia, estava lá onde deixei. 

[João praticando ciclismo na Finlândia

Na Finlândia o sistema de estágios é bem diferente do que temos no Brasil. Empresas normalmente oferecem vagas para estudantes durante o período de férias de verão que duram até três meses. Normalmente quem estuda na Finlândia são estudantes de tempo integral, sendo que não se tem o costume de estagiar durante o período letivo. O governo finlandês prioriza a educação e facilita para aqueles que querem estudar. Lá as empresas costumam admitir estagiários que tenham vontade de aprimorar seus conhecimentos e que na conclusão do seu curso estejam prontos para trabalhar na empresa contratante. Muitos dos outros estagiários, os quais trabalharam comigo, já estão no segundo ou terceiro verão trabalhando pela empresa, o que mostra a dedicação que ela tem aos seus estagiários. 

O que você espera neste seu retorno ao Brasil?

João: O que espero é contribuir de alguma forma para a melhora do meu curso, passando as informações do que há de melhor no sistema educacional da Finlândia, e quem sabe, implementá-las aqui.  Já tive a oportunidade de dialogar com a minha coordenadora de curso, sobre as experiências que tive, e ela se mostrou aberta a estas contribuições para o aprimoramento e melhoramento da nossa graduação. 

O que mais gostou na Finlândia e o que sentiu mais falta daqui do Brasil?

João: Segurança e honestidade foi o que mais gostei da Finlândia. A segurança de ser livre e de poder viver o dia a dia tranquilo. O que mais senti falta foi da comida da minha vó e da família.