O diferencial competitivo está nos detalhes

Ciência produzida na universidade contribui para o desenvolvimento da esfera econômica

BETINA ALBÉ VEPPO
14 de Novembro de 2014 - 10:23 | Atualizado: 14 de Novembro de 2014 - 13:56

Em face às transformações motivadas pela modernização das máquinas e pelo desenvolvimento de tecnologias, surgem novas demandas a serem atendidas pelos profissionais. O aprimoramento organizacional em um ambiente em constante mudança é fundamental. Deve-se buscar a renovação das ideias e atividades, primando pela inovação como forma de sobreviver à competitividade do mercado. Modelos de sucesso nascem de quem planeja e faz acontecer. Nesse sentido, faz-se necessário conhecer todas as possibilidades decorrentes da parceria universidade-empresa. O engenheiro Silmar Fachini percebeu significativas mudanças ao agregar a pesquisa acadêmica ao trabalho que exerce na Tramontina. Ele foi um dos contemplados pela empresa a frequentar um curso In Company, cujo objetivo é atender necessidades específicas de empresas para aumentar a competitividade no cenário econômico, e realizou pesquisas acerca de manutenção preventiva em seu trabalho de conclusão, aplicação que trouxe soluções valiosas à Tramontina.

O engenheiro optou por aprofundar-se em pesquisas na área de manutenção, setor onde atua no momento. Ele relata que, com os estudos feitos, percebeu os colaboradores da Tramontina mais preparados para enfrentar as adversidades. E, agora, à medida que necessitam, sabem onde buscar a teoria para comparar, relacionar e implementar melhorias. “As empresas que têm um planejamento de manutenção irão se destacar perante as concorrentes, devido aos resultados, metas atingidas e diminuição dos custos de produção”, avalia.

O professor Miguel Sellitto, quem orientou o aluno na construção da monografia, expõe que “o principal mérito do engenheiro e da Tramontina foi aplicar uma metodologia científica rigorosa a um problema complexo, multifacetado e multi-imbricado, tendo chegado a uma importante conclusão que, de modo algum, é vísivel no dia a dia da empresa: só se constata por métodos científicos”. Ele explica que o orientando deparou com uma estratégia de manutenção que estava parcialmente alinhada à estratégia de produção. Tal desalinhamento parcial impôs à produção penalizações, por exemplo, deixar de gerar resultados e, principalmente, inviabilizar alguns investimentos relevantes já feitos pela empresa.

Silmar efetuou pesquisas durante seis meses para a conclusão da monografia. Nesse período, percebeu que a adoção de um modelo de controle da manutenção aponta para uma gestão mais eficaz das máquinas, equipamentos do setor produtivo e das instalações em geral. “O bom desempenho dos equipamentos se reflete diretamente nos resultados da organização”, aponta. Ele ainda ressalta que os estudos acadêmicos contribuem com a aplicação dentro da empresa pelo contato com métodos científicos, simulações realizadas em sala de aula com base em situações reais e pela troca de experiência entre professor e aluno. “Estou sempre em busca de novos conhecimentos para poder aplicar às mais diversas situações que fazem parte do dia a dia das empresas num cenário cada vez mais competitivo”, conta.

O professor contrapõe que não só o mercado, mas também a ciência ganha com cursos In Company. A empresa ganha, porque seus executivos são estimulados a refletir sobre as práticas da empresa. “Ao justapor à realidade um viés metodológico, muitas vezes surgem respostas inesperadas, as emergências, que desvelam falhas de gestão cujas origens não são visíveis na agitação do dia a dia, mas que têm potencial para causar imensos danos nos resultados da empresa”, ressalta. Ele complementa que, com a visão desvelada, a solução de problemas de raiz é quase imediata, usualmente com imenso potencial de ganho para a empresa. E, para a ciência, pondera, cursos In Company oferecem um imenso laboratório para experimentos e observações em verdadeira grandeza, inexistente na academia: a empresa.